
Cúpula do G7 expõe receio europeu de que acordo superficial com Irão consolide programa nuclear de Teerão
Líderes europeus alertam Trump para o risco de um pacto temporário legitimar as ambições atómicas e balísticas iranianas, enquanto a reabertura do estreito de Ormuz gera incertezas.
A reunião dos líderes do G7 em Évian-les-Bains, na margem francesa do lago Genebra, abriu esta terça-feira sob o signo de um otimismo cauteloso. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chegou ao encontro exibindo o acordo preliminar alcançado com Teerão como um triunfo diplomático, mas as capitais europeias preparam-se para testar a solidez desse entendimento. Durante um jantar de trabalho de quase duas horas na noite de segunda-feira, os chefes de Estado e de governo debateram com “franqueza e profundidade”, segundo fontes citadas pela imprensa internacional, os contornos ainda não publicados do pacto que visa encerrar o conflito mais alargado com o Irão.
A principal inquietação europeia, partilhada por Paris, Berlim, Londres e Roma, é que um acordo temporário e superficial acabe por congelar, em vez de desmantelar, os programas nuclear e de mísseis balísticos de Teerão. Os líderes do G7 pretendem advertir Trump de que um texto minimalista pode institucionalizar capacidades que a comunidade internacional tentou durante anos conter. O presidente francês, Emmanuel Macron, sintetizou a posição ao sublinhar a necessidade de um acordo “sólido, sério e definitivo”, que vá além de uma trégua frágil. A ausência de um documento formal — o pacto foi assinado virtualmente no domingo, mas o seu conteúdo permanece secreto — alimenta o cepticismo europeu.
Outro ponto de fricção é a reabertura do estreito de Ormuz, artéria vital para o comércio global de petróleo e gás. Os líderes europeus manifestaram dúvidas sobre o calendário e a operacionalização da limpeza de minas navais, essencial para restabelecer a plena liberdade de navegação. Washington espera que os aliados europeus contribuam com meios para essa missão, mas as respostas divergentes de responsáveis norte-americanos nas últimas horas aumentaram a perplexidade. Na perspetiva de Brasília e de Lisboa, qualquer perturbação prolongada no estreito teria impacto direto nos preços dos fretes e dos combustíveis, com consequências para economias atlânticas dependentes de rotas energéticas estáveis.
A par do dossiê iraniano, a cimeira serve de palco para os europeus pressionarem Trump a rever a sua estratégia para a Ucrânia. O encontro, que decorre até quarta-feira, junta assim duas frentes de potencial divergência transatlântica: a perceção europeia de que um acordo apressado com Teerão pode gerar instabilidade regional e a insistência em que qualquer solução para a guerra ucraniana não pode ignorar as preocupações de segurança de Kiev e dos seus vizinhos. Analistas em Lisboa notam que o alinhamento entre Washington e as capitais europeias nestes dois temas será determinante para a credibilidade da próxima cimeira da NATO.
Enquanto o texto do acordo com o Irão permanece por divulgar, observadores no Médio Oriente e em África questionam se a pressa em formalizar um entendimento até sexta-feira não sacrificará salvaguardas essenciais. A experiência do acordo nuclear de 2015, abandonado unilateralmente pelos EUA em 2018, paira sobre as conversações. Para os países lusófonos com interesses energéticos no Golfo, como Angola e Moçambique, a estabilidade do estreito de Ormuz e a previsibilidade do mercado petrolífero são variáveis económicas críticas. O desfecho da cimeira poderá, assim, ditar não apenas a arquitetura de segurança no Médio Oriente, mas também o ritmo da recuperação económica global num momento de fragilidade.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Na cúpula do G7 em Evian, os líderes europeus testarão Trump, alertando que um acordo provisório superficial com o Irã pode consolidar os programas nuclear e de mísseis de Teerã. Eles também o pressionarão a repensar sua estratégia para a Ucrânia. O encontro é visto como um teste da disposição de Trump em ouvir as preocupações dos aliados.
Durante um jantar de duas horas na cúpula do G7, os líderes tiveram discussões francas e aprofundadas sobre o acordo com o Irã. Autoridades europeias manifestaram questões ainda em aberto, sobretudo quanto ao cronograma de reabertura do Estreito de Ormuz ao transporte comercial, sobre o qual as respostas americanas divergiram.
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