
Ataque com drone a autocarro de crianças bielorrussas mata uma pessoa e fere oito na Rússia
Moscovo e Minsk condenam o ataque como 'ato terrorista', Kiev nega responsabilidade e a ONU apela ao fim de ataques contra civis.
Na tarde de 17 de junho, um drone de asa fixa atingiu um autocarro de dois andares que transportava uma equipa de futebol juvenil bielorrussa na região russa de Bryansk, fronteiriça com a Ucrânia. O veículo, que seguia de Gomel para a estância balnear de Gelendzhik, no mar Negro, levava 44 passageiros, incluindo 28 crianças. O impacto matou uma acompanhante, identificada como Viktoria Goroshko, de 38 anos, e feriu oito pessoas — seis menores e dois adultos —, segundo o ministro da Saúde bielorrusso. As vítimas foram hospitalizadas em Bryansk; uma criança ficou em estado grave. O presidente russo, Vladimir Putin, telefonou ao ministro da Saúde, Mikhail Murashko, para ordenar assistência imediata, enquanto Minsk enviou três brigadas de reanimação e um helicóptero medicalizado para eventual transporte dos feridos.
O Kremlin classificou o ataque como “ato terrorista” deliberado, afirmando que os operadores do drone viam claramente o alvo civil. O ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Lavrov, acusou Kiev de “semear o pânico” ao atingir crianças, e a porta-voz diplomática Maria Zakharova apelou a organizações internacionais para que condenassem o sucedido, alertando que o silêncio encorajaria novos crimes. A Bielorrússia, por seu lado, condenou o ataque e exigiu “explicações exaustivas” à Ucrânia, mas o seu Ministério dos Negócios Estrangeiros também sublinhou a necessidade de evitar o envio de cidadãos para zonas de conflito — uma nota de contenção que, segundo analistas em Moscovo, reflete a relutância de Alexander Lukashenko em ser arrastado para a guerra. O presidente bielorrusso, que não se pronunciou publicamente, ordenou discretamente a repatriação dos passageiros ilesos e a assistência médica.
A Ucrânia negou qualquer envolvimento. O porta-voz do Estado-Maior das Forças Armadas ucranianas, Andriy Kovalev, declarou que “no período indicado, as Forças de Defesa da Ucrânia não utilizaram drones contra alvos na região de Bryansk”. Em canais pró-ucranianos e da oposição, circulou a tese de que o ataque teria sido uma provocação dos serviços secretos russos para incriminar Kiev e pressionar Minsk — alegação desmentida por meios russos, que apontaram a proximidade da estrada à fronteira (30 a 50 quilómetros) e a capacidade dos drones ucranianos. A ONU, através do porta-voz do secretário-geral, Stéphane Dujarric, condenou qualquer ataque contra civis, recordando que o direito humanitário internacional proíbe tais ações. A Organização do Tratado de Segurança Coletiva (ODKB), liderada pela Rússia, também expressou condolências e repúdio.
Observadores em Lisboa notam que o episódio ilustra a crescente banalização dos ataques com drones contra alvos civis na guerra, num momento em que a Ucrânia intensifica incursões transfronteiriças com aparelhos não tripulados. Na perspetiva de Brasília, o incidente sublinha os riscos de escalada regional e a dificuldade de verificação independente num conflito onde a propaganda se sobrepõe aos factos. Enquanto Moscovo promete responder com a continuação da “operação militar especial”, a comunidade internacional permanece dividida: as capitais europeias, como antecipou o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, deverão manter-se em silêncio, mas o apelo da ONU indica que a pressão para proteger civis pode ganhar novo ímpeto. A tragédia de Bryansk, independentemente da autoria, expõe a vulnerabilidade das populações nas zonas de fronteira e a urgência de mecanismos de proteção para não combatentes.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Um drone ucraniano atingiu deliberadamente um ônibus que transportava uma equipe de futebol juvenil bielorrussa, matando uma mulher e ferindo várias crianças. O ataque expõe a natureza terrorista do regime de Kiev, que não hesita em atacar civis. Moscou e Minsk responderão duramente a este crime.
Um drone ucraniano atingiu um ônibus que transportava uma equipe de futebol juvenil bielorrussa na região de Bryansk, matando uma mulher e ferindo várias crianças, disseram as autoridades russas. Uma investigação criminal foi iniciada.
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