
Intel tem prejuízo de US$ 11 mil milhões, mas receita salta 25% e ações disparam com projeções otimistas
Apesar da perda contabilística de 11 mil milhões de dólares, a fabricante norte-americana bateu estimativas de receita e lucro ajustado, impulsionada pela procura de chips para centros de dados de inteligência artificial, e elevou a previsão de investimentos.
A Intel registou, no segundo trimestre, um prejuízo líquido de 11 mil milhões de dólares, ampliando as perdas de 2,9 mil milhões de dólares do mesmo período do ano anterior. O resultado, porém, reflete sobretudo ajustes contabilísticos e encargos não monetários ligados à transferência de títulos mantidos em depósito para o governo norte-americano, no quadro do programa de subsídios à indústria de semicondutores. A receita cresceu 25% em termos homólogos, atingindo 16,1 mil milhões de dólares — o maior avanço em mais de quinze anos — e superou a expectativa média dos analistas, de 14,4 mil milhões. O lucro ajustado por ação foi de 0,42 dólares, o dobro do consenso do mercado, o que fez as ações subirem mais de 10% no after-market.
O desempenho foi impulsionado pela procura acelerada de unidades centrais de processamento (CPU) para centros de dados, num contexto de multiplicação de agentes de inteligência artificial e da necessidade de complementar os dispendiosos processadores gráficos. A divisão de Data Center e IA aumentou as vendas em 59%, para 6,3 mil milhões de dólares, enquanto o negócio de computadores pessoais (clientes) rendeu 8,9 mil milhões, favorecido por preços médios mais altos, apesar da queda no volume de unidades. O segmento de fundição — onde a Intel fabrica para terceiros — cresceu para 5,8 mil milhões de dólares e conquistou a Tesla como cliente para o processo 14A, previsto para 2028, num projeto de chip de IA denominado Terafab.
Na perspetiva de analistas americanos, a Intel começa a recuperar tração depois de ter perdido terreno na explosão inicial da IA, atrasos produtivos e a saída do índice Dow Jones. A empresa tem vindo a reforçar a autonomia estratégica: o CEO, Lip‑Bu Tan, destacou que a Intel se comprometeu “totalmente” com a produção em grande volume da tecnologia 14A, dissipando dúvidas anteriores sobre a viabilidade do projeto. O diretor financeiro, David Zinsner, revelou que a previsão de investimentos (capex) para 2026 foi revista em alta, de 18 para 20 mil milhões de dólares, e que se espera um aumento significativo no próximo ano. Zinsner referiu ainda contratos de longo prazo com clientes, cobrindo volume e preço, e não excluiu a possibilidade de alienação de ações, embora sem planos imediatos. Ao mesmo tempo, a Intel anunciou despedimentos seletivos na área de centros de dados, visando reduzir camadas de gestão intermédia.
A fabricante forneceu projeções para o terceiro trimestre igualmente acima do esperado: receita entre 15,8 e 16,8 mil milhões de dólares (contra 15,1 mil milhões estimados) e lucro ajustado de 0,38 dólares por ação. O mercado aguarda agora a execução do plano de investimentos e a capacidade de a Intel transformar o atual ciclo de encomendas em contratos duradouros, com a fundição a ser considerada por observadores de Washington um ativo estratégico para a autonomia tecnológica dos EUA e dos seus aliados.
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| Imprensa atlântica / anglosfera | +0.80 | aligned |
A Intel enfrenta um prejuízo bilionário, mas a receita cresce e o mercado reage positivamente. O resultado é ambíguo.
Ao apresentar simultaneamente o prejuízo e o crescimento da receita, o bloco cria uma narrativa equilibrada que permite ao leitor escolher o foco.
A Intel virou a página. Após anos de dificuldades, agora registra o crescimento de receita mais rápido em 15 anos, impulsionado pela IA. As ações estão em alta. A empresa está de volta.
Ao enquadrar os resultados como uma história de renascimento e omitir o prejuízo líquido, o bloco cria uma narrativa de triunfo e renovação.
O prejuízo líquido de US$ 11 bilhões não é mencionado, o que minaria a narrativa triunfante.
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