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Justiça & Direitoquarta-feira, 1 de julho de 2026

Governos aceleram adoção de biometria para serviços públicos e registo de telemóveis

Rússia, México, Indonésia e EUA anunciam novas regras de verificação facial e de identidade, enquanto observadores em Lisboa e Brasília alertam para riscos de exclusão digital e proteção de dados.

Vários governos anunciaram em julho a expansão de sistemas de verificação biométrica para serviços públicos e registo de linhas telefónicas, com a Rússia a integrar o reconhecimento facial no portal estatal “Gosuslugi” e a Indonésia a tornar obrigatória a biometria para novos cartões SIM. A partir deste mês, os cidadãos russos podem utilizar dados do Sistema Biométrico Unificado (EBS) para confirmar a identidade na submissão de documentos de registo de propriedade imobiliária, uma funcionalidade que, segundo o gabinete do vice-primeiro-ministro Dmitri Grigorenko, combina a biometria com a assinatura eletrónica qualificada para oferecer “o nível máximo de proteção” nas transações à distância. Na Indonésia, o Ministério da Comunicação e Digital tornou obrigatório, a 1 de julho de 2026, o registo biométrico com verificação facial para a ativação de novos números de telemóvel, medida que o diretor-geral do Ecossistema Digital, Edwin Hidayat Abdullah, descreveu como um passo para “construir um espaço digital mais seguro e confiável”.

Na perspetiva de Moscovo, a integração da biometria no portal de serviços públicos insere-se no projeto federal “Estado para as Pessoas” e visa, segundo o aparelho governamental, facilitar o registo de propriedade em linha e reforçar a segurança jurídica das transações, sem eliminar a opção pelo formato presencial. O EBS, gerido pelo Centro de Tecnologias Biométricas, já suporta mais de vinte serviços, incluindo pagamentos sem contacto e embarque em voos. Em Jacarta, o regulamento ministerial n.º 7/2026 estabelece que as operadoras de telecomunicações devem aplicar o princípio “Conheça o Seu Cliente” (KYC) através do reconhecimento facial, cruzando os dados biométricos com a base de dados da Direção-Geral de População e Registo Civil (Dukcapil). O governo indonésio assegura que os dados biométricos não são armazenados pelas operadoras nem pelo ministério, e que o sistema cumpre normas como a ISO 27001 e a deteção de vivacidade ISO/IEC 30107-3.

No México, a Comissão Reguladora de Telecomunicações (CRT) publicou alterações aos lineamentos de identificação de linhas móveis que introduzem uma “prova de vida” nos registos presenciais e escalonam o bloqueio de linhas não vinculadas entre agosto e dezembro de 2026, de acordo com o último dígito do número. A CRT justificou a medida sem consulta pública para evitar uma desativação simultânea que poderia sobrecarregar as redes. Nos Estados Unidos, o Serviço de Cidadania e Imigração (USCIS) finalizou uma regra que consolida o registo biométrico obrigatório para certos estrangeiros que permaneçam no país por mais de trinta dias sem documentação migratória atualizada, incluindo quem entrou sem inspeção ou crianças que completem 14 anos. A agência esclareceu que a regra não cria novas obrigações para grupos já abrangidos, mas estabiliza o sistema lançado em 2025 e introduz atualizações técnicas.

Observadores em Lisboa e Brasília notam que a vaga de medidas biométricas reflete uma tendência global de digitalização da identidade, mas levanta questões sobre proteção de dados e exclusão de cidadãos sem acesso a dispositivos compatíveis. Em Portugal, o Cartão de Cidadão já integra elementos biométricos, e o Regulamento Geral de Proteção de Dados europeu impõe limites ao tratamento de dados sensíveis, o que contrasta com a ausência de consulta pública em alguns dos processos agora anunciados. No Brasil, o Tribunal Superior Eleitoral tem recolhido biometria de eleitores de forma progressiva, e o governo federal avalia a expansão da identificação digital, mas especialistas alertam para a necessidade de salvaguardas contra o uso indevido de bases de dados centralizadas. Nos países africanos de língua oficial portuguesa, a adoção de sistemas biométricos para registo civil e eleitoral tem sido apoiada por organismos internacionais, embora persista o desafio da interoperabilidade e da cobertura da rede de telecomunicações. O dossiê permanece em evolução: a Indonésia encoraja o recadastramento voluntário de clientes antigos, o México escalonará os bloqueios até ao final do ano, e os EUA aceitam comentários públicos sobre novas alterações até 28 de agosto de 2026.

Como a mesma história é contada em outros lugares.

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Biometrics is presented as a tool for administrative modernisation and national security, consistent with the state's digitalisation strategy. The July regulations in Russia, Indonesia, Mexico and the United States are described as coordinated steps toward a global digital identification system. Emphasis is placed on efficiency and control, not on privacy risks.

Imprensa latino-americana/ Bolivariana / progressista
CeticismoIndignação

Biometrics is viewed with suspicion, as a potential tool of state control and mass surveillance, especially in a regional context marked by power abuses. The new measures in Mexico and elsewhere are analysed in light of previous corruption scandals and human rights violations. Focus is on the lack of safeguards for citizens and possible digital exclusion.

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quarta-feira, 1 de julho de 2026

Governos aceleram adoção de biometria para serviços públicos e registo de telemóveis

Rússia, México, Indonésia e EUA anunciam novas regras de verificação facial e de identidade, enquanto observadores em Lisboa e Brasília alertam para riscos de exclusão digital e proteção de dados.

Vários governos anunciaram em julho a expansão de sistemas de verificação biométrica para serviços públicos e registo de linhas telefónicas, com a Rússia a integrar o reconhecimento facial no portal estatal “Gosuslugi” e a Indonésia a tornar obrigatória a biometria para novos cartões SIM. A partir deste mês, os cidadãos russos podem utilizar dados do Sistema Biométrico Unificado (EBS) para confirmar a identidade na submissão de documentos de registo de propriedade imobiliária, uma funcionalidade que, segundo o gabinete do vice-primeiro-ministro Dmitri Grigorenko, combina a biometria com a assinatura eletrónica qualificada para oferecer “o nível máximo de proteção” nas transações à distância. Na Indonésia, o Ministério da Comunicação e Digital tornou obrigatório, a 1 de julho de 2026, o registo biométrico com verificação facial para a ativação de novos números de telemóvel, medida que o diretor-geral do Ecossistema Digital, Edwin Hidayat Abdullah, descreveu como um passo para “construir um espaço digital mais seguro e confiável”.

Na perspetiva de Moscovo, a integração da biometria no portal de serviços públicos insere-se no projeto federal “Estado para as Pessoas” e visa, segundo o aparelho governamental, facilitar o registo de propriedade em linha e reforçar a segurança jurídica das transações, sem eliminar a opção pelo formato presencial. O EBS, gerido pelo Centro de Tecnologias Biométricas, já suporta mais de vinte serviços, incluindo pagamentos sem contacto e embarque em voos. Em Jacarta, o regulamento ministerial n.º 7/2026 estabelece que as operadoras de telecomunicações devem aplicar o princípio “Conheça o Seu Cliente” (KYC) através do reconhecimento facial, cruzando os dados biométricos com a base de dados da Direção-Geral de População e Registo Civil (Dukcapil). O governo indonésio assegura que os dados biométricos não são armazenados pelas operadoras nem pelo ministério, e que o sistema cumpre normas como a ISO 27001 e a deteção de vivacidade ISO/IEC 30107-3.

No México, a Comissão Reguladora de Telecomunicações (CRT) publicou alterações aos lineamentos de identificação de linhas móveis que introduzem uma “prova de vida” nos registos presenciais e escalonam o bloqueio de linhas não vinculadas entre agosto e dezembro de 2026, de acordo com o último dígito do número. A CRT justificou a medida sem consulta pública para evitar uma desativação simultânea que poderia sobrecarregar as redes. Nos Estados Unidos, o Serviço de Cidadania e Imigração (USCIS) finalizou uma regra que consolida o registo biométrico obrigatório para certos estrangeiros que permaneçam no país por mais de trinta dias sem documentação migratória atualizada, incluindo quem entrou sem inspeção ou crianças que completem 14 anos. A agência esclareceu que a regra não cria novas obrigações para grupos já abrangidos, mas estabiliza o sistema lançado em 2025 e introduz atualizações técnicas.

Observadores em Lisboa e Brasília notam que a vaga de medidas biométricas reflete uma tendência global de digitalização da identidade, mas levanta questões sobre proteção de dados e exclusão de cidadãos sem acesso a dispositivos compatíveis. Em Portugal, o Cartão de Cidadão já integra elementos biométricos, e o Regulamento Geral de Proteção de Dados europeu impõe limites ao tratamento de dados sensíveis, o que contrasta com a ausência de consulta pública em alguns dos processos agora anunciados. No Brasil, o Tribunal Superior Eleitoral tem recolhido biometria de eleitores de forma progressiva, e o governo federal avalia a expansão da identificação digital, mas especialistas alertam para a necessidade de salvaguardas contra o uso indevido de bases de dados centralizadas. Nos países africanos de língua oficial portuguesa, a adoção de sistemas biométricos para registo civil e eleitoral tem sido apoiada por organismos internacionais, embora persista o desafio da interoperabilidade e da cobertura da rede de telecomunicações. O dossiê permanece em evolução: a Indonésia encoraja o recadastramento voluntário de clientes antigos, o México escalonará os bloqueios até ao final do ano, e os EUA aceitam comentários públicos sobre novas alterações até 28 de agosto de 2026.

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Como se dividem

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Biometrics is presented as a tool for administrative modernisation and national security, consistent with the state's digitalisation strategy. The July regulations in Russia, Indonesia, Mexico and the United States are described as coordinated steps toward a global digital identification system. Emphasis is placed on efficiency and control, not on privacy risks.

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Biometrics is viewed with suspicion, as a potential tool of state control and mass surveillance, especially in a regional context marked by power abuses. The new measures in Mexico and elsewhere are analysed in light of previous corruption scandals and human rights violations. Focus is on the lack of safeguards for citizens and possible digital exclusion.

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