
FIFA planeia jogo Israel-Palestina na abertura de torneio sub-15 nos EUA
Iniciativa de Gianni Infantino visa promover a paz através do futebol, mas reacende debate sobre a politização da entidade e a inclusão da Rússia.
A FIFA prepara um gesto de forte simbolismo para a estreia do seu novo torneio de seleções sub-15, previsto para setembro nos Estados Unidos: um jogo inaugural entre as equipas juvenis de Israel e da Palestina. A ideia, revelada pelo jornal The Athletic e confirmada por vários veículos internacionais, surge após uma tentativa frustrada do presidente Gianni Infantino de promover um aperto de mãos entre dirigentes das duas federações durante o congresso da entidade em Vancouver, em abril. O torneio, que terá formato reduzido — campos mais pequenos, partidas mais curtas e equipas de sete a nove jogadores —, será o primeiro festival mundial da FIFA para esta faixa etária e está aberto a todas as 211 associações-membro, incluindo a Rússia, atualmente suspensa das competições seniores.
A iniciativa insere-se na visão de Infantino de usar o futebol como veículo de paz e união global, mas o estilo do dirigente continua a gerar controvérsia. Na perspetiva europeia, em particular a italiana, recorda-se o episódio de 2022, quando, em pleno Mundial do Qatar, Infantino declarou sentir-se “qatariano, árabe, africano, gay, deficiente, trabalhador migrante” — uma intervenção que muitos consideraram desastrosa. Agora, a imprensa transalpina critica a forma como o presidente da FIFA repreendeu publicamente a seleção italiana, classificando a atitude como deselegante, e vê no anúncio do jogo Israel-Palestina mais um exemplo de uma liderança que privilegia o gesto midiático sobre a substância.
A inclusão da Rússia no torneio é observada com particular atenção em Brasília. Embora o país esteja banido de competições oficiais da FIFA no escalão principal devido à guerra na Ucrânia, o convite para um torneio de base nos Estados Unidos é interpretado como um possível ensaio para uma reintegração progressiva, ainda que sob o pretexto do desporto juvenil e da universalidade. Já em Lisboa, analistas sublinham que a iniciativa de juntar Israel e Palestina num relvado sub-15, por mais bem-intencionada que seja, dificilmente conseguirá despolitizar um confronto carregado de tensões históricas e humanitárias. Nos países lusófonos africanos, como Angola e Moçambique, onde o futebol já serviu de trégua simbólica em conflitos civis, a proposta é recebida com um ceticismo moderado: reconhece-se o potencial do desporto como linguagem comum, mas duvida-se que um jogo de jovens possa influenciar uma realidade geopolítica muito mais complexa.
O sucesso da iniciativa dependerá, em primeiro lugar, da anuência das federações envolvidas. A recusa do dirigente palestiniano em partilhar uma fotografia com o seu homólogo israelita em Vancouver sugere que a desconfiança permanece elevada. Além disso, a escolha dos Estados Unidos como sede — país que mantém relações delicadas com várias federações, incluindo a russa e algumas do mundo árabe — acrescenta uma camada diplomática sensível. Para observadores internacionais, a FIFA parece apostar numa narrativa de reconciliação que, se falhar, poderá expor ainda mais as divisões internas da organização. O torneio sub-15, concebido como um laboratório de novos formatos, corre o risco de se transformar num palco de protestos políticos, testando os limites da despolitização que o próprio Infantino tantas vezes invoca.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A ideia da FIFA de abrir o torneio sub-15 com Israel x Palestina surge após o aperto de mão fracassado no congresso. Vozes europeias acham deselegante Infantino criticar publicamente uma federação filiada, mesmo que merecida, e lembram com ironia que sua Copa de 48 seleções já fala por si.
A FIFA pretende convidar todas as 211 federações, incluindo a Rússia, para um novo torneio sub-15 nos EUA. A abertura com Israel x Palestina é vista como um gesto simbólico, e a participação russa assinala o retorno às competições internacionais de base apesar da suspensão no nível sênior.
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