
EUA desativam petroleiro com mísseis Hellfire ao reativar bloqueio naval contra o Irã
A embarcação com bandeira de Curaçao ignorou avisos e seguia para o terminal de Kharg; a ação marca o primeiro navio comercial alvejado desde a retomada das restrições marítimas por Washington.
O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) anunciou que forças americanas dispararam mísseis Hellfire contra a chaminé do petroleiro M/T Belma, de bandeira de Curaçao, na quarta-feira, após a embarcação ter ignorado repetidos avisos e tentado furar o bloqueio naval reimposto a portos iranianos. O navio, que viajava sem carga em águas internacionais com destino à Ilha de Kharg — principal terminal de exportação de petróleo do Irã no Golfo Pérsico —, foi desativado sem ser afundado, interrompendo a travessia. Nas primeiras 24 horas de aplicação renovada do bloqueio, o Centcom informou ter redirecionado outros dois navios comerciais que acataram as instruções.
Segundo Washington, a operação insere-se na retoma da campanha de pressão sobre Teerã, depois de o presidente Donald Trump ter declarado o fim do cessar-fogo e do memorando de entendimento que suspendera as hostilidades em junho. O Centcom sustenta que o bloqueio visa impedir o trânsito de embarcações de e para o Irã, com o objetivo de restringir a capacidade iraniana de sustentar operações militares e exportar petróleo. Na perspetiva de Teerã, a medida representa uma violação do acordo anterior; fontes iranianas acusam Washington de ter “feito em pedaços” o memorando e denunciam que os ataques das últimas semanas já causaram dezenas de mortos civis, incluindo danos a infraestruturas urbanas.
A ação contra o Belma ocorre num momento de escalada acentuada no Estreito de Ormuz, por onde transita cerca de um quinto do comércio global de petróleo e gás natural. Observadores em Brasília avaliam que a interrupção do fluxo na via marítima pode gerar volatilidade nos preços internacionais de energia, com impacto direto sobre os custos de importação para o Brasil e para os países africanos de língua portuguesa dependentes de combustíveis. Em Lisboa, analistas sublinham que a instabilidade no Golfo tende a pressionar as cotações do Brent, afetando a recuperação económica europeia e, por arrastamento, as economias lusófonas com forte peso das importações energéticas.
O bloqueio atual reativa uma operação que vigorou entre abril e meados de junho, período em que o Centcom afirma ter redirecionado 142 navios e desativado nove embarcações não conformes. A nova fase foi precedida por vagas de ataques aéreos americanos contra alvos militares iranianos, justificados por Washington como retaliação à interferência de Teerã na navegação comercial no Estreito de Ormuz. O Irã respondeu com ataques a bases dos EUA no Kuwait, Bahrein e Jordânia. O dossiê permanece sem perspetiva de distensão: as conversações sobre o programa nuclear iraniano e a segurança regional, previstas no memorando de entendimento, estão paralisadas, e o Centcom afirma que as forças americanas continuam “vigilantes e preparadas para garantir o cumprimento integral” das restrições marítimas.
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A ação dos EUA é um movimento unilateral que levanta dúvidas sobre a legalidade do bloqueio naval.
Ao usar o verbo 'dakwa' (afirma) e frases interrogativas, a reportagem insinua que a justificativa dos EUA pode ser frágil.
Omite o fato de que outros dois navios foram rechaçados, o que mostraria um padrão de aplicação mais amplo.
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