
Morre Peppino di Capri, o cantor italiano que imortalizou Capri e o ‘Champagne’
Sepultado na ilha que lhe deu nome e inspiração, o músico de 86 anos deixa um legado de canções como ‘Roberta’ e ‘Champagne’, que embalaram gerações e conquistaram públicos do Brasil à Alemanha.
Na noite de verão de 2024, na Certosa di San Giacomo, em Capri, um homem frágil sentou-se ao piano e, com a voz ainda reconhecível, sussurrou os primeiros versos de “Champagne”. Foi a última aparição pública de Peppino di Capri, o cantor que, aos 85 anos, revisitava o êxito que o tornara imortal. Pouco menos de dois anos depois, a 11 de julho de 2026, Giuseppe Faiella — o nome por trás do artista — morreria na sua Villa Castiglione, na mesma ilha que lhe serviu de berço e de musa. Capri declarou luto cívico e, no dia seguinte, a multidão acompanhou o funeral na igreja de Santo Stefano, a poucos passos da célebre Piazzetta.
A história de Peppino começa em 1939, quando nasceu numa família onde a música era destino: o avô tocava na banda local, o pai geria uma loja de discos e instrumentos. Aos quatro anos, já se exibia para os soldados aliados estacionados na ilha durante a guerra — uma imagem que os biógrafos guardam como prenúncio. Estudou piano com uma severa professora alemã, mas foi nos night clubs de Capri e Ischia, com o amigo baterista Ettore Falconieri, que encontrou a sua verdadeira vocação. Em 1958, assinou contrato com a editora Carisch e adotou o nome artístico “Peppino di Capri e i suoi Rockers”; o primeiro grande sucesso, “Nun è peccato”, tornou-se um clássico instantâneo da canção napolitana.
Ao longo de mais de seis décadas, Peppino di Capri atravessou géneros e fronteiras. Levou o rock’n’roll às praças italianas, popularizou o twist — com “Let’s Twist Again” vendeu um milhão de cópias em 1962 — e deu nova vida a canções napolitanas como “Voce ’e notte”. Venceu o Festival de Sanremo por duas vezes (1973 e 1976) e abriu concertos dos Beatles na digressão de 1965. Cantou em italiano, inglês, alemão e francês, somando 35 milhões de discos vendidos. Chamaram-lhe o “Buddy Holly italiano”, mas foi com baladas como “Roberta” e o icónico “Champagne” que se fixou no imaginário coletivo. Esta última, em particular, conheceu uma segunda vida internacional e, segundo a imprensa brasileira, chegou ao país nos anos 1970, tornando-se parte da banda sonora de muitas histórias de amor.
A sua relação com o mundo lusófono, aliás, transcendeu o mercado: em Portugal e no Brasil, os seus discos circularam com assiduidade e as suas melodias são ainda hoje presença em repertórios de nostalgia. A crítica europeia, em particular na Alemanha, onde singles como “Saint Tropez Twist” entraram nos tops, destacava a elegância com que Peppino fundia a tradição melódica italiana com a energia do rock americano. Para os seus conterrâneos, porém, ele era sobretudo o embaixador de Capri — nas palavras do município, “as suas canções, a sua elegância e o seu talento fizeram conhecer no mundo o nome de Capri”. A ilha, que nunca deixou, foi ao mesmo tempo refúgio e fonte criativa; ali fundou a sua editora, Splash, e ali gravou grande parte da obra.
No final, a imagem que perdura é a de um homem que transformou a geografia sentimental de um rochedo no Mediterrâneo em património universal. A Villa Castiglione, onde faleceu, permanece como testemunha silenciosa de uma carreira que começou com um menino a cantar para soldados e terminou com o mundo a beber da sua “Champagne”. Os três filhos herdam agora um catálogo que continuará a gerar royalties por mais 70 anos, mas o que fica, para lá dos direitos de autor, é a memória de uma voz que, como o vinho espumante da sua canção mais célebre, soube envelhecer sem perder a efervescência.
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| Imprensa latino-americana | +0.60 | aligned |
| Imprensa árabe Levante-Magrebe | +0.60 | aligned |
Italy mourns the loss of a renowned son, an artist who carried the name of Capri worldwide and whose music marked generations.
The article tightly links the artist to the territory and collective memory, turning a personal death into civic mourning through local details and testimonies from fellow artists.
Latin America remembers Peppino di Capri as a singer who brought Italy to the world with 'Champagne'.
The article extracts a single hit and turns it into a symbol of an entire career, making the artist accessible to a non-Italian audience.
The Arab world pays tribute to a great figure in Italian music, emphasizing his Sanremo triumphs and international fame.
The language is impersonal and factual, without emotional commentary, presenting the death as a newsworthy event.
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