
Meta avança com IA autónoma e feed de vídeo para enfrentar TikTok
Novos recursos de inteligência artificial e uma interface que prioriza vídeos verticais sinalizam a estratégia da empresa para reter utilizadores e receitas publicitárias, enquanto Elon Musk pondera os riscos existenciais da tecnologia.
A Meta anunciou a implementação de capacidades de execução autónoma de tarefas no seu assistente Meta AI, baseadas no novo modelo Muse Spark 1.1. O sistema, que passa a compreender o contexto do utilizador e a agir sem orientações constantes, oferecerá resumos diários, planos de refeições e atualizações de tendências. A funcionalidade é lançada inicialmente em mercados selecionados através da aplicação dedicada e do site meta.ai, com planos de expansão para plataformas como o WhatsApp — canal dominante em países lusófonos como o Brasil e Moçambique —, num movimento que a empresa descreve como “o próximo passo rumo à superinteligência pessoal”.
Paralelamente, a empresa testará, a partir do outono, uma versão da aplicação do Facebook que abre diretamente num feed de vídeo em ecrã inteiro, à semelhança do TikTok. A experiência, anunciada pelo responsável Tom Alison, será aplicada a um subconjunto de utilizadores em países com elevado consumo de vídeo, com possível chegada aos Estados Unidos em 2027. A mudança reflete a tendência do setor para o consumo passivo de clips de criadores desconhecidos, num contexto em que a publicação ativa entre contactos diminuiu: observadores na Europa notam que as plataformas procuram maximizar o tempo de visualização para captar receitas publicitárias tradicionalmente televisivas.
A estratégia de diversificação inclui ainda o lançamento do aplicativo Seller, dedicado aos vendedores do Facebook Marketplace, com ferramentas de inteligência artificial para criação de anúncios, gestão de inventário e análise de desempenho. Nos Estados Unidos, o aplicativo já está disponível para maiores de 18 anos, e uma versão web está em teste. A Meta introduziu também a verificação gratuita de perfis por selfie, visando reforçar a autenticidade, e prossegue a criação de aplicações especializadas, como o Forum, para grupos. Estas iniciativas surgem num momento de pressão competitiva: o TikTok ultrapassou mil milhões de utilizadores mensais, enquanto o YouTube se aproxima do Facebook em alcance.
Num registo contrastante, o empresário Elon Musk calculou uma probabilidade de 10% a 20% de a inteligência artificial se voltar contra a humanidade, mas defende que a possibilidade de 80% de uma era de abundância global justifica o risco. Através da sua empresa xAI e do modelo Grok, Musk procura uma IA orientada para a “busca da verdade”, num cenário em que, segundo o magnata, a automatização extrema poderá eliminar a escassez material e redefinir o papel do trabalho humano.
O próximo marco factual será a divulgação dos resultados do segundo trimestre da Meta, a 29 de julho, que revelará a saúde financeira da empresa em plena ofensiva estratégica e num contexto de forte concorrência no setor das redes sociais e da inteligência artificial.
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