
Líbano acusa Israel de ataque com herbicida e morte de soldados perante a ONU
Beirute submeteu duas queixas ao Conselho de Segurança, uma por pulverização de glifosato em zonas fronteiriças e outra pelo assassinato de três militares, em plena escalada do conflito com o Hezbollah.
O governo libanês apresentou duas queixas formais às Nações Unidas contra Israel, aprofundando o contencioso diplomático num momento de intensificação das hostilidades com o Hezbollah. Em comunicado divulgado este domingo, o Ministério dos Negócios Estrangeiros libanês revelou ter enviado cartas ao Conselho de Segurança e ao secretário-geral da ONU, denunciando a pulverização de glifosato em aldeias do sul do Líbano, em fevereiro, e o ataque a um veículo militar que vitimou três soldados, a 6 de junho.
A primeira queixa, baseada num relatório do Conselho Nacional de Investigação Científica, detalha que, a 1 de fevereiro – um mês antes do início da guerra entre Israel e o Hezbollah, em 2 de março –, o exército israelita lançou herbicida sobre as localidades de Aita al-Shaab, Ras Naqura e Dhayra. Análises laboratoriais a amostras de solo revelaram concentrações de glifosato até 22,75 microgramas por grama, muito acima dos valores habituais em terrenos agrícolas, que oscilam entre 0,5 e 2 microgramas por grama, mesmo após aplicação direta pelos agricultores. O Líbano sublinha que a Convenção sobre Armas Químicas proíbe o uso de herbicidas como meio de guerra.
A segunda comunicação, enviada a 11 de junho, reporta o ataque deliberado contra uma viatura do exército libanês na estrada de Kfartebnit-Khardali, no sul, que matou um general de brigada, um capitão e um soldado. Este incidente, ocorrido a 6 de junho, foi descrito por Beirute como uma violação grave que prejudica as iniciativas diplomáticas em curso para conter a violência. A ONU mantém no sul do Líbano a missão de paz UNIFIL, com efetivos de vários países, entre os quais contingentes do Brasil e de Portugal – nações que historicamente acompanham a estabilidade da região.
Observadores em Lisboa e Brasília notam que as denúncias poderão influenciar o debate no Conselho de Segurança, onde a comunidade lusófona tem defendido o respeito pelo direito internacional humanitário. A utilização de agentes químicos, ainda que na forma de herbicidas, suscita paralelos com outros conflitos e reforça apelos por mecanismos de verificação independentes. Enquanto as hostilidades prosseguem, com centenas de mortos e deslocados, as iniciativas diplomáticas multiplicam-se, mas sem sinais de tréguas duradouras. A escalada militar e as acusações de crimes de guerra colocam pressão adicional sobre os atores regionais e globais para encontrar uma saída negociada.
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