
Em Ancara, Trump obtém promessas de gastos, mas NATO segue dividida
A cimeira da NATO em Ancara terminou com promessas de aumento da despesa militar, mas as ameaças de Trump e as divisões internas revelaram a fragilidade da aliança.
A cimeira da NATO, realizada em Ancara nos dias 7 e 8 de julho, foi concluída com o anúncio de que os aliados se comprometeram a aumentar as despesas de defesa para 5% do PIB até 2035, uma exigência central do presidente dos EUA, Donald Trump. O encontro foi marcado por uma oscilação brusca de tom: após ameaçar cortar relações comerciais com Espanha e criticar a “má conduta” de vários membros, Trump elogiou a “unidade” e o “amor” na sala, afirmando que Madrid “se redimiu” ao aderir a projetos de vigilância espacial e aquisição conjunta de aeronaves. A Espanha, segundo fontes governamentais citadas pela imprensa espanhola, negou ter feito pagamentos adicionais, atribuindo a mudança de atitude de Trump a esclarecimentos sobre o seu compromisso de atingir 2% do PIB em defesa.
Na perspetiva de Washington, a cimeira representou um avanço na pressão por uma partilha mais equitativa dos encargos da aliança. Trump reiterou que os aliados europeus devem assumir a responsabilidade principal pela segurança do continente, enquanto os EUA se concentram na contenção da China e no conflito com o Irão. A administração norte-americana condicionou a sua permanência na NATO ao cumprimento das metas de gastos, uma posição que, segundo analistas em Ancara, acelera a tendência europeia para uma maior autonomia estratégica. Do lado europeu, a chanceler alemã e o presidente francês manifestaram apoio ao reforço das capacidades industriais de defesa, mas diplomatas em Bruxelas sublinham que a meta de 5% é economicamente inviável para a maioria dos membros, incluindo Portugal, que já enfrenta dificuldades para atingir os 2%.
A cimeira também expôs divergências sobre a Rússia e o Irão. O comunicado final classificou Moscovo como uma “ameaça de longo prazo”, mas a imprensa italiana, como o Il Fatto Quotidiano, argumenta que a Rússia poderia ser um parceiro estratégico para a Europa, reduzindo a dependência energética dos EUA. Observadores em Moscovo, citados pela agência Lenta.ru, consideram que a NATO reforçou a sua coesão anti-russa, mas que as contradições internas limitam a eficácia da aliança. Quanto ao Irão, Trump abandonou a via diplomática, o que, segundo a imprensa iraniana, gerou incerteza nos mercados e entre os aliados, que temem ser arrastados para um novo conflito no Médio Oriente.
Para os países lusófonos, a cimeira tem leituras distintas. Portugal, membro fundador da NATO, vê-se sob pressão para aumentar o orçamento de defesa num contexto de restrições orçamentais; o governo de Lisboa tem reiterado o compromisso com a aliança, mas evita fixar prazos para os 5%. O Brasil, que não integra a organização, acompanha com atenção a reconfiguração das alianças ocidentais, num momento em que procura equilibrar as suas relações com os EUA, a China e a Rússia no âmbito dos BRICS. A próxima reunião de ministros da Defesa da NATO, prevista para outubro, deverá detalhar os mecanismos de financiamento e os calendários nacionais, num teste à durabilidade do consenso alcançado em Ancara.
| Imprensa europeia continental | −0.70 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa atlântica / anglosfera | +0.20 | neutral |
| Imprensa russa e CEI | −0.50 | critical |
| Imprensa árabe Levante-Magrebe | −0.60 | critical |
A Europa se sabota ao isolar a Rússia, o único verdadeiro aliado. Trump venceu porque os europeus não entendem seus próprios interesses.
O bloco constrói sua posição apresentando a Rússia como o único aliado possível, enquanto pinta a Europa como vítima de sua própria cegueira estratégica, usando um tom moralista e acusatório.
O bloco omite o contexto da agressão russa na Ucrânia e as razões de segurança que levam os europeus a manter distância de Moscou.
Trump é o centro do palco mundial; cada dossiê passa por ele. A aliança se conforma à sua vontade.
O bloco legitima a posição de Trump descrevendo-o como um pivô geopolítico inevitável, normalizando sua influência através de um tom descritivo e factual.
O bloco omite críticas ao comportamento errático de Trump e as preocupações dos aliados sobre sua confiabilidade.
A OTAN está dilacerada por tensões; Trump agrava as divisões. A UE sofre um resultado desagradável.
O bloco enfatiza as fraturas internas da OTAN e a atitude agressiva de Trump, apresentando a aliança como disfuncional e a UE como vítima.
O bloco omite os acordos alcançados na cúpula e a disposição de alguns membros de aumentar os gastos com defesa.
Trump é imprevisível: ameaça e depois elogia. Os líderes aliados estão confusos e não sabem como se comportar.
O bloco usa ironia e descrição das contradições de Trump para minar sua credibilidade, sem tomar uma posição explícita, mas destacando o absurdo da situação.
O bloco omite as discussões substanciais sobre o fortalecimento da defesa europeia e as reações de países individuais.
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