
Irã condiciona acordo de paz com EUA à retirada de Israel do Líbano
A exigência, rejeitada por Tel Aviv, ameaça o pacto provisório e reacende o risco de uma guerra total no Oriente Médio, com potenciais reflexos nos países lusófonos.
O principal diplomata iraniano, Abbas Araghchi, afirmou nesta terça-feira (16) que o memorando de entendimento provisório entre Teerã e Washington só se sustentará se as forças israelitas abandonarem o sul do Líbano. A declaração, que ecoa posição semelhante do negociador Mohammad Baqer Qalibaf, colide frontalmente com a recusa de Israel em retirar as tropas que ocupam uma faixa do território libanês desde a ofensiva terrestre de março. Enquanto o acordo — ainda não tornado público — previa a assinatura de um pacto definitivo na próxima sexta-feira, ataques israelitas com drones mataram pelo menos quatro pessoas no Líbano no mesmo dia, expondo a fragilidade do cessar-fogo parcial.
A guerra de três meses teve início com os bombardeios conjuntos de Estados Unidos e Israel contra o Irã em 28 de fevereiro, seguidos pela entrada do Hezbollah no conflito a 2 de março, em apoio a Teerã. Apesar de Israel não ser parte formal do memorando, a sua presença militar no Líbano tornou-se o principal pomo de discórdia. Fontes diplomáticas em Washington, sob anonimato, asseguram que o texto não exige a retirada israelita, enquanto o Irã insiste que a ocupação continuada violaria o espírito do entendimento. O próprio Hezbollah, por meio de interlocutores, sinalizou que Teerã não assinará um acordo nuclear final sem a desocupação.
Na perspetiva de Brasília, o impasse é acompanhado com apreensão. O Brasil, que importa parcela significativa de petróleo e tem ambições de expandir a produção do pré-sal, teme que a escalada das tensões dispare os preços do barril e desorganize cadeias globais de suprimentos. Observadores em Lisboa notam que a União Europeia, dependente do gás e do petróleo do Médio Oriente, vê com alarme a possibilidade de uma nova crise migratória caso o conflito se alastre, reavivando os traumas de 2015. Já em Luanda e Maputo, economias exportadoras de hidrocarbonetos poderiam beneficiar-se de uma alta conjuntural, mas analistas alertam que a instabilidade prolongada acabaria por deprimir o crescimento mundial, afetando também a procura por matérias-primas africanas.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deixou em aberto a hipótese de uma resposta militar caso o Irã descumpra o que for acordado, acrescentando pressão a um cenário já volátil. As interpretações contraditórias sobre o conteúdo do memorando podem ser tanto um jogo negocial quanto um prenúncio de colapso. Se Israel mantiver a ocupação e o Irã se recusar a assinar o acordo final, a guerra total poderá ser retomada, com consequências imprevisíveis para a segurança energética e geopolítica global. Círculos diplomáticos lusófonos defendem uma clarificação urgente dos termos, de modo a evitar que a ambiguidade sirva de rastilho para uma conflagração ainda mais ampla.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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O Irã afirma que o acordo de paz com os Estados Unidos deve incluir a retirada israelense dos territórios libaneses ocupados. Israel rejeita essa condição, colocando em risco o entendimento e ameaçando retomar uma guerra total. A ocupação israelense do sul do Líbano é vista como uma violação do acordo ainda não divulgado.
O Irã aponta a retirada israelense do Líbano como condição para o acordo de paz, mas Israel declara que ficará enquanto for necessário. O conteúdo do entendimento entre EUA e Irã não foi divulgado e fontes diferentes dão versões contraditórias sobre se a retirada é uma exigência formal. Enquanto isso, novos ataques israelenses são relatados no sul do Líbano.
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