
Influxo de capital na Índia bate recorde enquanto bancos de mercados emergentes mostram dinâmicas divergentes
Depósitos em moeda estrangeira na Índia ultrapassam US$ 32 mil milhões, superando o pico de 2013, num momento em que instituições financeiras do Peru, Marrocos e Nigéria reportam fortes subidas de lucros e a Rússia vê abrandar o crédito.
As entradas líquidas de capital estrangeiro na Índia através de depósitos FCNR(B) atingiram cerca de 32 mil milhões de dólares até meados de julho, superando o anterior máximo registado em 2013, segundo o banco central indiano. O fluxo é impulsionado por um esquema de swaps concessionais lançado a 5 de junho para conter a depreciação da rupia, que continua a oscilar perto do seu mínimo histórico de 96,15 por dólar. O banco estatal Canara Bank anunciou que pretende captar entre 2,3 e 2,5 mil milhões de dólares por esta via e por empréstimos externos, tendo já mobilizado 775 milhões. Apesar da magnitude das entradas, analistas em Mumbai notam que as reservas cambiais permaneceram estáveis em torno de 675 mil milhões de dólares nas últimas semanas, sinalizando que as saídas de divisas — pressionadas pela fatura petrolífera e pela relutância dos exportadores em celebrar contratos de cobertura cambial — continuam a absorver a liquidez adicional.
O desempenho dos bancos em várias economias emergentes revela trajetórias de rentabilidade distintas. Na Nigéria, o grupo FCMB registou um salto de 90% no lucro semestral, para 139,9 mil milhões de nairas, sustentado pela expansão das receitas de juros e pela redução do rácio custo-rendimento de 57% para 41,4%. A divisão digital contribuiu com 13,2% das receitas brutas. Em Marrocos, o Crédit du Maroc viu o resultado líquido subir 19,4% no primeiro semestre, para 532 milhões de dirhams, graças ao crescimento de 7,1% da carteira de crédito — com destaque para o leasing (+34,8%) e os empréstimos à promoção imobiliária (+15,8%) — e a uma queda de 78% no custo do risco. Já o Canara Bank, na Índia, reportou um aumento modesto de 2,2% no lucro trimestral, para 48,56 mil milhões de rupias, com a margem financeira a crescer 13,4%, mas penalizada por uma quebra de 60% nos ganhos com venda de investimentos.
Na América do Sul, o Banco Central de Reserva do Peru informou que o saldo do crédito hipotecário expandiu 7,4% em junho face ao ano anterior, impulsionado pelos empréstimos em soles (+8,1%), enquanto os concedidos em moeda estrangeira recuaram 3,3%. A preferência pelo financiamento em moeda local é quase absoluta: apenas 5,3% dos novos empréstimos à habitação foram denominados em dólares. Em contraste, a Rússia assistiu a um abrandamento do crescimento da massa monetária ampla (M2X) para 12,9% e do crédito à economia para 9,9% em junho, com o banco central a atribuir a moderação à redução dos depósitos em moeda estrangeira, embora o crédito continue a ser a principal fonte de expansão da oferta monetária.
A janela para a captação de depósitos FCNR(B) na Índia encerra a 30 de setembro, e o banco central continuará a monitorizar eventuais indícios de recirculação de depósitos já existentes, que até ao momento não foram considerados significativos. O próximo marco factual será o fecho desse período de captação, que poderá confirmar ou não as projeções do State Bank of India de um total de 65 a 70 mil milhões de dólares apenas nessa modalidade.
| Imprensa indiana e sul-asiática | +0.70 | aligned |
|---|---|---|
| Imprensa russa e CEI | −0.40 | critical |
A Índia acolhe um influxo recorde de capital, demonstrando a confiança global na sua economia. O RBI e os bancos indianos orquestram essa mobilização com pragmatismo.
O bloco apresenta os dados como prova de sucesso econômico, atribuindo o influxo a políticas prudentes e estabilidade, sem mencionar riscos de superaquecimento ou dependência de capital estrangeiro.
A Rússia observa um arrefecimento do crédito interno, sinalizando cautela nas condições econômicas.
O bloco isola a desaceleração como um fenômeno local, usando um tom técnico para evitar alarmismo, mas sugere implicitamente uma falta de dinamismo em comparação com outras economias.
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