
Menopausa precoce eleva risco cardiovascular em 30%, mostra estudo global
Investigação com 111 mil mulheres de 26 países prova que perder estrogénio antes dos 40 exige rastreio cardíaco; fatores sazonais e de estilo de vida agravam o perigo.
Uma análise da coorte internacional PURE, que acompanhou durante 14,6 anos 111.619 mulheres de 26 países, concluiu que a menopausa antes dos 40 anos está associada a um aumento de 27% a 30% no risco de eventos cardiovasculares maiores, como enfarte e AVC. Quando a última menstruação ocorre entre os 40 e os 45 anos, o risco sobe cerca de 14%. Os investigadores sublinham que esta associação se mantém mesmo após ajustar para hipertensão, diabetes, tabagismo ou sedentarismo, configurando a menopausa precoce como fator de risco independente.
A explicação fisiológica centra‑se na perda do efeito protetor dos estrogénios, que durante a vida reprodutiva ajudam a regular o colesterol e a manter a elasticidade dos vasos sanguíneos. O estudo revela ainda uma fractura geográfica marcante: em países de rendimento baixo, como Paquistão, Tanzânia ou Zimbabué, até 43% das mulheres na pós‑menopausa tinham tido uma paragem precoce ou prematura, enquanto no Canadá e na Suécia a proporção caía para cerca de 23%.
O contexto sazonal e os hábitos quotidianos amplificam estes números. Dados do Instituto Nacional de Cardiologia do Brasil indicam que, com temperaturas abaixo dos 14 °C, os enfartes podem aumentar 30% e os AVC 20%, devido à vasoconstrição periférica que eleva a pressão arterial e torna o sangue mais viscoso. Ao mesmo tempo, um estudo observacional da Universidade de Glasgow que monitorizou 91.292 voluntários durante 12 anos apurou que cada hora adicional diária de comportamento sedentário ininterrupto se associa a um risco 10% superior de morte por cancro, enquanto substituir 30 minutos de inatividade por atividade moderada reduz esse risco em 8%.
Na perspetiva dos sistemas de saúde lusófonos, os achados reforçam a urgência de políticas de prevenção primária dirigidas a mulheres a partir da perimenopausa e de campanhas que contrariem o sedentarismo — designadamente na população idosa de Portugal, Brasil e PALOP, onde a hipertensão e a diabetes estão entre as principais causas de morte. Especialistas em Lisboa e São Paulo recomendam que a menopausa seja aproveitada como momento de rastreio cardiovascular sistemático, com avaliação do perfil lipídico, da pressão arterial e da glicemia.
O próximo passo clínico consistirá em integrar formalmente o antecedente de menopausa precoce nas calculadoras de risco cardiovascular e em avaliar se a terapia hormonal, quando iniciada atempadamente, atenua o impacto da privação estrogénica precoce. A comunidade científica aguarda ainda a atualização das diretrizes da Organização Mundial da Saúde sobre rastreio em mulheres, prevista para o próximo ano.
| Imprensa atlântica / anglosfera | +0.30 | aligned |
|---|---|---|
| Imprensa latino-americana | +0.20 | neutral |
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