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Tecnologiaquarta-feira, 17 de junho de 2026

Confiança na IA vacila, mas adoção dispara na saúde, educação e consumo

Estudos globais mostram que, apesar do uso massivo de ferramentas como ChatGPT, a desconfiança dos utilizadores cresce — e os sistemas ainda falham em tarefas complexas.

O domínio absoluto do ChatGPT no mercado de assistentes de inteligência artificial chegou ao fim. Pela primeira vez, a participação do chatbot da OpenAI caiu abaixo dos 50%, fixando-se em 46,5% em maio de 2026, enquanto o Gemini, do Google, saltou para 27,7%. Ainda assim, o ChatGPT mantém mais de 1,1 mil milhões de utilizadores ativos mensais, um número que ilustra a ubiquidade destas ferramentas. A fragmentação do mercado, contudo, não significa uma retração: pelo contrário, a adoção da IA acelera em setores tão diversos como o comércio, a saúde e a educação, mas a confiança dos utilizadores não acompanha o mesmo ritmo.

A desconfiança é um traço comum em várias geografias. Nos Estados Unidos, um inquérito da Morning Consult revelou que sete das dez maiores marcas de IA registaram quedas nas pontuações de confiança dos consumidores, enquanto produtos nostálgicos de baixa tecnologia, como os snacks Lunchables, viram a sua reputação subir. No Quénia, 89% dos compradores já recorrem à IA para comparar preços ou ler avaliações, mas apenas 29% confiariam a um agente autónomo a finalização da compra. No Brasil, o paradoxo é semelhante: 58,4% dos utilizadores usam ferramentas de IA com frequência, mas 60% admitem não conseguir distinguir um vídeo real de um gerado artificialmente. A familiaridade com a tecnologia não se traduz, portanto, numa adesão cega.

Na saúde, o cenário é de integração cautelosa. Médicos brasileiros alertam que pacientes não devem usar assistentes genéricos para interpretar sintomas ou exames, dada a imprecisão das respostas. No entanto, a IA já está incorporada em sistemas de diagnóstico por imagem e na aceleração de exames laboratoriais, como explica um superintendente da Dasa. No Canadá, a província da Nova Escócia implementa assistentes virtuais para navegação no sistema de saúde e ferramentas que reduzem a papelada dos clínicos, mas especialistas insistem na necessidade de supervisão humana. Nos Estados Unidos, um estudo da Harvard e Stanford mostrou que o ChatGPT superou centenas de médicos em diagnósticos complexos — um resultado que deixou os próprios investigadores “inquietos”. Os profissionais usam a IA, mas preocupam-se com as consequências.

A educação é outro campo de rápida transformação. Na América Latina, um estudo do Digital Education Council com 29 instituições, incluindo a UNAM do México, revelou que 91,5% dos estudantes e 75% dos professores já utilizam IA em atividades de aprendizagem e ensino. A escala da adoção surpreende e levanta questões sobre a dependência tecnológica e a necessidade de literacia digital. Observadores em Brasília notam que o fenómeno se replica no Brasil, onde o uso de IA para estudar e tirar dúvidas é um dos hábitos mais comuns.

Apesar dos avanços, a IA ainda tropeça em domínios de excelência humana. O projeto First Proof, que submeteu quatro sistemas a dez problemas inéditos de investigação matemática, concluiu que nenhum igualou o desempenho dos melhores matemáticos. A limitação expõe a distância que separa a capacidade de processamento da criatividade e do raciocínio abstrato. O futuro, sugerem analistas em Lisboa e São Paulo, passará por uma regulação que promova a transparência e por investimentos em educação digital, para que a sociedade possa colher os benefícios da IA sem se tornar refém das suas fragilidades.

Como a mesma história é contada em outros lugares.

2 grupos editoriais · 2 idiomas

32%
TomTemperaturaFocoPosicionamentoHorizonte
Stampa latinoamericanaStampa atlantica / anglosfera
Stampa latinoamericana/ mercato
pragmatismoscetticismo

A IA oferece uma vantagem competitiva na saúde, mas os pacientes devem ter cautela: as ferramentas de IA comuns ainda não têm a precisão necessária e podem dar informações enganosas. Soluções especializadas já são usadas em diagnóstico por imagem e patologia.

Stampa atlantica / anglosfera/ progressista
scetticismoallarme

A IA está se infiltrando silenciosamente nos sistemas de saúde, prometendo eficiência mas gerando preocupações. Os médicos estão alarmados depois que chatbots os superaram em testes diagnósticos, mas continuam a usá-los; pesquisas mostram queda na confiança pública na IA.

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quarta-feira, 17 de junho de 2026

Confiança na IA vacila, mas adoção dispara na saúde, educação e consumo

Estudos globais mostram que, apesar do uso massivo de ferramentas como ChatGPT, a desconfiança dos utilizadores cresce — e os sistemas ainda falham em tarefas complexas.

O domínio absoluto do ChatGPT no mercado de assistentes de inteligência artificial chegou ao fim. Pela primeira vez, a participação do chatbot da OpenAI caiu abaixo dos 50%, fixando-se em 46,5% em maio de 2026, enquanto o Gemini, do Google, saltou para 27,7%. Ainda assim, o ChatGPT mantém mais de 1,1 mil milhões de utilizadores ativos mensais, um número que ilustra a ubiquidade destas ferramentas. A fragmentação do mercado, contudo, não significa uma retração: pelo contrário, a adoção da IA acelera em setores tão diversos como o comércio, a saúde e a educação, mas a confiança dos utilizadores não acompanha o mesmo ritmo.

A desconfiança é um traço comum em várias geografias. Nos Estados Unidos, um inquérito da Morning Consult revelou que sete das dez maiores marcas de IA registaram quedas nas pontuações de confiança dos consumidores, enquanto produtos nostálgicos de baixa tecnologia, como os snacks Lunchables, viram a sua reputação subir. No Quénia, 89% dos compradores já recorrem à IA para comparar preços ou ler avaliações, mas apenas 29% confiariam a um agente autónomo a finalização da compra. No Brasil, o paradoxo é semelhante: 58,4% dos utilizadores usam ferramentas de IA com frequência, mas 60% admitem não conseguir distinguir um vídeo real de um gerado artificialmente. A familiaridade com a tecnologia não se traduz, portanto, numa adesão cega.

Na saúde, o cenário é de integração cautelosa. Médicos brasileiros alertam que pacientes não devem usar assistentes genéricos para interpretar sintomas ou exames, dada a imprecisão das respostas. No entanto, a IA já está incorporada em sistemas de diagnóstico por imagem e na aceleração de exames laboratoriais, como explica um superintendente da Dasa. No Canadá, a província da Nova Escócia implementa assistentes virtuais para navegação no sistema de saúde e ferramentas que reduzem a papelada dos clínicos, mas especialistas insistem na necessidade de supervisão humana. Nos Estados Unidos, um estudo da Harvard e Stanford mostrou que o ChatGPT superou centenas de médicos em diagnósticos complexos — um resultado que deixou os próprios investigadores “inquietos”. Os profissionais usam a IA, mas preocupam-se com as consequências.

A educação é outro campo de rápida transformação. Na América Latina, um estudo do Digital Education Council com 29 instituições, incluindo a UNAM do México, revelou que 91,5% dos estudantes e 75% dos professores já utilizam IA em atividades de aprendizagem e ensino. A escala da adoção surpreende e levanta questões sobre a dependência tecnológica e a necessidade de literacia digital. Observadores em Brasília notam que o fenómeno se replica no Brasil, onde o uso de IA para estudar e tirar dúvidas é um dos hábitos mais comuns.

Apesar dos avanços, a IA ainda tropeça em domínios de excelência humana. O projeto First Proof, que submeteu quatro sistemas a dez problemas inéditos de investigação matemática, concluiu que nenhum igualou o desempenho dos melhores matemáticos. A limitação expõe a distância que separa a capacidade de processamento da criatividade e do raciocínio abstrato. O futuro, sugerem analistas em Lisboa e São Paulo, passará por uma regulação que promova a transparência e por investimentos em educação digital, para que a sociedade possa colher os benefícios da IA sem se tornar refém das suas fragilidades.

Divergência das fontes

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32%Média

Quanto as fontes relatam os mesmos fatos de maneira diferente.

Como se dividem

Neutro20%
Crítico80%

Como a mesma história é contada em outros lugares.

2 grupos editoriais · 2 idiomas

TomTemperaturaFocoPosicionamentoHorizonte
Stampa latinoamericanaStampa atlantica / anglosfera
Stampa latinoamericana/ mercato
pragmatismoscetticismo

A IA oferece uma vantagem competitiva na saúde, mas os pacientes devem ter cautela: as ferramentas de IA comuns ainda não têm a precisão necessária e podem dar informações enganosas. Soluções especializadas já são usadas em diagnóstico por imagem e patologia.

Stampa atlantica / anglosfera/ progressista
scetticismoallarme

A IA está se infiltrando silenciosamente nos sistemas de saúde, prometendo eficiência mas gerando preocupações. Os médicos estão alarmados depois que chatbots os superaram em testes diagnósticos, mas continuam a usá-los; pesquisas mostram queda na confiança pública na IA.

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