
Boicote da seleção sul-coreana à mídia local agita véspera de duelo com México
Jogadores suspenderam entrevistas após vazamento de áudio com jornalistas zombando da dispensa militar do capitão Son Heung-min, estrela do Los Angeles FC.
A seleção sul-coreana de futebol, concentrada em Guadalajara para a Copa do Mundo de 2026, impôs um boicote total à imprensa do seu país, suspendendo entrevistas e conferências. O gesto de solidariedade ao capitão Son Heung-min, estrela do Los Angeles FC, eclodiu após a divulgação de um áudio em que jornalistas coreanos, durante um treino aberto em Miami, faziam comentários jocosos sobre a dispensa do serviço militar obrigatório concedida ao atacante. O episódio, captado por um microfone inadvertidamente ligado, transformou a preparação para o duelo contra o México num campo de batalha midiático.
A raiz da polêmica está no estatuto especial de Son. Na Coreia do Sul, todos os homens saudáveis devem cumprir cerca de 21 meses de serviço militar, mas o jogador obteve uma redução drástica ao liderar a conquista da medalha de ouro nos Jogos Asiáticos de 2018. Realizou apenas três semanas de treino básico durante a pausa da Premier League na pandemia. As gravações revelaram jornalistas a ridicularizar essa exceção, com comentários considerados insultuosos. O vazamento gerou indignação no plantel e levou a uma reunião de emergência entre a delegação e representantes da mídia, sem avanços imediatos.
A crise ecoou de forma distinta nas várias regiões do globo. Na Ásia, a imprensa indonésia descreveu uma “guerra fria” entre os Taeguk Warriors e os repórteres, sublinhando o choque cultural. Na Europa, veículos suecos e alemães contextualizaram o peso do alistamento na sociedade sul-coreana e a deceção dos adeptos. Já na América Latina, onde decorre o Mundial, a cobertura argentina enfatizou o “escândalo logístico” que obrigou ao cancelamento de atividades de mídia, enquanto no Brasil se destacou a ironia de o conflito rebentar em solo mexicano, a poucos dias de um jogo decisivo contra os anfitriões.
O boicote expõe a tensão permanente entre as obrigações patrióticas e o estatuto de ídolo global, um dilema que encontra paralelo em países lusófonos com serviço militar obrigatório, como Brasil e Portugal, embora as isenções para atletas de elite sejam raras. À medida que o jogo com o México se aproxima, a incógnita é se a unidade forçada do grupo servirá de combustível anímico ou se a fratura com a imprensa minará a concentração da equipa. Por ora, o silêncio dos jogadores fala mais alto do que qualquer declaração oficial.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A seleção da Coreia do Sul está boicotando jornalistas locais após o vazamento de uma conversa com zombarias a Son Heung-min. Os jogadores demonstram total solidariedade ao capitão, alvo de comentários depreciativos sobre seu serviço militar abreviado. O episódio chocou o público e lança sombras sobre a preparação para a Copa.
Choque e decepção na Coreia do Sul: um vídeo vazado de repórteres zombando do serviço militar de Son Heung-min provoca o rompimento entre a equipe e a mídia. A seleção boicota todas as entrevistas fora das obrigações oficiais, lançando o caos na preparação para a partida contra o México. O episódio é tratado como um grave incidente diplomático interno.
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