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Sociedade & Culturaquarta-feira, 15 de julho de 2026

Gelo nos testículos, cócegas e menopausa: o novo mapa dos rituais íntimos

De fóruns de biohacking a palcos de teatro, uma série de práticas e debates revela como diferentes culturas estão a renegociar o desejo, o prazer e os limites do corpo.

Na manhã de uma terça-feira, a atriz brasileira Claudia Raia, de 59 anos, publicou um vídeo bem-humorado no Instagram. Em frente à câmara, expôs um dos sintomas mais desgastantes da menopausa: a insónia. A publicação, que rapidamente se encheu de comentários de mulheres que se identificavam com a situação — “estou rindo, mas é de chorar”, escreveu uma seguidora —, transformou-se num confessionário digital sobre as noites em claro e o cansaço que se infiltra no dia seguinte. O gesto de Raia, que também protagoniza uma peça sobre o tema, ilustra uma viragem: a sexualidade e as suas transições estão a ser discutidas com menos pudor e mais humor, do Brasil ao México, passando por fóruns russos e comunidades online na Indonésia.

A conversa, porém, não se esgota nos sintomas. No México, a sexóloga Claudia Rampazzo reuniu um grupo de mulheres num restaurante para desfazer mitos sobre a vida sexual depois dos 40. Durante o encontro, promovido pela iniciativa Mujeres Que Inspiran Mujeres, Rampazzo sublinhou que a menopausa não é um ponto final, mas “o começo de uma transformação”. Explicou que a orientação sexual se descobre, não se escolhe, e que o vínculo afetivo se divide em cortejo, enamoramento e amor quotidiano. A especialista lembrou ainda que suplementos com cálcio, soja e magnésio podem aliviar os bochornos e a secura vaginal, mas o cerne da sua mensagem era outro: a idade não limita o desejo, apenas o reconfigura. Na perspetiva de observadores na Cidade do México, o que está a mudar é a disponibilidade para falar de prazer sem culpa, numa região onde a sexualidade feminina madura sempre foi envolta em silêncio.

Enquanto as mulheres reivindicam o direito ao sono e ao orgasmo, os homens exploram territórios mais insólitos. Em plataformas como o Reddit, onde o tema já atrai mais de 550 mil visitas semanais, ganhou força uma tendência de biohacking: aplicar gelo nos testículos para, supostamente, aumentar a testosterona e melhorar a qualidade do sémen. A prática, difundida por figuras como o empresário Bryan Johnson, que afirma ter quatro vezes a contagem média de espermatozoides, é recebida com ceticismo pela comunidade médica. A clínica geral Azadeh Ovaici, em declarações ao Metro, reconheceu que os testículos são sensíveis à temperatura e que o calor excessivo os prejudica, mas foi taxativa: “Não há provas de que congelar os testículos melhore a saúde do esperma ou aumente a testosterona”. Ovaici alertou ainda para o risco de queimaduras se o gelo for aplicado diretamente na pele. Apesar dos avisos, relatos de utilizadores que usam bolsas de gelo três a quatro vezes por dia multiplicam-se, descrevendo ereções matinais mais vigorosas e uma libido renovada — um entusiasmo que, para muitos especialistas, pode ser explicado mais pelo efeito placebo do que pela vasoconstrição provocada pelo frio.

A busca por uma vida sexual mais satisfatória também passa por gestos mais simples e menos arriscados. Na Rússia, o ginecologista Dmitry Lubnin sugeriu um pequeno truque para tornar o sexo com preservativo mais prazeroso: colocar uma gota de lubrificante à base de água ou silicone na glande antes de desenrolar o látex. “As sensações ficam muito mais agradáveis para o homem”, escreveu no seu canal de Telegram, acrescentando que o excesso pode fazer o preservativo escorregar. Já o sexólogo Dmitry Gukhman propôs um jogo de cócegas a dois: os parceiros devem fazer cócegas um no outro, começando pelos pés e subindo pelo corpo, sem sorrir. Quem deixar escapar um sorriso perde uma peça de roupa e recebe um beijo. Gukhman garante que a excitação gerada pelas cócegas é quase idêntica à excitação sexual e que o ato sexual começa muito antes de alguém ficar completamente nu.

No meio de conselhos, tendências e confissões, uma pergunta singela ressurge: quanto tempo deve durar uma relação sexual para ser satisfatória? Um estudo com casais heterossexuais de cinco países, citado em plataformas indonésias, indica que a penetração vaginal dura, em média, 5,4 minutos antes da ejaculação masculina. Terapeutas sexuais consideram normal um intervalo entre 3 e 13 minutos, enquanto as mulheres precisam, em média, de 13 minutos para atingir o orgasmo, frequentemente com estímulos que vão além da penetração. As preliminares, por sua vez, ocupam cerca de 11 a 13 minutos. A conclusão que emerge destes números, e que ecoa em consultórios de Jacarta a Lisboa, é que a duração não é sinónimo de qualidade. O que realmente importa, insistem os especialistas, é a comunicação, a cumplicidade e a atenção ao corpo do outro — um corpo que, aos 40, 50 ou 60 anos, continua a descobrir formas inesperadas de sentir.

Divergência — quem conta como
5%Baixa
3 blocos · posições de 0.00 a +0.10
CríticoFavorável
RUSLATSEA
Divergência entre blocos de imprensa
Imprensa russa e CEI0.00neutral
Imprensa latino-americana+0.10neutral
Imprensa do Sudeste Asiático0.00neutral
Imprensa russa e CEI0.00
Voz

Médicos russos aconselham métodos práticos para melhorar a intimidade, mas alertam contra tendências não verificadas.

Mecanismoconsiglio prudente

Apresenta conselhos como vindos de autoridades médicas, equilibrando utilidade com ceticismo.

Omissão

Deixa de fora a perspectiva feminina e os tópicos de menopausa presentes em outros blocos.

CeticismoPragmatismo
Imprensa latino-americana+0.10
Voz

As mulheres latino-americanas reivindicam sua sexualidade após os 40, com a ajuda de especialistas e depoimentos de celebridades.

Mecanismonormalizzazione tramite celebrity

Usa histórias pessoais e figuras públicas para normalizar e desestigmatizar as mudanças da menopausa.

Omissão

Não menciona tendências masculinas como gelo nos testículos, focando apenas na sexualidade feminina.

IroniaPragmatismo
Imprensa do Sudeste Asiático0.00
Voz

A pesquisa científica desmente o mito da longa duração, enfatizando a comunicação e o conforto.

Mecanismoautorità scientifica

Cita estudos internacionais para dar credibilidade a um conselho que de outra forma seria simples.

Omissão

Não aborda nem as tendências masculinas nem a menopausa, limitando-se a um único aspecto quantitativo.

PragmatismoDistanciamento

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quarta-feira, 15 de julho de 2026

Gelo nos testículos, cócegas e menopausa: o novo mapa dos rituais íntimos

De fóruns de biohacking a palcos de teatro, uma série de práticas e debates revela como diferentes culturas estão a renegociar o desejo, o prazer e os limites do corpo.

Na manhã de uma terça-feira, a atriz brasileira Claudia Raia, de 59 anos, publicou um vídeo bem-humorado no Instagram. Em frente à câmara, expôs um dos sintomas mais desgastantes da menopausa: a insónia. A publicação, que rapidamente se encheu de comentários de mulheres que se identificavam com a situação — “estou rindo, mas é de chorar”, escreveu uma seguidora —, transformou-se num confessionário digital sobre as noites em claro e o cansaço que se infiltra no dia seguinte. O gesto de Raia, que também protagoniza uma peça sobre o tema, ilustra uma viragem: a sexualidade e as suas transições estão a ser discutidas com menos pudor e mais humor, do Brasil ao México, passando por fóruns russos e comunidades online na Indonésia.

A conversa, porém, não se esgota nos sintomas. No México, a sexóloga Claudia Rampazzo reuniu um grupo de mulheres num restaurante para desfazer mitos sobre a vida sexual depois dos 40. Durante o encontro, promovido pela iniciativa Mujeres Que Inspiran Mujeres, Rampazzo sublinhou que a menopausa não é um ponto final, mas “o começo de uma transformação”. Explicou que a orientação sexual se descobre, não se escolhe, e que o vínculo afetivo se divide em cortejo, enamoramento e amor quotidiano. A especialista lembrou ainda que suplementos com cálcio, soja e magnésio podem aliviar os bochornos e a secura vaginal, mas o cerne da sua mensagem era outro: a idade não limita o desejo, apenas o reconfigura. Na perspetiva de observadores na Cidade do México, o que está a mudar é a disponibilidade para falar de prazer sem culpa, numa região onde a sexualidade feminina madura sempre foi envolta em silêncio.

Enquanto as mulheres reivindicam o direito ao sono e ao orgasmo, os homens exploram territórios mais insólitos. Em plataformas como o Reddit, onde o tema já atrai mais de 550 mil visitas semanais, ganhou força uma tendência de biohacking: aplicar gelo nos testículos para, supostamente, aumentar a testosterona e melhorar a qualidade do sémen. A prática, difundida por figuras como o empresário Bryan Johnson, que afirma ter quatro vezes a contagem média de espermatozoides, é recebida com ceticismo pela comunidade médica. A clínica geral Azadeh Ovaici, em declarações ao Metro, reconheceu que os testículos são sensíveis à temperatura e que o calor excessivo os prejudica, mas foi taxativa: “Não há provas de que congelar os testículos melhore a saúde do esperma ou aumente a testosterona”. Ovaici alertou ainda para o risco de queimaduras se o gelo for aplicado diretamente na pele. Apesar dos avisos, relatos de utilizadores que usam bolsas de gelo três a quatro vezes por dia multiplicam-se, descrevendo ereções matinais mais vigorosas e uma libido renovada — um entusiasmo que, para muitos especialistas, pode ser explicado mais pelo efeito placebo do que pela vasoconstrição provocada pelo frio.

A busca por uma vida sexual mais satisfatória também passa por gestos mais simples e menos arriscados. Na Rússia, o ginecologista Dmitry Lubnin sugeriu um pequeno truque para tornar o sexo com preservativo mais prazeroso: colocar uma gota de lubrificante à base de água ou silicone na glande antes de desenrolar o látex. “As sensações ficam muito mais agradáveis para o homem”, escreveu no seu canal de Telegram, acrescentando que o excesso pode fazer o preservativo escorregar. Já o sexólogo Dmitry Gukhman propôs um jogo de cócegas a dois: os parceiros devem fazer cócegas um no outro, começando pelos pés e subindo pelo corpo, sem sorrir. Quem deixar escapar um sorriso perde uma peça de roupa e recebe um beijo. Gukhman garante que a excitação gerada pelas cócegas é quase idêntica à excitação sexual e que o ato sexual começa muito antes de alguém ficar completamente nu.

No meio de conselhos, tendências e confissões, uma pergunta singela ressurge: quanto tempo deve durar uma relação sexual para ser satisfatória? Um estudo com casais heterossexuais de cinco países, citado em plataformas indonésias, indica que a penetração vaginal dura, em média, 5,4 minutos antes da ejaculação masculina. Terapeutas sexuais consideram normal um intervalo entre 3 e 13 minutos, enquanto as mulheres precisam, em média, de 13 minutos para atingir o orgasmo, frequentemente com estímulos que vão além da penetração. As preliminares, por sua vez, ocupam cerca de 11 a 13 minutos. A conclusão que emerge destes números, e que ecoa em consultórios de Jacarta a Lisboa, é que a duração não é sinónimo de qualidade. O que realmente importa, insistem os especialistas, é a comunicação, a cumplicidade e a atenção ao corpo do outro — um corpo que, aos 40, 50 ou 60 anos, continua a descobrir formas inesperadas de sentir.

Divergência — quem conta como
5%Baixa
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CríticoFavorável
RUSLATSEA
Divergência entre blocos de imprensa
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Imprensa do Sudeste Asiático0.00neutral
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Médicos russos aconselham métodos práticos para melhorar a intimidade, mas alertam contra tendências não verificadas.

Mecanismoconsiglio prudente

Apresenta conselhos como vindos de autoridades médicas, equilibrando utilidade com ceticismo.

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Deixa de fora a perspectiva feminina e os tópicos de menopausa presentes em outros blocos.

CeticismoPragmatismo
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As mulheres latino-americanas reivindicam sua sexualidade após os 40, com a ajuda de especialistas e depoimentos de celebridades.

Mecanismonormalizzazione tramite celebrity

Usa histórias pessoais e figuras públicas para normalizar e desestigmatizar as mudanças da menopausa.

Omissão

Não menciona tendências masculinas como gelo nos testículos, focando apenas na sexualidade feminina.

IroniaPragmatismo
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A pesquisa científica desmente o mito da longa duração, enfatizando a comunicação e o conforto.

Mecanismoautorità scientifica

Cita estudos internacionais para dar credibilidade a um conselho que de outra forma seria simples.

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