
EUA e Irão alargam ataques a pontes e centrais elétricas no sétimo dia de ofensiva
Confronto no Estreito de Ormuz paralisa navegação e eleva preço do petróleo, enquanto Washington e Teerão trocam acusações sobre alvos civis.
Os Estados Unidos lançaram na sexta-feira a sétima noite consecutiva de ataques aéreos contra o Irão, atingindo pontes, infraestruturas energéticas e uma torre de vigilância no porto de Chabahar, no Golfo de Omã. Em retaliação, Teerão disparou mísseis e drones contra bases militares norte-americanas no Kuwait, Jordânia, Bahrein e Qatar, danificando uma central de dessalinização e produção de eletricidade kuwaitiana. O Estreito de Ormuz, por onde transita cerca de um quinto do petróleo mundial, permanece praticamente fechado, com o Irão a alegar que dois petroleiros explodiram ao atingir minas na via navegável — afirmação desmentida pelo Comando Central dos EUA (Centcom).
Segundo o Centcom, as operações visam “degradar as capacidades militares iranianas” e atingiram exclusivamente alvos militares e de logística militar. Já a televisão estatal iraniana acusa Washington de bombardear um aeroporto, uma estação ferroviária e várias pontes, causando pelo menos 46 mortos e mais de 400 feridos desde o início da atual fase de hostilidades. Um conselheiro do líder supremo do Irão, Mohsen Rezaei, advertiu que, se os ataques americanos persistirem por mais dois ou três dias, Teerão lançará “operações ofensivas em larga escala”, sem respeitar “fronteiras políticas”. Na perspetiva de analistas em Paris, citados pela AFP, ambas as partes veem qualquer compromisso como uma capitulação, o que alimenta a escalada apesar de nenhum dos lados ter interesse estratégico em mantê-la.
O bloqueio de facto do Estreito de Ormuz reduziu o tráfego marítimo para mínimos de três semanas e empurrou o barril de Brent para acima dos 86 dólares, aproximando-se dos valores mais altos num mês. Para o Brasil, importante exportador de petróleo, a subida de preços pode gerar receitas adicionais de curto prazo, mas observadores em Brasília alertam para o risco de uma crise energética global prolongada. Em Lisboa, o Governo português acompanha com preocupação o impacto nos custos da energia, enquanto os países africanos lusófonos produtores, como Angola, poderão beneficiar temporariamente da alta, mas enfrentam incerteza sobre a procura mundial. A torre de vigilância destruída em Chabahar, porto desenvolvido com apoio indiano e crucial para o comércio com o Afeganistão, ilustra o alargamento dos alvos a infraestruturas económicas.
O conflito recrudesceu a 28 de fevereiro, quando os EUA e Israel lançaram ataques contra o Irão, levando Teerão a fechar o estreito e a retaliar contra interesses americanos e israelitas em toda a região. Um cessar-fogo temporário colapsou na semana passada, e desde então as trocas de fogo noturnas intensificaram-se. O Presidente Donald Trump, que enfrenta eleições legislativas em novembro, afirmou que os EUA estão “a ganhar em grande no Irão”, mas a pressão interna para evitar uma guerra prolongada aumenta. O secretário-geral da ONU manifestou “profunda preocupação” com os ataques a infraestruturas civis.
Até ao momento, não há sinais de retoma das negociações. O Irão condiciona o fim das hostilidades à cessação dos ataques americanos contra as suas instalações costeiras, enquanto Washington insiste na degradação das capacidades militares iranianas. A próxima madrugada deverá trazer nova ronda de bombardeamentos, mantendo o Médio Oriente à beira de um conflito regional alargado.
| Imprensa atlântica / anglosfera | 0.00 | neutral |
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| Imprensa do Golfo árabe | −0.10 | neutral |
| Imprensa indiana e sul-asiática | 0.00 | neutral |
Os Estados Unidos e o Irã trocam golpes em uma escalada simétrica, com Washington justificando os ataques como necessários para a segurança do estreito.
Ao apresentar as ações de ambos os lados como reações em cadeia, o relato normaliza a escalada como inevitável, sem questionar as premissas.
O contexto do fim do cessar-fogo temporário não é mencionado, omitindo a justificativa diplomática para a retomada dos ataques.
Os estados do Golfo observam com apreensão a escalada entre os EUA e o Irã, temendo ser arrastados para um conflito mais amplo.
Ao enfatizar as consequências regionais e as reações iranianas, o relato desloca o foco das justificativas dos EUA para a desestabilização da área.
A justificativa dos EUA de 'degradar as capacidades militares iranianas' não é relatada, omitindo a lógica operacional dos ataques.
Os Estados Unidos realizam ataques direcionados para degradar as capacidades iranianas, enquanto o bloqueio naval é reforçado.
Ao apresentar as operações como uma campanha planejada e controlada, o relato minimiza a natureza escalatória e as consequências humanitárias.
As explosões de petroleiros no Estreito de Ormuz e as acusações iranianas não são mencionadas, omitindo um elemento-chave da narrativa iraniana.
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