
Enquanto os filhos viam o Mundial, quatro ladrões entravam na casa de Wanda Nara
A divulgação das imagens do assalto em Milão reacendeu a batalha judicial e mediática entre a empresária argentina e o futebolista Mauro Icardi, num caso que ecoa de Buenos Aires a Jacarta.
Eram 22h34 em Itália quando as câmaras de segurança da moradia de Wanda Nara, nos arredores de Milão, captaram uma silhueta a deslocar-se pelo interior da casa. As duas filhas mais novas da empresária argentina, Francesca e Isabella, viam a final do Campeonato do Mundo entre a Argentina e a Espanha, sem se aperceberem de que quatro pessoas tinham entrado na propriedade. A própria Wanda partilhou o vídeo nas redes sociais, sobrepondo-lhe a legenda: “Os meus filhos viam o jogo sem se dar conta de que havia quatro pessoas em casa”. A gravação, divulgada a 27 de julho de 2026, transformou um episódio de insegurança num capítulo adicional da longa guerra de divórcio com o ex-futebolista Mauro Icardi.
O assalto ocorrera dias antes, enquanto Wanda se encontrava nos Estados Unidos para a final do Mundial. Na residência estavam a mãe, Nora Colosimo, e os cinco filhos. Os ladrões levaram documentos, incluindo os passaportes das meninas, o que as impediu de regressar à Argentina para o início do ano letivo, a 3 de agosto. A situação agravou-se quando Icardi, segundo a versão de Wanda e do seu companheiro Martín Migueles, se recusou a assinar as autorizações necessárias para a emissão de novos passaportes. Migueles descreveu, em áudios divulgados na imprensa argentina, que as crianças “choram e choram” e que Wanda “está a ficar sem o medicamento para a sua doença”, referindo-se ao tratamento de leucemia que a empresária realiza mensalmente em Buenos Aires.
O conflito familiar desenrola-se em dois tabuleiros: o judicial e o digital. A 27 de julho, o Tribunal de Recurso de Milão declarou inadmissível o pedido de Wanda Nara de uma pensão compensatória, confirmando a decisão de primeira instância que rejeitara os montantes solicitados — 250 mil euros mensais para si, 65 mil para cada filha e 100 mil pelo divórcio. Icardi celebrou a decisão com uma imagem gerada por inteligência artificial: sentado num trono, com peças de xadrez caídas, e a frase “O rei não discute com peões”. A advogada de Wanda, Ana Rosenfeld, respondera dias antes com outra fotografia de fichas de xadrez e a pergunta: “Queres jogar ou derrubar o tabuleiro?”. A metáfora lúdica contrasta com a dureza das acusações: Wanda atribuiu a Icardi a frase de que as filhas “não pertencem nem devem viver num país de negros villeros”, uma expressão que, na gíria argentina, carrega um forte estigma de classe.
Na perspetiva de Buenos Aires, o caso é acompanhado como uma novela em tempo real, com ampla cobertura nos canais de televisão e portais de notícias. A figura de Wanda Nara — empresária, apresentadora e ex-representante de Icardi — polariza a opinião pública, enquanto o futebolista, atualmente sem clube, procura manter relevância mediática. A situação ecoa, com contornos distintos, noutras geografias: em Jacarta, o apresentador Ruben Onsu e a ex-mulher Sarwendah travam uma disputa semelhante sobre transparência financeira, com acusações de que os extratos do cartão de crédito usados para as despesas dos filhos nunca eram detalhados. Em Roma, Francesco Totti e Ilary Blasi renegociam nos tribunais o valor da pensão de alimentos, num processo que também envolveu testemunhas e alegações de infidelidade. Estes episódios sugerem um padrão contemporâneo: a vida privada das celebridades, mediada pelas redes sociais, transforma os conflitos familiares em espetáculo público, onde cada publicação é um movimento estratégico.
No centro do tabuleiro estão as crianças. As imagens do circuito interno mostram-nas alheias ao perigo imediato, mas a sua rotina foi suspensa. Sem passaportes, sem autorização paterna e com o início das aulas a aproximar-se, Francesca e Isabella permanecem em Itália, enquanto os irmãos mais velhos, já com a documentação regularizada, se recusam a viajar sem elas. A metáfora do xadrez, repetida por ambos os lados, ganha um significado amargo: as peças que caem são, muitas vezes, as mais frágeis.
| Imprensa latino-americana | −0.40 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa árabe Levante-Magrebe | 0.00 | neutral |
Wanda Nara denounces the robbery and the lack of protection for her daughters, while Mauro Icardi responds with defiant messages and legal victories. The media war escalates with mutual accusations and million-dollar figures.
A polarized narrative is built through the publication of videos and social media posts, turning a legal dispute into a public spectacle where every move is amplified.
The judge's assessment of Wanda Nara's strong financial standing, which led to the rejection of her temporary alimony request, is not highlighted.
The Milan court rejects Wanda Nara's financial requests, recognizing her financial independence and upholding Mauro Icardi's position.
A legal register is adopted and the judge's reasoning is cited to legitimize the decision, presenting it as an objective fact rather than a personal dispute.
The robbery incident at the Milan home and the emotional reactions of the daughters are not mentioned, elements central to the Latin American coverage.
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