
Empate dramático entre Áustria e Argélia classifica ambos e elimina Irã
Resultado de 3-3 no Grupo 10 garante vaga aos dois times nas oitavas do Mundial e reacende memórias do 'Pacto de Não Agressão' de 1982; técnico austríaco nega combinação.
O Estádio Arrowhead, em Kansas City, foi palco de um desfecho de grupo digno de Alfred Hitchcock, como o próprio técnico austríaco sugeriu. A Áustria e a Argélia empataram em 3 a 3 num jogo frenético, com três gols no tempo de acréscimo. O resultado classificou ambas as seleções para as oitavas de final do Mundial de 2026 — os austríacos como segundos do Grupo 10, os argelinos entre os melhores terceiros — e decretou a eliminação do Irã, que dependia de um vencedor no confronto. O atacante Riyad Mahrez colocou a Argélia em vantagem aos 93 minutos, mas o suplente Sasa Kalajdžić empatou praticamente no último lance, aos 96, num desfecho que fundiu euforia e incredulidade.
A partida já começara sob a sombra do chamado “Escândalo de Gijón”, quando, no Mundial de 1982, a Alemanha Ocidental e a Áustria combinaram um resultado que eliminou a Argélia. Desta vez, bastava um empate para que ambos seguissem em frente — cenário que, para analistas em Teerão, representou um “equilíbrio de Nash” racional: nenhuma equipa arriscaria a vitória para não se expor a uma eliminação. Meios de comunicação iranianos, citados por agências internacionais, falaram abertamente em “biscoito” — gíria italiana para conluio — e em “jogo desleal”, mas a teoria dos jogos também foi evocada para explicar que a cautela mútua não viola o regulamento.
Os protagonistas rejeitaram qualquer insinuação de acordo. “Numa partida que acaba 3-3, ninguém pode pensar que houve um pacto, sobretudo depois do que vimos nos últimos 90 segundos”, declarou Ralf Rangnick, selecionador austríaco, visivelmente exausto. “Se Alfred Hitchcock tivesse escrito uma história destas, eu diria que ele estava louco.” O seu homólogo argelino, Vladimir Petkovic, antigo treinador da Suíça, foi mais lacónico: “Estou felicíssimo porque o futebol venceu. O 3-3 fala por si.” A Argélia, vítima do escândalo de há 44 anos, assumiu agora o papel de beneficiária do regulamento — um volte-face histórico não perdido pelos comentadores.
O Irã, que vira um golo anulado no último jogo da fase de grupos frente ao Egito e desperdiçara uma penalidade, viu a sua sorte escapar-lhe nos instantes finais. A equipa orientada por Amir Ghalenoei não conseguira garantir o apuramento direto e dependia de terceiros — uma “sentença de morte”, na expressão de um diário económico de Teerão. Apesar de o torneio ter sido alargado para 48 seleções, o Irã voltou a cair na fase inicial, reacendendo o debate sobre a mentalidade conservadora da equipa, que em nenhum momento assumiu o comando do grupo.
A Áustria enfrentará a Espanha, campeã europeia, nas oitavas de final, enquanto a Argélia terá pela frente a Suíça — um confronto com sabor especial para Petkovic, que dirigiu os helvéticos entre 2014 e 2021. O sorteio, contudo, confirmou que o futebol, tantas vezes, reserva ironias amargas para quem não escreve o próprio destino dentro de campo.
| Imprensa iraniana e afins | −0.60 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa atlântica / anglosfera | 0.00 | neutral |
O Irã foi roubado por uma decisão arbitral injusta. O mundo do futebol deve reconhecer o erro.
Enfatiza-se a excepcionalidade da injustiça sofrida, citando uma autoridade externa (Mourinho) para legitimar o protesto.
Não considera que o Irã poderia ter vencido a partida apesar do VAR, nem analisa as outras partidas do grupo.
O Irã não conseguiu se classificar apesar das possibilidades. As escolhas táticas e os resultados de outros grupos determinaram o desfecho.
Adota-se um tom distante, listando cenários e fatos sem julgamento, para apresentar a eliminação como um evento puramente esportivo.
Não menciona a controvérsia sobre o gol anulado nem as críticas de Mourinho, apresentando a eliminação como um fato puramente matemático.
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