
Do palco escolar ao estrelato global: a história de Catherine Lagaʻaia, a nova Moana
Ex-aluna de uma escola pública de artes em Sydney, a atriz de 19 anos protagoniza o live-action da Disney que divide críticos e enfrenta estreia modesta nas bilheteiras.
Na fachada de um cinema de Newtown, subúrbio de Sydney, dois cartazes chamam a atenção dos transeuntes. De um lado, Catherine Lagaʻaia, 19 anos, segura o remo de Moana na versão com atores reais da Disney. Do outro, Milly Alcock, 26, veste o uniforme de Supergirl. O que os une, além do estrelato repentino, é uma mesma origem: ambas estudaram na Newtown High School of Performing Arts, uma escola pública que desde 1990 combina ensino regular com formação artística. A coincidência de duas antigas alunas protagonizarem blockbusters simultâneos transformou a instituição num ponto de curiosidade na imprensa australiana.
Daniel Kavanagh, professor de teatro da escola, recorda a audição de Lagaʻaia aos 11 anos. “Não eram tanto as capacidades de representação”, disse à ABC australiana, “mas a capacidade de ouvir, colaborar e usar a criatividade”. Filha do cantor e ator Jay Lagaʻaia, Catherine manteve-se sempre “brilhante, positiva e muito empenhada”, mesmo quando o papel de Moana surgiu no meio do último ano do ensino secundário. Enquanto filmava, enviava trabalhos por email e acabou por realizar os exames finais nos Estados Unidos, através de um acordo especial com as autoridades educativas. “Ela fez questão de continuar a ser uma aluna normal, sem cair na insanidade que essas situações podem provocar”, contou Kavanagh.
O filme, que transporta a história da ilha de Motunui para cenários reais no Havai, exigiu meses de treino de canoagem e a criação de efeitos visuais para dar vida aos animais companheiros de Moana. Dwayne Johnson, que retoma o papel do semideus Maui, revelou na CinemaCon que a personagem foi inspirada no seu avô e que usou um fato de músculos falsos para se aproximar da imponência do desenho animado. Contudo, a receção crítica internacional tem sido maioritariamente negativa. Publicações anglo-saxónicas descrevem o filme como “plano”, “aborrecido” e “um desperdício de talento”, apontando o excesso de CGI e a atuação de Johnson “em piloto automático”. A revista Variety, porém, considerou que a obra “escapa à maldição dos remakes”. No Brasil e em Portugal, onde o Moana original conquistou um público fiel, a estreia foi acompanhada de cepticismo semelhante, com analistas a questionarem a necessidade de revisitar uma animação que envelheceu pouco.
Apesar do orçamento estimado em 250 milhões de dólares, as projeções de bilheteira para o primeiro fim de semana nos Estados Unidos apontam para valores entre 40 e 45 milhões, muito abaixo dos 60 a 65 milhões inicialmente previstos, segundo a Forbes. O desempenho comercial contrasta com o sucesso de Moana 2, que em 2024 ultrapassou mil milhões de dólares em receitas globais. Enquanto a Disney aposta numa terceira animação já em planeamento, o percurso de Lagaʻaia ecoa o de outras jovens atrizes que, como Alcock, viram a escola adaptar-se aos seus sonhos. A imagem que perdura é a de uma adolescente a enviar trabalhos de casa por email entre cenas de um estúdio na América, equilibrando a normalidade de uma estudante com a excecionalidade de um mito polinésio.
| Imprensa atlântica / anglosfera | −0.20 | neutral |
|---|---|---|
| Imprensa africana subsaariana | −0.80 | critical |
| Imprensa latino-americana | 0.00 | neutral |
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