
EUA e Irão acordam roteiro de 60 dias para acordo final após primeira ronda na Suíça
Catar e Paquistão anunciam criação de comité de alto nível, linha de comunicação para o Estreito de Ormuz e célula de desconflito no Líbano; negociações técnicas prosseguem na Suíça.
A primeira ronda de conversações de alto nível entre os Estados Unidos e o Irão, realizada na estância suíça de Bürgenstock, terminou na segunda-feira com os mediadores Catar e Paquistão a classificarem o progresso como “encorajador” e a anunciarem um roteiro para um acordo definitivo no prazo de 60 dias. As delegações, lideradas pelo vice-presidente norte-americano JD Vance e pelo presidente do parlamento iraniano Mohammad Bagher Ghalibaf, acordaram criar um Comité de Alto Nível que supervisionará grupos de trabalho sobre o programa nuclear, sanções, monitorização do memorando de entendimento e resolução de diferendos. Foi ainda estabelecida uma linha de comunicação direta para evitar incidentes e mal-entendidos no Estreito de Ormuz, bem como uma “célula de desconflito” que envolve o Líbano e os mediadores, com o objetivo de garantir o fim das operações militares naquele país. As discussões técnicas prosseguirão durante o resto da semana no mesmo local.
Do lado iraniano, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araghchi, afirmou nas redes sociais que Teerão obteve isenções para as exportações de petróleo e produtos petroquímicos, o descongelamento de parte dos ativos retidos no exterior e o lançamento de um plano de reconstrução e desenvolvimento. Fontes diplomáticas norte-americanas, citadas pela Reuters, indicaram que as conversas abordaram “o Estreito, o Líbano, questões nucleares e detalhes da implementação do memorando”. A sessão inaugural foi marcada por tensões: o presidente Donald Trump ameaçou retomar ataques contra o Irão se este não contivesse os seus “proxies” no Líbano, e a agência semioficial iraniana Tasnim noticiou que a delegação de Teerão se recusou temporariamente a regressar à sala de negociações, exigindo primeiro o cumprimento de outras cláusulas do memorando, como a libertação de ativos. Apesar disso, um diplomata norte-americano garantiu que “os iranianos nunca saíram” e que as reuniões se prolongaram pela noite.
O entendimento surge na sequência de um memorando assinado na semana anterior, que prorrogou por pelo menos 60 dias um cessar-fogo frágil em vigor desde abril, após um conflito de 40 dias que incluiu ataques dos EUA e de Israel contra o Irão. O encerramento intermitente do Estreito de Ormuz por Teerão — justificado pelo incumprimento do fim dos combates no Líbano — perturbou o abastecimento energético mundial. Após o anúncio do roteiro, os preços do petróleo Brent recuaram mais de um dólar, para cerca de 79,44 dólares por barril, aliviando pressões sobre economias importadoras, como Portugal e outros países lusófonos. Em Brasília, analistas do setor energético observam que a perspetiva de normalização do trânsito no estreito reduz o risco de choques de preços que afetariam os custos de importação e a inflação.
O Comité de Alto Nível coordenará os trabalhos técnicos que decorrem esta semana, enquanto os mediadores se comprometeram a “manter uma atmosfera construtiva”. A Casa Branca não comentou oficialmente o desfecho da ronda. O próximo passo concreto é a continuação das negociações técnicas, com a expectativa de que os grupos de trabalho avancem sobre os dossiês nuclear e de sanções nos próximos dias. O prazo de 60 dias para um acordo final começou a contar, colocando pressão sobre ambas as partes para transformar o roteiro em compromissos vinculativos.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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As conversações entre EUA e Irã na Suíça começaram sob alta tensão: Trump ameaçou novos ataques militares enquanto Teerã fechou o Estreito de Ormuz. Embora os mediadores tenham anunciado um roteiro de 60 dias, as negociações foram ofuscadas pelas ameaças mútuas e pelo fechamento. O foco permanece no risco de escalada, e não no progresso diplomático.
A primeira rodada de conversações de alto nível entre Irã e EUA terminou com progressos encorajadores e um ambiente positivo. Apesar das ameaças de Trump de destruir o Irã, os mediadores relataram bons resultados, incluindo uma linha de comunicação para evitar incidentes em Ormuz e uma unidade de gestão de conflitos para o Líbano. As negociações técnicas continuam, com um roteiro de 60 dias rumo a um acordo final.
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