Entrar
Edição das 20:00 CETsábado, 27 de junho de 2026
307 veículos · 17 idiomas180 briefing hoje
Ciência e Saúdesábado, 27 de junho de 2026

Casos de melanoma disparam 17% num ano e especialistas contrapõem desinformação sobre protetores solares

Dermatologistas canadianos relatam aumento expressivo de cancros de pele enquanto redes sociais propagam alegações infundadas sobre a toxicidade dos filtros solares, num verão em que a proteção ocular e os riscos dos sprays também entram no debate.

A incidência de melanoma no Canadá cresceu 17% entre 2023 e 2024, segundo a organização Mélanome Canada, elevando para cerca de 11 300 o número anual de diagnósticos e para 1200 as mortes pela doença. O salto coincide com uma vaga de desinformação sobre a segurança dos protetores solares que, na perspetiva de clínicos do Québec, desvia a atenção do que consideram uma “epidemia de cancros de pele”. O dermatologista Joël Claveau, do CHU de Québec-Université Laval, sublinha que nunca se registou uma morte por intoxicação ou efeito secundário associado a estes produtos, ao passo que milhares de doentes morrem anualmente por carcinomas e melanomas.

O mecanismo de risco está bem documentado: a radiação ultravioleta B é carcinogénica e a UVA, que representa cerca de 95% da radiação UV que atinge a Terra, acelera o envelhecimento cutâneo e também pode induzir tumores. Especialistas da Universidade McGill e da Associação Canadiana de Dermatologia insistem que um fator de proteção solar (FPS) entre 30 e 50 bloqueia 98% dos raios UVB, desde que aplicado em quantidade suficiente — a maioria das pessoas usa quatro vezes menos do que o necessário. Recomendam ainda a escolha de protetores de “largo espectro”, que cubram também os UVA, e lembram que os filtros físicos (dióxido de titânio e óxido de zinco) não são absorvidos pela pele e não irritam os olhos, ao contrário de alguns filtros químicos.

Paralelamente, oftalmologistas brasileiros e norte-americanos reforçam que os olhos exigem proteção equivalente. A radiação UV acelera a formação de cataratas, agrava a degenerescência macular e pode provocar crescimentos como o pterígio, que em casos graves afeta a visão e requer cirurgia. A maioria dos óculos de grau modernos, fabricados em policarbonato ou com revestimento específico, já oferece proteção UV, mas armações escuras ajudam a reduzir o brilho e a fadiga ocular. A região periocular é particularmente vulnerável: entre 5% e 10% dos cancros de pele nos Estados Unidos desenvolvem-se nas pálpebras.

Um alerta distinto chega da Suécia, onde Jakob Löndahl, professor de aerossoltecnologia da Universidade de Lund, desaconselha o uso de protetores solares em spray, sobretudo em crianças. As partículas aerosolizadas de dióxido de titânio e óxido de zinco, inaladas durante a aplicação, podem depositar-se nos pulmões e apresentar potencial cancerígeno quando absorvidas por essa via. Löndahl recomenda aplicar o spray muito próximo da pele, ao ar livre, e nunca diretamente no rosto. A advertência soma-se às orientações de cronobiólogos espanhóis que, em publicações especializadas, recordam que a exposição à luz artificial durante a noite inibe a produção de melatonina, fragmenta o sono e está associada, a longo prazo, a défices cognitivos e patologias metabólicas e neurodegenerativas. O próximo marco será a atualização das diretrizes de saúde pública sobre a utilização de sprays solares, à medida que as agências reguladoras avaliam a segurança da exposição por inalação.

Como a mesma história é contada em outros lugares.

2 grupos editoriais · 5 idiomas

32%
TomTemperaturaFocoPosicionamentoHorizonte
Imprensa latino-americanaImprensa atlântica / anglosfera
Imprensa latino-americana
PragmatismoDistanciamento

A luz tem uma dupla face: dormir com fontes de luz altera os ritmos circadianos e pode causar problemas de sono e de saúde a longo prazo. Por outro lado, proteger os olhos do sol com óculos escuros é uma necessidade real, mas que deve ser calibrada conforme as condições individuais e nem sempre é indispensável para quem já usa lentes graduadas. Os especialistas dão conselhos práticos sem alarmismo, incentivando um uso consciente da luz e da proteção.

Imprensa atlântica / anglosfera/ Segurança
AlarmeIndignaçãoPragmatismo

Perante uma epidemia de cancro da pele, a proteção solar é uma necessidade absoluta e os protetores solares são seguros, apesar das notícias falsas que circulam nas redes sociais. Os dermatologistas estão exasperados com as mensagens alarmistas sem fundamento científico e sublinham a importância de escolher e aplicar corretamente os produtos. A desinformação online é o verdadeiro inimigo, enquanto a ciência oferece ferramentas eficazes para a prevenção a longo prazo.

Amplie o olhar

Ler mais
Últimas notícias
Terremotos na Venezuela deixam 1.430 mortos e milhões de afetados·IA atinge ponto de viragem no comércio e força reestruturação de empresas e políticas públicas·Líbano e Israel assinam acordo-quadro em Washington; Hezbollah rejeita e promete resistência·No domingo, horóscopos globais prescrevem paciência e introspecção·Sistema de alerta sísmico do Android avisa 11,4 milhões na Venezuela e expõe dilema de privacidade·Trump ameaça 'fim do Irã' após novos bombardeios dos EUA no Estreito de Ormuz·Steve Clarke deixa seleção escocesa após eliminação no Mundial 2026·Inglaterra vence Panamá com gols de Bellingham e Kane e avança como líder do Grupo L·Terremotos na Venezuela deixam 1.430 mortos e milhões de afetados·IA atinge ponto de viragem no comércio e força reestruturação de empresas e políticas públicas·Líbano e Israel assinam acordo-quadro em Washington; Hezbollah rejeita e promete resistência·No domingo, horóscopos globais prescrevem paciência e introspecção·Sistema de alerta sísmico do Android avisa 11,4 milhões na Venezuela e expõe dilema de privacidade·Trump ameaça 'fim do Irã' após novos bombardeios dos EUA no Estreito de Ormuz·Steve Clarke deixa seleção escocesa após eliminação no Mundial 2026·Inglaterra vence Panamá com gols de Bellingham e Kane e avança como líder do Grupo L·
Atualizado 15:345 idiomas · 5 veículos
AnteriorCiência e SaúdePróximo
5 veículos|5 idiomas|3 min de leitura
sábado, 27 de junho de 2026

Casos de melanoma disparam 17% num ano e especialistas contrapõem desinformação sobre protetores solares

Dermatologistas canadianos relatam aumento expressivo de cancros de pele enquanto redes sociais propagam alegações infundadas sobre a toxicidade dos filtros solares, num verão em que a proteção ocular e os riscos dos sprays também entram no debate.

A incidência de melanoma no Canadá cresceu 17% entre 2023 e 2024, segundo a organização Mélanome Canada, elevando para cerca de 11 300 o número anual de diagnósticos e para 1200 as mortes pela doença. O salto coincide com uma vaga de desinformação sobre a segurança dos protetores solares que, na perspetiva de clínicos do Québec, desvia a atenção do que consideram uma “epidemia de cancros de pele”. O dermatologista Joël Claveau, do CHU de Québec-Université Laval, sublinha que nunca se registou uma morte por intoxicação ou efeito secundário associado a estes produtos, ao passo que milhares de doentes morrem anualmente por carcinomas e melanomas.

O mecanismo de risco está bem documentado: a radiação ultravioleta B é carcinogénica e a UVA, que representa cerca de 95% da radiação UV que atinge a Terra, acelera o envelhecimento cutâneo e também pode induzir tumores. Especialistas da Universidade McGill e da Associação Canadiana de Dermatologia insistem que um fator de proteção solar (FPS) entre 30 e 50 bloqueia 98% dos raios UVB, desde que aplicado em quantidade suficiente — a maioria das pessoas usa quatro vezes menos do que o necessário. Recomendam ainda a escolha de protetores de “largo espectro”, que cubram também os UVA, e lembram que os filtros físicos (dióxido de titânio e óxido de zinco) não são absorvidos pela pele e não irritam os olhos, ao contrário de alguns filtros químicos.

Paralelamente, oftalmologistas brasileiros e norte-americanos reforçam que os olhos exigem proteção equivalente. A radiação UV acelera a formação de cataratas, agrava a degenerescência macular e pode provocar crescimentos como o pterígio, que em casos graves afeta a visão e requer cirurgia. A maioria dos óculos de grau modernos, fabricados em policarbonato ou com revestimento específico, já oferece proteção UV, mas armações escuras ajudam a reduzir o brilho e a fadiga ocular. A região periocular é particularmente vulnerável: entre 5% e 10% dos cancros de pele nos Estados Unidos desenvolvem-se nas pálpebras.

Um alerta distinto chega da Suécia, onde Jakob Löndahl, professor de aerossoltecnologia da Universidade de Lund, desaconselha o uso de protetores solares em spray, sobretudo em crianças. As partículas aerosolizadas de dióxido de titânio e óxido de zinco, inaladas durante a aplicação, podem depositar-se nos pulmões e apresentar potencial cancerígeno quando absorvidas por essa via. Löndahl recomenda aplicar o spray muito próximo da pele, ao ar livre, e nunca diretamente no rosto. A advertência soma-se às orientações de cronobiólogos espanhóis que, em publicações especializadas, recordam que a exposição à luz artificial durante a noite inibe a produção de melatonina, fragmenta o sono e está associada, a longo prazo, a défices cognitivos e patologias metabólicas e neurodegenerativas. O próximo marco será a atualização das diretrizes de saúde pública sobre a utilização de sprays solares, à medida que as agências reguladoras avaliam a segurança da exposição por inalação.

Divergência das fontes

Ciência e Saúde · 5 veículos · 5 idiomas

32%Média

Quanto as fontes relatam os mesmos fatos de maneira diferente.

Como se dividem

Neutro80%
Crítico20%

Como a mesma história é contada em outros lugares.

2 grupos editoriais · 5 idiomas

TomTemperaturaFocoPosicionamentoHorizonte
Imprensa latino-americanaImprensa atlântica / anglosfera
Imprensa latino-americana
PragmatismoDistanciamento

A luz tem uma dupla face: dormir com fontes de luz altera os ritmos circadianos e pode causar problemas de sono e de saúde a longo prazo. Por outro lado, proteger os olhos do sol com óculos escuros é uma necessidade real, mas que deve ser calibrada conforme as condições individuais e nem sempre é indispensável para quem já usa lentes graduadas. Os especialistas dão conselhos práticos sem alarmismo, incentivando um uso consciente da luz e da proteção.

Imprensa atlântica / anglosfera/ Segurança
AlarmeIndignaçãoPragmatismo

Perante uma epidemia de cancro da pele, a proteção solar é uma necessidade absoluta e os protetores solares são seguros, apesar das notícias falsas que circulam nas redes sociais. Os dermatologistas estão exasperados com as mensagens alarmistas sem fundamento científico e sublinham a importância de escolher e aplicar corretamente os produtos. A desinformação online é o verdadeiro inimigo, enquanto a ciência oferece ferramentas eficazes para a prevenção a longo prazo.

Esta notícia apareceu em

5 veículos · 5 idiomas

Amplie o olhar

De Geopolitics & Politics

Hezbollah rejeita acordo trilateral entre Líbano e Israel e mantém resistência armada

6 idiomas · 30 veículos

De Economy & Markets

BCE sobe juros com inflação ainda elevada, dólar dispara e Argentina enfrenta demanda reprimida por divisas

3 idiomas · 6 veículos

De Technology

Indonésia, Argentina e México concentram ofensiva de elétricos e híbridos às vésperas do GIIAS 2026

3 idiomas · 5 veículos

Ler mais