
Chile prende último militar foragido condenado pelo assassinato de Víctor Jara
A captura de Nelson Haase Mazzei, ex-coronel que fugira em 2023, encerra a busca pelos sentenciados pelo crime de 1973, mas reacende o debate sobre a demora da justiça e a memória da ditadura de Pinochet.
A polícia chilena deteve no sábado, na localidade rural de Puyehue, no sul do país, o ex-coronel Nelson Haase Mazzei, de 80 anos, último dos sete militares da reserva condenados pelo homicídio do cantor e compositor Víctor Jara e do diretor de prisões Littré Quiroga, em setembro de 1973. Haase Mazzei estava foragido desde agosto de 2023, quando o Supremo Tribunal do Chile confirmou a sua pena de 25 anos de prisão — 15 por homicídio e 10 por sequestro — e não se apresentou para cumprir a sentença. O Poder Judicial informou que um juiz de direitos humanos ordenou a sua imediata reclusão, enquanto a defesa já solicitou a transferência para Punta Peuco, estabelecimento prisional construído para albergar condenados por crimes da ditadura.
A Fundação Víctor Jara, criada pela viúva do artista, a bailarina e ativista britânica Joan Jara, falecida em 2023, saudou a detenção, mas sublinhou, em comunicado, que “meio século depois dos homicídios, é difícil encarar isto como justiça”. Na perspetiva de organizações de direitos humanos em Santiago, a captura encerra um ciclo simbólico, mas não apaga a frustração com a lentidão dos processos: dos sete condenados, o general Hernán Chacón suicidou-se quando a polícia foi prendê-lo, e o tenente Pedro Barrientos foi extraditado dos Estados Unidos em 2023, após perder a cidadania americana por omitir o seu passado militar. Os restantes cumprem pena.
O desfecho do caso Jara coincide com outros desenvolvimentos que mostram a complexidade do acerto de contas com o legado da ditadura de Pinochet (1973-1990). Na Argentina, um exame de ADN confirmou que Bernarda Vera, professora chilena listada como desaparecida desde outubro de 1973, foi localizada com vida nos arredores de Mar del Plata. O achado, revelado pelo Poder Judicial chileno, expõe lacunas nos registos oficiais e alimenta o trabalho do Plano Nacional de Busca, que investiga o paradeiro de mais de 1.400 vítimas de desaparecimento forçado. Para analistas em Brasília e Lisboa, a simultaneidade dos episódios ilustra como as feridas do Cone Sul permanecem abertas e exigem cooperação judicial transnacional.
Víctor Jara, ícone da Nova Canção Chilena e militante comunista, foi detido em 11 de setembro de 1973, um dia após o golpe que derrubou Salvador Allende, e levado para o Estádio Chile — hoje rebatizado com o seu nome. Torturado e fuzilado com 44 tiros, o seu corpo apresentava 56 fraturas. O regime de Pinochet deixou um saldo oficial de mais de 3.200 mortos e desaparecidos e cerca de 40 mil vítimas, entre torturados e presos políticos. Com a prisão de Haase Mazzei, o processo judicial pelo homicídio de Jara aproxima-se do encerramento, mas o debate sobre a localização de corpos e a responsabilização de agentes do Estado continua a mobilizar tribunais e familiares em todo o Cone Sul.
| Imprensa atlântica / anglosfera | +0.20 | neutral |
|---|---|---|
| Imprensa latino-americana | −0.40 | critical |
| Imprensa iraniana e afins | +0.10 | neutral |
Chilean justice has closed a half-century circle, showing that no crime remains unpunished.
By presenting the arrest as the result of an impeccable judicial process, it legitimizes the Chilean legal system and avoids any political discussion.
The Atlantic bloc omits the broader context of human rights violations during the dictatorship, focusing solely on the judicial case.
Chile still has to reckon with its dictatorial past, and each capture is a step toward memory and reparation.
By emphasizing the torture details and linking the case to other disappearances, it creates a narrative of systemic injustice that demands ongoing commitment.
Justice has reached even the last fugitive, showing that past crimes are not forgotten.
By reporting the facts dryly and without political commentary, the story is presented as a normal judicial news item, universalizing the notion of justice.
The Iranian bloc omits the political context of the Pinochet dictatorship and human rights violations, focusing only on legal aspects.
Amplie o olhar
Netanyahu e Trump reúnem-se em Washington com Irão no topo da agenda e divergências táticas assumidas
8 idiomas · 17 veículos
De Economy & MarketsBrasil aciona OMC contra tarifaço dos EUA, mas vê gesto como simbólico
2 idiomas · 12 veículos
De TechnologyAvanço da IA encarece memória e ameaça extinguir smartphones abaixo de 100 dólares
4 idiomas · 7 veículos