
Israel rejeita acordo EUA-Irão e mantém ocupação indefinida no Líbano
Telavive declara que não está vinculada ao memorando e manterá presença militar no Líbano, Síria e Gaza, ameaçando retaliar qualquer ataque iraniano.
O ministro da Defesa israelita, Israel Katz, anunciou esta segunda-feira que as forças armadas do país não se retirarão das zonas que ocupam no sul do Líbano, na Síria e na Faixa de Gaza, desafiando abertamente o acordo de cessar-fogo provisório alcançado entre os Estados Unidos e o Irão. A posição, já comunicada pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu ao presidente Donald Trump no domingo, constitui a primeira reação oficial israelita ao memorando mediado pelo Paquistão, que prevê o fim imediato e definitivo das hostilidades em todas as frentes, incluindo o Líbano. Katz afirmou que as tropas permanecerão “indefinidamente” nas designadas zonas de segurança e que as áreas conquistadas serão “limpas” de população local e de infraestrutura classificada como terrorista.
O acordo interino, cuja assinatura está prevista para 19 de junho em Genebra, representa o esforço diplomático mais ambicioso para conter uma guerra que já dura mais de dois anos. Teerão condicionou o entendimento à interrupção dos ataques israelitas contra o Hezbollah no Líbano, mas Telavive insiste que a cláusula libanesa não a vincula. O ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, reforçou a mensagem ao declarar que “o acordo de Trump não nos obriga” e que Israel “não é uma república das bananas” subordinada a Washington. Netanyahu, segundo fontes citadas pela imprensa israelita, garantiu a Trump que o exército continuará a destruir a infraestrutura do Hezbollah e a responder a qualquer ataque, com o respaldo total do seu gabinete.
Na perspetiva de Brasília, a recusa israelita é observada com apreensão. O Brasil, que historicamente defende soluções multilaterais e a via diplomática em conflitos do Médio Oriente, vê o risco de colapso de um acordo que poderia aliviar a crise humanitária na região. Observadores em Lisboa notam que a tensão expõe fissuras na relação transatlântica: enquanto Washington procura desescalar, um aliado estratégico como Israel resiste a compromissos que limitem a sua liberdade de ação militar. Para as diplomacias da África lusófona, com laços comerciais tanto com o Irão como com Israel, o impasse cria um dilema delicado, sobretudo perante as implicações humanitárias da anunciada “limpeza” de territórios.
A insistência israelita em manter a ocupação e a ameaça de retaliação com “grande força” contra o Irão, caso seja atacada, colocam o acordo provisório em risco antes mesmo da sua formalização. Se Teerão mantiver a exigência de silenciar as armas no Líbano, o memorando poderá desmoronar-se, reacendendo um conflito em grande escala. Os próximos dias, até ao encontro de Genebra, serão marcados por intensa pressão diplomática sobre Netanyahu, cuja margem de manobra interna é limitada pelo apoio da coligação mais à direita da história do país. O episódio sublinha, para analistas internacionais, os limites da influência norte-americana sobre a política de segurança israelita, mesmo sob uma administração amigável, e antecipa um verão de elevada volatilidade no Médio Oriente.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Israel rejeita o acordo de cessar-fogo entre EUA e Irã e anuncia que manterá indefinidamente a ocupação militar de partes do Líbano, da Síria e de Gaza. Autoridades israelenses declaram não estar vinculadas ao acordo e falam em 'limpar' as áreas ocupadas de moradores e infraestrutura terrorista. A decisão é vista como um golpe nos esforços de paz regionais e uma demonstração de unilateralismo.
Israel reage com fúria ao acordo EUA-Irã, declarando que não retirará tropas do Líbano e que não está subordinado a Washington. O acordo cria dificuldades políticas para o primeiro-ministro Netanyahu, enquanto ministros insistem no direito soberano de Israel de permanecer. O tom é de desafio e irritação com as restrições externas.
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