
Escassez de memória força Apple a subir preços e reconfigura cadeia de chips
Com mercado global de smartphones em queda, Apple e Huawei crescem, enquanto custos de RAM e HBM disparam, levando a parceria Apple-Intel nos EUA.
O custo dos chips de memória, impulsionado pela procura da inteligência artificial e por disrupções no fornecimento de hélio, está a provocar uma vaga de aumentos de preços em dispositivos eletrónicos. Tim Cook, presidente-executivo da Apple, afirmou ao Wall Street Journal que subidas são “inevitáveis” e que a situação se tornou “insustentável”. A Sony já encareceu a PlayStation 5 e a Nintendo anunciou um ajuste na Switch 2. A consultora Omdia estima que o preço médio global dos smartphones suba cerca de 20% em 2026, atingindo um máximo histórico. Para consumidores no Brasil e em Portugal, os próximos lançamentos da Apple poderão custar até 150 dólares adicionais, refletindo a pressão sobre componentes como a RAM, cujo valor mais do que duplicou desde outubro de 2025.
Apesar deste cenário de retração — o mercado global de smartphones caiu 8% numa semana de maio e acumula nove semanas consecutivas de declínio —, as vendas do iPhone cresceram 10% em termos homólogos, e as da Huawei dispararam 23%, segundo a Counterpoint Research. Samsung, Oppo, Xiaomi e Vivo registaram quedas. A resiliência da Apple e da Huawei é atribuída, na perspetiva de analistas asiáticos, a cadeias de abastecimento mais estáveis e a uma maior capacidade de fixação de preços, enquanto as restantes marcas enfrentam dificuldades com a escassez global de memória e com a necessidade de cortar funcionalidades ou reduzir promoções.
Em Washington, o presidente Donald Trump afirmou que a Apple fechou um acordo com a Intel para conceber e fabricar chips nos Estados Unidos. A administração norte-americana detém 10% da Intel desde agosto de 2025, no âmbito do CHIPS Act, e a Intel já realiza testes com o processo 18A-P para a Apple, com eventual produção em massa a partir de 2027 em fábricas no Oregon, Arizona e Ohio. A TSMC, de Taiwan, deverá continuar a ser o fornecedor principal, mas a aproximação à Intel é lida em Brasília e em Lisboa como um movimento para mitigar riscos geopolíticos na cadeia de semicondutores. Até ao momento, nem a Apple nem a Intel confirmaram oficialmente o acordo.
O ciclo de alta das memórias é ilustrado pela valorização da Micron Technology, cujas ações subiram 87,76% em maio e cuja capitalização bolsista ultrapassou um bilião de dólares. A empresa já fornece HBM4 para a plataforma Vera Rubin da Nvidia e prepara a HBM4E com apoio da TSMC. A forte procura por HBM para servidores de IA está a absorver capacidade de produção de DRAM e NAND, gerando um ciclo de antecipação de encomendas e subida de preços que beneficia toda a fileira de memórias. Os resultados do terceiro trimestre fiscal da Micron, a 24 de junho, com uma previsão de crescimento de 932% no lucro por ação, são o próximo marco factual para avaliar a duração deste ciclo e o seu impacto nas cadeias de abastecimento globais.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A Apple concordou em fazer parceria com a Intel para projetar e fabricar chips nos Estados Unidos, um movimento estratégico para trazer a produção de semicondutores de volta ao país. A mudança responde à escassez de chips de memória que está elevando os preços dos smartphones e reduz a dependência de fornecedores estrangeiros. O anúncio do presidente Trump marca uma vitória para a segurança econômica nacional.
A alegação de Trump sobre uma parceria Apple-Intel não está confirmada e parece ter como objetivo pressionar a indústria de chips de Taiwan, acusada de roubar fábricas dos EUA. O boom de memória impulsionado pela IA está elevando os preços e remodelando o mercado de smartphones, mas a disparada das ações da Intel reflete especulação, não um acordo fechado. A TSMC continua sendo a líder incontestável.
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