
Cabo Verde faz história e trava Espanha em estreia no Mundial 2026
A seleção cabo-verdiana, estreante em Copas, travou a campeã europeia Espanha num 0-0 heroico, com o guarda-redes Vozinha, de 40 anos, a brilhar em Atlanta.
A estreia de Cabo Verde em Copas do Mundo foi um choque sísmico no Grupo H. A Espanha, campeã europeia e uma das favoritas ao título, dominou a posse de bola (quase 75%) e rematou 27 vezes, mas esbarrou numa muralha defensiva e no guarda-redes Vozinha, de 40 anos, que fez sete defesas decisivas. O empate sem golos no Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta, foi o primeiro 0-0 do torneio e um resultado que ecoou muito além do relvado. Para o pequeno arquipélago de 525 mil habitantes, ex-colónia portuguesa, foi a conquista do primeiro ponto na história da competição, celebrado como uma vitória.
A imprensa espanhola reagiu com dureza, classificando a atuação como "desastre", "decepcionante" e "petardazo". A falta de pontaria e a lentidão na circulação da bola reavivaram fantasmas do passado, como a eliminação frente a Marrocos em 2022. Nem a entrada de Lamine Yamal, recuperado de lesão, desfez o nó tático imposto pelos Tubarões Azuis. Do lado cabo-verdiano, a euforia foi captada pelas televisões brasileiras e portuguesas, que sublinharam o feito de uma seleção que cometeu apenas uma falta em todo o jogo — um recorde de disciplina desde 1966. Em Lisboa, comentadores recordaram que Vozinha atua na segunda divisão portuguesa, um detalhe que amplifica o simbolismo da proeza.
O empate deixou o Grupo H totalmente aberto, já que no outro jogo da jornada o Uruguai também empatou 1-1 com a Arábia Saudita. Espanha, Uruguai, Arábia Saudita e Cabo Verde somam um ponto cada, o que transforma os próximos confrontos em autênticas finais antecipadas. Para a Espanha, o duelo seguinte com a Arábia Saudita ganha contornos de urgência; para Cabo Verde, o jogo contra o Uruguai será uma nova oportunidade de demonstrar que a organização defensiva não foi um acaso.
O técnico Luis de la Fuente e o capitão Rodri reconheceram a ineficácia no último terço, mas tentaram afastar o alarmismo. "Faltou maior circulação para desequilibrar", admitiu De la Fuente. Já Vozinha, em lágrimas no final, disse que "o sonho tornou-se realidade". A análise em Brasília e no Rio de Janeiro aponta que o resultado valoriza o futebol africano e expõe a vulnerabilidade das potências europeias quando confrontadas com blocos baixos e extrema disciplina. A pergunta que fica é se Cabo Verde conseguirá repetir a façanha e sonhar com uma inédita qualificação para os oitavos de final, ou se a Espanha despertará a tempo de justificar o seu estatuto.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A estreia da Espanha na Copa do Mundo terminou em desastre: um empate sem gols contra a estreante Cabo Verde. A campeã europeia mostrou-se lenta e sem criatividade, chocando-se contra uma muralha defensiva disciplinada. O resultado dispara alarmes e profundo ceticismo sobre a capacidade da equipe de ir longe, ecoando decepções passadas.
Cabo Verde anunciou-se no palco mundial com um histórico empate sem golos frente à Espanha. Os estreantes deram uma aula defensiva, com o guarda-redes Vozinha heroico na baliza, para atordoar os campeões europeus. Este resultado é um triunfo para o futebol africano e um momento de imenso orgulho para a pequena nação insular.
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