
China proíbe dependência emocional de IA e encerra 'namorados virtuais'
Regras em vigor desde 15 de julho obrigam plataformas a desativar funções de companhia afetiva, em resposta à crise de natalidade e ao isolamento social dos jovens.
As novas regras chinesas para serviços de inteligência artificial com interação emocional sustentada entraram em vigor a 15 de julho de 2026, provocando a desativação imediata de funções de companhia virtual em plataformas como Doubao (ByteDance), Qwen (Alibaba) e Yuanbao (Tencent). A medida, que já levara as empresas a antecipar o encerramento desses agentes personalizados, gerou uma onda de despedidas emocionadas nas redes sociais, com utilizadores a descreverem os chatbots como “parte da família” ou “apoio espiritual”. O mercado de “humanos digitais” na China movimentou 4,1 mil milhões de yuans (cerca de 3 mil milhões de reais) em 2024, com um crescimento anual projetado de 85%, e só no Doubao existiam mais de 8 milhões de agentes criados pelos utilizadores.
A regulamentação, emitida por cinco organismos estatais incluindo a Administração do Ciberespaço da China, proíbe que estes sistemas “agradem excessivamente aos utilizadores, induzam dependência emocional ou vício” e prejudiquem as relações interpessoais reais. As plataformas passam a ser obrigadas a detetar sinais de sofrimento emocional, intervir em crises, impedir o uso indevido de dados pessoais e oferecer controlo sobre a informação. Ficam isentos os serviços sem interação afetiva, como assistentes de estudo ou atendimento ao cliente. A proibição total de acesso de menores a relações íntimas virtuais e a exigência de que os sistemas para adultos evitem a criação de vínculos excessivos enquadram-se na resposta de Pequim a uma crise demográfica que, em 2025, registou o quarto ano consecutivo de contração populacional e uma taxa de natalidade de apenas 5,63 por mil habitantes.
A escala do fenómeno é documentada por um inquérito do Instituto de Pesquisa Tencent a 8.500 jovens, segundo o qual mais de 70% já experimentaram redes sociais com IA e 23% desenvolveram algum grau de dependência habitual; um em cada cinco afirmou preferir conversar apenas com IA em vez de falar com pessoas reais. Na perspetiva de académicos na Alemanha, o desaparecimento súbito de um companheiro de IA pode ser vivido como um luto comparável à perda de uma pessoa, mas uma proibição setorial não elimina o risco, uma vez que a mesma tecnologia está presente noutros serviços. Já investigadores em Macau defendem a intervenção, sublinhando que a ligação emocional a chatbots “já não é um tema marginal” e que é necessário pressionar a indústria a desenvolver “produtos saudáveis”. Analistas em Washington associam a decisão ao objetivo de manter os jovens no “mercado do casamento” e travar a queda da fecundidade.
A partir de agora, qualquer software de companhia terá de ser submetido a uma avaliação regulatória antes de chegar ao público, conferindo ao Estado autoridade para encerrar sistemas considerados emocionalmente envolventes em excesso. Enquanto a China se torna a primeira grande jurisdição a legislar especificamente sobre relações afetivas simuladas por IA, outros países ensaiam respostas: estados norte-americanos como a Califórnia e Nova Iorque obrigam a lembretes periódicos de que o interlocutor não é humano, e o regulador britânico Ofcom investiga o TikTok por falhas na proteção de menores. O próximo marco a observar será a aplicação prática dos critérios de avaliação e a reação da indústria tecnológica a um quadro que condiciona o desenho emocional das máquinas.
| Imprensa latino-americana | 0.00 | neutral |
|---|---|---|
| Imprensa europeia continental | −0.30 | critical |
| Imprensa árabe Levante-Magrebe | −0.50 | critical |
China imposes rules to limit emotional dependence on virtual assistants, presenting the measure as consumer protection.
Describes the regulation as a technical and neutral measure, without questioning the demographic motivations.
Does not mention the birth rate decline as a primary motivation, unlike other blocs.
Europe watches with concern China's control over digital emotional relationships, highlighting user suffering and authoritarian drift.
Tells the story from the perspective of users and individual freedom, contrasting emotional well-being with state regulation.
Does not delve into China's demographic context, focusing instead on individual psychological effects.
The Arab world denounces China's move as a desperate attempt to stem demographic collapse, sacrificing digital emotional freedom.
Directly links the ban to the birth crisis, presenting China as a country in demographic panic.
Does not mention psychological protection measures or technical regulation, focusing solely on the demographic motivation.
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