
Crise no Estreito de Ormuz encarece energia e combustíveis nos EUA e na Europa
A perturbação na principal rota petrolífera mundial elevou os preços do crude, encarecendo gasolina, eletricidade e gás; famílias italianas podem enfrentar 29 mil milhões de euros de custos adicionais em 2026.
A cinco meses do início do conflito no Irão, o tráfego de petroleiros pelo Estreito de Ormuz desabou para apenas seis embarcações em alguns dias, bloqueando cerca de 20% do abastecimento global de energia. A cotação do Brent ultrapassou momentaneamente os 100 dólares por barril, enquanto o WTI saltou 76% entre fevereiro e abril. Nos Estados Unidos, o preço médio da gasolina subiu 35% desde 26 de fevereiro, atingindo 4,02 dólares por galão, com pico de 4,56 dólares em maio, segundo a Associação Automobilística Americana. Em Itália, a gasolina em modo self-service chegou a 1,91 euros por litro, um aumento de 14,4% desde o início das hostilidades.
Esse choque de custos propaga-se pelos orçamentos familiares e pela atividade empresarial. O gabinete de estudos da CGIA de Mestre estima que, em 2026, famílias e empresas italianas arcarão com 29 mil milhões de euros adicionais, dos quais 13,6 mil milhões apenas em gasolina e gasóleo (+20,4% face a 2025), 10,2 mil milhões em eletricidade (+12,9%) e 5 mil milhões em gás (+14,6%). A Lombardia, polo industrial, absorverá 5,4 mil milhões, mas o impacto relativo recai com força sobre o Sul: Basilicata, Campânia e Apúlia registam aumentos superiores a 21%. Nos EUA, o economista Mark Zandi calcula que o custo extra por lar atinge 1200 dólares anuais, somando gasolina, alimentos, transportes e juros hipotecários mais elevados — estes últimos já situados em 6,85% para empréstimos de 30 anos.
Os governos reagem com prudência fiscal e apelos à diversificação. O executivo italiano já mobilizou 7 mil milhões de euros em ajudas, mas admite outros 7 mil milhões até ao outono, condicionados à autorização de uma cláusula de salvaguarda europeia que permita exceder temporariamente o défice. Em Roma, o debate divide-se entre a pressão das oposições para um corte imediato das taxas sobre os combustíveis e a cautela de quem, como o presidente da Nomisma Energia, alerta que queimar munição fiscal agora pode deixar o país desprotegido se o barril atingir os 130 dólares. A Reserva Estratégica de Petróleo dos EUA encontra-se no nível mais baixo desde a década de 1980, limitando novas intervenções.
A estabilidade do mercado continua refém da geopolítica e da meteorologia. Com a época de furacões no Atlântico a ameaçar refinarias americanas, analistas citados pela imprensa iraniana sublinham que a volatilidade persistirá enquanto o trânsito em Ormuz não for normalizado, condição que consideram essencial para a estabilidade dos preços mundiais. O próximo marco a observar é a eventual decisão da Comissão Europeia sobre a flexibilização orçamental para Itália, que ditará a margem de resposta de uma das economias mais expostas à crise energética.
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