
Iraque prende dezenas de políticos em megaoperação anticorrupção na Zona Verde
Operação do governo Ali al-Zaidi, que prometeu combater a corrupção, coincide com a preparação da visita a Washington e afeta figuras ligadas ao Irão.
Unidades de elite do contraterrorismo iraquiano realizaram, na madrugada de domingo, uma série de rusgas na fortificada Zona Verde de Bagdade e noutras regiões, detendo pelo menos 47 pessoas, entre as quais vários membros do Parlamento, ex-ministros e altos funcionários. A operação, ordenada pelo primeiro-ministro Ali al-Zaidi, baseou-se em confissões do antigo vice-ministro do Petróleo Adnan al-Jumaili, preso no mês anterior, e em mandados judiciais relacionados com corrupção financeira, enriquecimento ilícito e alegado contrabando de petróleo iraniano.
Segundo fontes policiais e judiciais citadas pela imprensa iraquiana, os detidos incluem líderes de coligações sunitas, como Muthana al-Samarrai, do partido Azm, e representantes do bloco xiita Estado de Direito, como Alia Nassif, além de figuras próximas do antigo primeiro-ministro Mohammed Shia al-Sudani. A alçada norte-americana não foi confirmada oficialmente, mas a agência curda Rudaw assinalou que o FBI acompanhou a operação, e diplomatas em Bagdade disseram à AFP que a ofensiva serve para mostrar empenho reformista antes da visita de Ali al-Zaidi a Washington, prevista para as próximas semanas. Do lado iraniano, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araghchi, encontrava-se em Bagdade no momento das detenções, e canais internacionais sublinham que vários dos visados integravam partidos xiitas alinhados com Teerão.
A iniciativa insere-se num contexto de crescentes pressões americanas para que o governo iraquiano dissolva as milícias apoiadas pelo Irão, acusadas de atacar instalações dos EUA durante a recente crise no Médio Oriente. Zaidi já tornou pública a intenção de concentrar o monopólio estatal das armas, e analistas regionais consideram que a campanha de detenções pode enfraquecer as redes clientelares que há anos condicionam o sistema político iraquiano. A própria sustentação económica do país, abalada pelos efeitos do bloqueio comercial no estreito de Ormuz, reforça a urgência de um ajustamento de alianças e de um discurso de probidade.
A ofensiva anticorrupção prolonga-se por outras províncias e deverá continuar nos próximos dias, enquanto a justiça iraquiana levanta imunidades parlamentares e emite novos mandados. O governo não divulgou oficialmente a lista completa de detidos, mas fontes oficiais confirmaram que a ação se baseia nos depoimentos de Jumaili e que visa uma rede de corrupção que terá desviado milhares de milhões de dólares. O desfecho do processo judicial e os seus reflexos na estabilidade política do país são aguardados com atenção pela comunidade internacional, incluindo o Brasil e Portugal, que apoiam os esforços de transparência e construção institucional no Iraque pós-conflito.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Iranian media portray the raids as a violent, chaotic clash, emphasizing armed confrontations and the arrest of a major political figure. They highlight the use of tanks and shooting, framing the operation as a dangerous escalation with deep political implications. The tone is alarmist, focusing on disorder rather than the anti-corruption narrative.
Gulf Arabic media present the crackdown as a lawful and decisive anti-corruption drive, citing official figures of 47 arrests including MPs. They highlight the role of the judiciary and the prime minister's commitment, praising the transparency and coordination among branches. The narrative is supportive of the government's action, portraying it as a necessary step towards accountability.
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