
Fezes humanas, cães envenenados e abandono: crimes insólitos marcam a semana em três continentes
Casos na Nigéria, Brasil e Austrália revelam condutas que vão do armazenamento de dejetos à morte de animais, suscitando debates sobre saúde pública e bem-estar animal.
Um tribunal na cidade de Kano, no norte da Nigéria, condenou Mohammed Saidu a duas semanas de prisão e a uma multa de 100 mil nairas (cerca de 55 libras) por armazenar sacos de fezes humanas junto à sua residência. Os vizinhos queixaram-se do odor insuportável às autoridades ambientais, e a magistrada Halima Wali classificou a conduta como altamente negligente e uma ameaça à saúde pública. Saidu, que trabalha esvaziando fossas séticas, alegadamente vendia os dejetos a agricultores para uso como fertilizante — uma prática comum na região, mas raramente admitida em público. O episódio expõe a tensão entre costumes agrícolas ancestrais e as exigências de saneamento urbano numa das maiores metrópoles do Sahel.
No Brasil, duas ocorrências distintas reforçaram a sensação de insegurança e a preocupação com o bem-estar animal. Em Curitiba, um casal foi preso pela Polícia Civil sob suspeita de roubar um motorista de aplicativo durante uma corrida no bairro Boqueirão; o homem simulou estar armado, obrigou a vítima a abandonar o veículo e fugiu com pertences pessoais. O automóvel foi localizado horas depois pela Polícia Militar, dando início a uma investigação que reuniu indícios suficientes para a detenção. Em Campo Largo, na região metropolitana, dois homens foram detidos pela Guarda Municipal após câmeras do sistema Muralha Digital flagrarem o abandono de cães na caçamba de um carro. A rápida identificação da placa permitiu a abordagem dos suspeitos, que responderão por maus-tratos, crime cuja pena foi agravada pela legislação brasileira em 2020, mas que ainda enfrenta aplicação desigual.
Na Austrália, a morte súbita de três cães de estimação após um passeio numa área relvada junto ao Echuca Harness Racing Club, no estado de Victoria, levantou suspeitas de envenenamento deliberado. Os animais pertenciam a Yvette Height e ao seu irmão, que há mais de duas décadas frequentavam o local. A entidade gestora do hipódromo negou ter aplicado qualquer substância tóxica e admitiu temer um ato malicioso, enquanto a RSPCA abriu uma investigação. Em Mount Gambier, na Austrália Meridional, um casal foi sentenciado a um período de bom comportamento após ser considerado culpado de negligenciar mais de cem animais — entre aves, gatos e um cão — mantidos em meio a fezes acumuladas e sem acesso a água fresca. A RSPCA sublinhou que a capacidade dos tutores para cuidar dos animais deve ser avaliada independentemente das circunstâncias pessoais.
Na perspetiva de Brasília, os episódios brasileiros ilustram a intersecção entre criminalidade urbana e crueldade animal, pressionando o poder público a integrar políticas de segurança e de proteção aos animais. Observadores em Lisboa notam que, apesar de Portugal ter reforçado o enquadramento penal dos maus-tratos, o abandono de cães e gatos continua a ser uma chaga sazonal, agravada pela falta de recursos dos canis municipais — um paralelo com os desafios enfrentados no Paraná. Já na África lusófona, o uso de resíduos humanos como fertilizante persiste em zonas rurais de Angola e Moçambique, muitas vezes sem controlo sanitário; o caso nigeriano serve de alerta para os riscos de contaminação quando a prática migra para contextos urbanos densamente povoados.
Os três continentes oferecem, assim, um mosaico de condutas que desafiam a convivência civilizada. Seja pelo armazenamento insalubre de dejetos, pela violência contra pessoas e animais ou pela negligência sistemática de criaturas dependentes, a resposta dos sistemas legais varia entre a prisão efetiva, as sanções pecuniárias e as penas suspensas. A eficácia dessas medidas dependerá menos da severidade abstrata das leis e mais da capacidade de fiscalização, da educação comunitária e de uma mudança cultural que recuse tanto a crueldade quanto a indiferença como comportamentos toleráveis.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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No norte da Nigéria, um homem foi condenado a duas semanas de prisão e multa depois que vizinhos reclamaram do mau cheiro de dezenas de sacos de fezes humanas armazenados do lado de fora de sua casa. O tribunal considerou o ato uma grave ameaça à saúde pública e uma falta de consideração extrema. O homem, que esvaziava fossas sépticas, supostamente pretendia vender os dejetos a agricultores.
No Brasil, dois homens foram presos por maus-tratos a animais após serem flagrados por câmeras abandonando cães em uma via pública. As autoridades usaram a rede de vigilância digital da cidade para identificar e deter os suspeitos. O caso destaca o papel da tecnologia no combate à crueldade contra os animais.
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