
Indonésia e China firmam acordo para transações em rupia e renminbi, dispensando o dólar
Acordo de swap bilateral e memorando com Hong Kong permitem que comércio e investimento entre os países usem moedas locais, num movimento observado com interesse de Buenos Aires a Lisboa.
O banco central da Indonésia deu um passo estratégico para reduzir a exposição do arquipélago ao dólar americano. Em Xangai, a 11 de junho, o governador do Bank Indonesia, Perry Warjiyo, assinou com o seu homólogo do Banco Popular da China, Pan Gongsheng, um Acordo de Swap Cambial Bilateral (BCSA) e um memorando de entendimento sobre Transações em Moeda Local (LCT) que se estende a Hong Kong, com a participação da Autoridade Monetária de Hong Kong. A partir de agora, operadores indonésios, chineses e de Hong Kong poderão liquidar trocas comerciais e investimentos diretamente em rupia e renminbi, sem necessidade de converter para dólar. O gesto foi imediatamente saudado pela vice-presidência do Parlamento indonésio como um instrumento de soberania económica.
Na perspetiva de Jacarta, o acordo representa mais do que uma facilidade técnica. O vice-presidente da Câmara dos Representantes, Sufmi Dasco Ahmad, sublinhou que a medida reforça a resiliência da rupia e blinda parcialmente a economia face à volatilidade da moeda norte-americana. A imprensa indonésia destaca que o memorando inclui a interoperabilidade de meios de pagamento, como o QRIS, e que o Bank Mandiri já aderiu ao sistema de pagamentos transfronteiriços chinês CIPS, acelerando a integração financeira. Em paralelo, o banco central recorre a instrumentos domésticos, como os títulos SRBI de elevada remuneração, para atrair capitais e sustentar a cotação da rupia, embora analistas do Indef alertem para o risco de esses títulos absorverem liquidez que poderia alimentar o crédito ao setor produtivo.
O movimento indonésio ecoa esforços semelhantes noutras latitudes. Na mesma semana, o presidente do Banco Central da República Argentina, Santiago Bausili, concluiu uma visita a Xangai com avanços para renovar o swap de 20 mil milhões de dólares que vence em agosto. A autoridade argentina participou num simpósio do Banco de Pagamentos Internacionais e do banco central chinês, onde discutiu sistemas de interoperabilidade para pagamentos. Observadores em Buenos Aires veem na experiência indonésia um modelo para escapar à escassez de divisas, enquanto em Lisboa e noutras capitais lusófonas o episódio é lido como mais um capítulo da lenta mas persistente diversificação do sistema monetário internacional, com o renminbi a ganhar espaço como moeda de liquidação.
A arquitetura do acordo com a China insere-se numa tendência de “desdolarização” pragmática que não rompe com o sistema, mas cria vias paralelas. A inclusão de Hong Kong como jurisdição autónoma no memorando LCT amplia o alcance da iniciativa, permitindo que a praça financeira funcione como ponte para a rupia nos mercados offshore. Para a Indonésia, o desafio será equilibrar a euforia cambial com a gestão dos efeitos colaterais internos: a popularidade dos títulos do banco central pode encarecer o financiamento às empresas, exigindo calibragem fina entre estabilidade monetária e crescimento.
O desfecho das negociações argentinas nas próximas semanas servirá de teste à replicabilidade do modelo. Se Pequim renovar o swap com Buenos Aires em condições vantajosas, ficará reforçada a perceção de que a China está disposta a oferecer linhas de liquidez em renminbi como alternativa ao Fundo Monetário Internacional. Para os países lusófonos com laços comerciais crescentes com a China — de Angola a Moçambique e ao Brasil —, a experiência indonésia sugere que a redução da dependência do dólar passa menos por declarações políticas e mais pela construção paciente de infraestruturas de pagamento em moeda local.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A Indonésia deu um passo estratégico com a China para fortalecer a rupia por meio de um swap cambial bilateral, reduzindo a dependência do dólar. O acordo é celebrado como um avanço para a resiliência econômica nacional e um passo rumo à internacionalização da rupia, com transações agora possíveis em rupia e renminbi em Hong Kong.
O presidente do banco central argentino encerrou uma visita à China com avanços na renovação da linha de swap de US$ 20 bilhões, um movimento enquadrado como pragmático para reforçar as reservas. As conversas incluíram discussões técnicas sobre interoperabilidade de sistemas de pagamento, sem tons geopolíticos explícitos.
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