
Europa enfrenta calor extremo com mais de 1.300 mortes adicionais, alerta OMS
França registra 1.000 óbitos em três dias; Alemanha atinge 41,7°C e cientistas vinculam intensidade à ação humana.
A onda de calor que atinge a Europa desde a semana passada já provocou mais de 1.300 mortes adicionais desde 21 de junho, de acordo com a Organização Mundial da Saúde. A agência de saúde pública da França, Santé Publique, contabilizou cerca de 1.000 óbitos acima do esperado apenas entre os dias 24 e 26 de junho, período em que os termômetros superaram os 40°C em vastas regiões do país. A maioria das vítimas tinha mais de 65 anos, e houve um aumento acentuado de mortes em domicílios, em especial na região de Île-de-France, que abrange Paris.
Os registros confirmados variam entre os países: a Espanha associou 212 falecimentos ao calor extremo em um intervalo de quatro dias, enquanto autoridades alemãs reportaram uma noite com mínima recorde de 29,4°C e hospitais sobrecarregados. Na Alemanha, a temperatura máxima atingiu 41,7°C, superando marcas históricas, e a Dinamarca registrou 37°C, a maior desde o início das medições em 1874. A República Tcheca alcançou 41,1°C, e a Suíça quebrou o recorde de junho pelo terceiro dia consecutivo.
Modelos estatísticos, como o citado pelo semanário britânico The Economist, apontam que o número real de mortes em excesso pode ser muito maior — até 12 mil em três dias em toda a Europa —, baseando-se na relação entre temperatura e mortalidade em 854 cidades. No entanto, as autoridades sanitárias francesas alertam que as estimativas são provisórias, elaboradas a partir de atestados de óbito eletrônicos que representam apenas 60% da mortalidade nacional, e devem aumentar com a chegada de dados de papel e de instituições de longa permanência.
Enquanto a massa de ar quente se desloca para o leste, afetando Polônia, Hungria e os Bálcãs, observadores em Lisboa notam que a Europa “aquece ao dobro da média global”, como lembrou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, e que eventos antes considerados “de uma geração” agora ocorrem quase anualmente. Cientistas do grupo World Weather Attribution afirmam que a atual onda de calor seria “virtualmente impossível” sem o aquecimento global provocado pela ação humana. Do lado econômico, análises reproduzidas pela imprensa brasileira indicam que a seguradora Allianz projeta perdas acumuladas de até 131 bilhões de dólares para a economia alemã entre 2026 e 2030, resultado da queda de produtividade e do aumento dos custos energéticos.
O impacto sobre a infraestrutura incluiu o fechamento de rodovias na Alemanha devido a rachaduras no asfalto, a suspensão temporária de reatores nucleares na Suíça e na Hungria por causa do aquecimento das águas de resfriamento, e cancelamentos de eventos ao ar livre. Na França, o Ministério da Saúde informou que os efeitos do calor podem persistir por até dez dias após a redução das temperaturas, enquanto os serviços de emergência continuam sob pressão. As investigações sobre a real extensão da mortalidade estão em andamento, e o balanço definitivo só deverá ser conhecido nas próximas semanas.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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The anomalous heatwave in Europe is framed as a structural climate phenomenon, with data on mortality and temperature records. The focus is on medium-term consequences for public health and infrastructure, without alarmist tones but with a call for adaptation.
The heatwave in Europe is presented as evidence of European institutions' inability to handle even basic crises, amplifying internal divisions. Chaos and casualties are highlighted, with a tone mixing alarm and schadenfreude at others' difficulties.
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