
Festa do Dia dos Pais com 'meninas descoladas' gera polêmica no México
Convite de prefeito mexicano para evento com edecãs e veto a crianças contrasta com celebrações familiares em outras cidades e países.
A celebração do Dia dos Pais no município mexicano de El Naranjo, em San Luis Potosí, transformou-se num escândalo político depois de o presidente da câmara, Rafael Olvera Torres, do partido Morena, ter convidado os pais para uma festa com “chicas buena onda” — uma expressão que, no contexto, remete para a presença de edecãs ou animadoras para adultos. Num vídeo gravado no próprio gabinete, o autarca prometeu um espetáculo de comédia, comida, bebida, um touro mecânico e pediu expressamente que não fossem levadas crianças, sugerindo ainda que os participantes levassem as suas próprias geleiras com bebidas. A publicação gerou uma vaga de críticas nas redes sociais, com utilizadores a questionarem o uso de recursos públicos para um evento que promove a objetificação das mulheres e o consumo de álcool, enquanto as estruturas nacionais do Morena ainda não se pronunciaram.
Em contraste marcado, outras autarquias mexicanas optaram por programas familiares e gratuitos. Na Cidade do México, a alcaldía de Tlalpan organizou o Festival Taquero “El Fin Más Padre”, com três noites de concertos ao ar livre, uma exibição de lucha libre e uma agenda integrada na temporada do Mundial de Futebol de 2026. A vizinha Cuajimalpa também ofereceu uma função de luta livre com cinco combates, pensada para todas as idades. Estes eventos, ancorados em praças públicas e com transmissões dos jogos do Mundial, sublinham uma abordagem comunitária e inclusiva, distante da polémica potosina.
Fora do México, o fim de semana do Dia dos Pais revela uma diversidade de propostas. Em Kuala Lumpur, a oferta incluiu exposições imersivas gratuitas, sessões de retratos familiares, um workshop de construção de figuras e um dia de skateboarding comunitário, num ambiente que privilegia a criatividade e a convivência intergeracional. No Dubai, o tom foi assumidamente comercial e de luxo: jantares com cortes de carne de 500 gramas, torneios de golfe em simuladores, estadias em hotéis de montanha com tiro ao arco e spas, e promoções em que os pais não pagam. Esta geografia de celebrações mostra como a data, sem feriado oficial na maioria dos países, se adapta a contextos culturais e económicos distintos.
Observadores em Brasília notam que, no Brasil, o Dia dos Pais é celebrado em agosto e raramente motiva eventos públicos desta escala, mas a polémica mexicana ecoa debates locais sobre o uso de verbas municipais em festas com conotação adulta. Em Lisboa, onde o Dia do Pai se assinala a 19 de março, dia de São José, a tradição é familiar e religiosa, sem paralelo com espetáculos de animação noturna. Nos países africanos de língua portuguesa, a efeméride segue o calendário português e mantém um perfil doméstico, o que torna o caso de El Naranjo um exemplo extremo de como a data pode ser instrumentalizada politicamente.
O episódio deverá ter consequências. A difusão do vídeo muito além da Huasteca Potosina coloca o presidente da câmara sob escrutínio público e pode levar a investigações sobre a utilização de fundos municipais. Ao mesmo tempo, a coexistência de eventos tão díspares — do ringue de luta livre em Tlalpan ao torneio de golfe no Dubai — mostra que o Dia dos Pais se consolida como uma ocasião global de consumo e lazer, mas também como um palco onde se testam os limites entre o público e o privado, o familiar e o adulto, a austeridade e o populismo.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Um prefeito mexicano convidou pais para uma festa com 'garotas legais' e proibiu crianças, gerando indignação pública. O caso expõe o choque entre comemorações familiares tradicionais e entretenimento adulto, enquanto outras prefeituras oferecem shows gratuitos de lucha libre e concertos para todas as idades.
Para o Dia dos Pais, Kuala Lumpur oferece exposições gratuitas, shows de comédia, oficinas e um dia de skate, todos voltados para tempo de qualidade em família. O foco está em experiências compartilhadas e memórias, não em presentes materiais.
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