
Pezeshkian reafirma que decisões de guerra e paz no Irã cabem ao Líder Supremo
Presidente iraniano sublinha coesão nacional e negociações sob tutela do Conselho de Segurança, enquanto Israel observa com ceticismo a via diplomática.
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou este domingo que as decisões sobre guerra e negociações de paz competem exclusivamente ao Líder Supremo e ao Conselho Supremo de Segurança Nacional, num momento de intenso debate interno após o mais recente ciclo de confrontos regionais. Perante diretores de meios de comunicação em Teerã, sublinhou que todos os grupos devem cumprir as deliberações daquelas instituições e criticou a televisão estatal por difundir conteúdos que não refletem as orientações do Líder. A intervenção surge quando fações conservadoras manifestam descontentamento com um possível acordo com os Estados Unidos.
O governo definiu como prioridades a coesão nacional, a resiliência económica, a melhoria das condições de vida e o estreitamento de laços com os países vizinhos, enquanto prossegue as conversações diplomáticas dentro do quadro das políticas gerais do sistema. O Conselho Supremo de Segurança Nacional concluiu que a via do diálogo deve ser mantida, revelou o presidente, que também lamentou os insultos dirigidos ao presidente do parlamento. O antigo vice-presidente do parlamento, Ali Motahhari, alertou que a rejeição do acordo e a continuação da guerra poderiam fazer Teerã perder condições favoráveis. Meios de comunicação próximos do poder denunciam uma campanha de setores hostis que procuram amplificar divergências para fabricar uma imagem de fratura no regime.
Na perspetiva de Jerusalém, analistas israelitas observam que a administração Trump parece inclinar-se para a negociação com os mulás e os seus representantes regionais, em detrimento de uma ação militar decisiva. Comentadores sublinham que Israel necessita de mais do que força militar para contrariar o Irão e os seus proxies, que, apesar dos duros golpes sofridos pelo “Eixo da Resistência”, continuam a coordenar-se no Iémen, no Líbano e no Iraque. Esta leitura converge com a narrativa oficial iraniana de que a diplomacia é um caminho viável, sob estrita vigilância das instituições de segurança.
Observadores em Brasília e Lisboa notam que o Irã procura um equilíbrio delicado entre a afirmação de soberania e a necessidade de aliviar a pressão económica, num momento em que a coesão interna é apresentada como condição indispensável. A insistência de Pezeshkian na primazia do Líder Supremo revela a arquitetura decisória real do regime, ao mesmo tempo que tenta conter as vozes dissonantes. Para os países lusófonos com interesses no mercado energético global, o desfecho das negociações poderá influenciar a estabilidade do Golfo e os preços do petróleo, com repercussões em economias como a brasileira e a angolana. A capacidade de Teerã para manter a unidade interna enquanto negoceia com Washington determinará o futuro do programa nuclear e a recomposição das alianças regionais, numa estratégia de “nem guerra, nem paz” que exige disciplina interna e gestão cuidadosa das expectativas populares.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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O presidente salientou que o Conselho Supremo de Segurança Nacional aprovou com firmeza as negociações, e que todas as decisões estratégicas sobre guerra e paz cabem exclusivamente ao Líder Supremo. Apelou à unidade nacional e alertou contra as tentativas dos meios de comunicação hostis de forjar uma imagem de discórdia interna.
O presidente iraniano encerrou o debate interno ao afirmar que as decisões sobre guerra e negociação pertencem exclusivamente ao Líder Supremo e ao Conselho de Segurança Nacional. Exortou todas as facções a cumprirem as decisões institucionais, enquanto se noticiava descontentamento interno face a um possível acordo com os Estados Unidos.
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