
Bélgica goleia EUA em campo e expõe fratura política após FIFA suspender castigo de Balogun
A vitória belga por 4-1 nas oitavas de final contrastou com a rejeição do recurso francês por cartão amarelo de Olise, aprofundando o debate sobre a interferência política no Mundial de 2026.
A seleção belga respondeu dentro das quatro linhas. Com uma atuação dominante em Seattle, goleou os Estados Unidos por 4-1 e eliminou os anfitriões nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026. O resultado encerrou a trajetória americana, mas não apagou a controvérsia que marcou a véspera do jogo: a decisão inédita da FIFA de suspender a punição automática do atacante Folarin Balogun, expulso na partida anterior contra a Bósnia-Herzegovina. A medida, que permitiu ao artilheiro entrar em campo, foi tomada após um telefonema do presidente Donald Trump a Gianni Infantino, presidente da entidade.
Em campo, a Bélgica transformou o descontentamento em energia. Os jogadores belgas, que haviam protestado formalmente contra a liberação de Balogun, celebraram os gols imitando o gesto característico de Trump ao som de “Y.M.C.A.”, numa provocação que ecoou nas redes sociais com a legenda “Overturn this”. Apesar da presença do atacante, a equipe da casa cometeu erros defensivos cruciais e foi amplamente superada. Do outro lado do país, em Foxborough, o técnico francês Didier Deschamps confirmava que a FIFA rejeitara o recurso da Federação Francesa para anular o cartão amarelo de Michael Olise, recebido nos minutos finais da vitória sobre o Paraguai. O meia-atacante do Bayern de Munique, um dos destaques do torneio, entrará em campo contra Marrocos pendurado e poderá desfalcar a França numa eventual semifinal.
A cronologia dos fatos expôs uma contradição que alimentou críticas em várias capitais. Balogun recebeu cartão vermelho direto por uma entrada dura em Tarik Muharemovic. A suspensão automática de um jogo foi suspensa pela FIFA com base no artigo 27 do Código Disciplinar, que prevê um período probatório de um ano. Trump admitiu ter pedido a Infantino que revisasse o caso, classificando a expulsão como “grande injustiça”. Infantino, por sua vez, afirmou que os órgãos disciplinares são independentes. No caso de Olise, a advertência foi mantida mesmo após imagens mostrarem pouco contacto entre o francês e o paraguaio Matías Galarza, que caiu segurando o rosto. A divergência de critérios levou a UEFA a classificar a decisão sobre Balogun como “incompreensível” e “uma linha vermelha ultrapassada”.
A reação política foi imediata e transatlântica. No Parlamento Europeu, mais de 70 deputados, liderados pelos social-democratas Lara Wolters e Niels Fuglsang e pelo liberal Barry Andrews, exigiram que as federações nacionais da UE pressionem a Comissão de Ética da FIFA a investigar se a pressão da administração Trump influenciou a suspensão da pena. A organização de direitos humanos FairSquare anunciou que apresentará queixa ao Comité Olímpico Internacional contra Infantino por “violação repetida das regras de neutralidade política”, citando também a criação do Prémio da Paz da FIFA, entregue a Trump em dezembro. A Federação Norueguesa de Futebol já apoia formalmente a denúncia. Em Washington, o diretor da task force da Casa Branca para o Mundial, Andrew Giuliani, defendeu a intervenção, alegando que o árbitro brasileiro Raphael Claus estivera “ligado a uma investigação sobre manipulação de resultados” – facto que a FIFA e a federação brasileira refutaram, afirmando que Claus apenas testemunhou no caso.
Enquanto o debate sobre a integridade disciplinar se intensifica, o torneio avança. A França, que tenta alcançar a terceira semifinal consecutiva, enfrenta Marrocos com Olise, Manu Koné e Bradley Barcola a um cartão amarelo da suspensão. A Bélgica, por sua vez, prepara o confronto com a Espanha ou a Suíça. A controvérsia deixa um legado regulatório: pela primeira vez na história das Copas, um chefe de Estado interveio publicamente para reverter uma sanção disciplinar, abrindo um precedente que, na análise de juristas europeus, pode fragilizar a autonomia das decisões de campo e convidar futuras pressões políticas sobre os órgãos de justiça desportiva.
| Imprensa atlântica / anglosfera | −0.30 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa iraniana e afins | −0.70 | critical |
| Imprensa russa e CEI | 0.00 | neutral |
| Imprensa latino-americana | −0.20 | neutral |
The United States acknowledge their sporting and political failure, blaming Trump and the development system.
The narrative relies on evidence of poor performance and admission of fault by the federation, making the criticism authoritative.
Iran denounces the corruption of FIFA and Trump, presenting the defeat as deserved punishment.
It uses the language of morality and sporting justice to turn a football event into a political judgment.
Russia observes the diplomatic consequences with detachment, emphasizing the Belgian PM's courtesy.
It reduces the scope of the controversy by emphasizing diplomatic behavior, normalizing the event.
The Russian press omits the widespread mockery of Trump and the calls for investigation into Infantino, focusing only on diplomatic courtesy.
Latin America celebrates the sporting and political revenge, ridiculing Trump and his interference.
It uses irony and mockery to delegitimize Trump's intervention, presenting the victory as just punishment.
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