
Barack Obama vê com cepticismo acordo nuclear entre Trump e Irão
Ex-presidente afirma que novo pacto dificilmente superará o JCPOA e insiste que a diplomacia é preferível a uma guerra total.
Barack Obama manifestou cepticismo quanto à possibilidade de um novo acordo entre os Estados Unidos e o Irão ser “significativamente diferente” ou representar uma “melhoria tangível” em relação ao Plano de Acção Conjunto Global (JCPOA) de 2015, que o ex-presidente ajudou a construir e que o Presidente Donald Trump abandonou. Numa entrevista à cadeia televisiva ABC News, Obama sublinhou que o pacto original “funcionou durante um longo período” antes da retirada norte-americana e defendeu que, perante riscos de guerra, é preferível negociar um acordo que não satisfaça todas as exigências de Washington a não ter acordo algum.
O JCPOA, apoiado internacionalmente mas controverso na cena política interna dos EUA, impunha limites ao programa nuclear iraniano, incluindo restrições ao enriquecimento de urânio e acesso de inspectores internacionais, em troca do alívio de sanções e do descongelamento de activos. A retirada unilateral de Trump em 2018 e a subsequente imposição de sanções máximas mergulharam a região numa crise cíclica, com o Irão a aumentar gradualmente o seu enriquecimento. Agora, enquanto se multiplicam relatos de um memorando de entendimento entre Washington e Teerão, Obama recordou que as soluções impostas pela força ou por bombardeamentos podem parecer tentadoras, mas “é tempo de aprender com o passado”.
Na perspectiva de analistas em Lisboa, a União Europeia — que sempre tentou preservar o acordo — vê com prudência as novas conversações, temendo que um pacto menos abrangente possa minar a arquitectura de não-proliferação. Em Brasília, onde o interesse pelo Médio Oriente tem oscilado, a aposta na via multilateral é encarada como crucial para a estabilidade global, especialmente num momento em que o Brasil procura reposicionar-se como actor diplomático. Também nos países africanos de língua oficial portuguesa, particularmente os produtores de petróleo, a redução das tensões seria bem-vinda, pois a volatilidade nos mercados energéticos afecta directamente as economias da região.
A dúvida de Obama ecoa um argumento pragmático: um acordo que resolva 80 a 90 por cento dos problemas é preferível a um conflito armado. A incógnita permanece, porém, sobre se um eventual entendimento conseguirá ser mais robusto do que o JCPOA ou se, como sugeriu um antigo conselheiro de segurança israelita citado pelo Jerusalem Post, poderá até ser pior. Num contexto em que o mundo lusófono observa com expectativa, fica o alerta do ex-presidente: a história demonstra que a diplomacia, ainda que imperfeita, é o caminho menos oneroso para a paz.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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O ex-presidente americano reconhece que qualquer novo acordo com Teerã dificilmente será melhor que o pacto nuclear de 2015, que seu país abandonou posteriormente. A mídia iraniana enfatiza que mesmo uma solução parcial é preferível a um conflito militar, refletindo uma defesa pragmática do acordo original.
Comentadores de segurança israelenses alertam que o acordo emergente de Trump com o Irã pode ser ainda mais perigoso do que o de 2015, potencialmente restringindo a liberdade de ação de Israel. Argumentam que um mero memorando de entendimento pode ser visto como uma catástrofe que não aborda as verdadeiras ambições nucleares de Teerã.
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