
Adeus a Penelope Keith, a vizinha esnobe que conquistou a comédia britânica
A atriz, que imortalizou Margo Leadbetter em 'The Good Life' e recebeu o título de dama, morreu aos 86 anos em Surrey, deixando um legado que vai do teatro shakespeariano à filantropia.
Em 1963, uma jovem de 23 anos chamada Penelope Anne Constance Hatfield estreou na Royal Shakespeare Company, mergulhando no ciclo histórico "As Guerras das Rosas". Poucos imaginariam que aquela atriz, filha de um major do Exército, se tornaria uma das figuras mais queridas da televisão britânica. Na segunda-feira, 29 de julho, a família anunciou que Dame Penelope Keith — nome artístico que a consagrou — morrera pacificamente em casa, em Surrey, aos 86 anos, após enfrentar um câncer.
O grande público a descobriu em 1975, quando deu vida a Margo Leadbetter, a vizinha rígida e sofisticada de "The Good Life" (exibida no Brasil como "The Good Life" ou "Vida de Inseto"). A sitcom, centrada num casal que troca a rotina urbana pela autossuficiência suburbana, tornou-se um clássico. A interpretação de Keith, que mesclava esnobismo e vulnerabilidade, rendeu-lhe o BAFTA de melhor atriz em 1977. No ano seguinte, repetiu o feito com "The Norman Conquests", adaptação televisiva da trilogia de Alan Ayckbourn. Dois anos depois, consolidou o sucesso com "To the Manor Born", onde interpretou a aristocrata viúva Audrey fforbes-Hamilton, papel que a imprensa britânica considerou um dos mais icónicos da televisão. A imprensa italiana, ao noticiar a morte, sublinhou que a atriz "se tornou um dos rostos mais amados da comédia britânica", enquanto veículos da Malásia e da Austrália recordaram a sua "presença familiar para gerações de espectadores".
Paralelamente, Keith nunca abandonou os palcos. Em 1976, conquistou o Olivier Award pela comédia "Donkeys' Years". Presidiu durante três décadas o Actors' Benevolent Fund, sucedendo a Laurence Olivier, e em 2014 foi nomeada dama pela rainha Elizabeth II pelos serviços às artes e à caridade. A imprensa espanhola descreveu-a como "uma verdadeira instituição do entretenimento britânico", enquanto no Brasil e em Portugal se destacou o seu percurso duplo, entre o humor televisivo e o compromisso social.
A comoção internacional materializou-se num gesto simbólico: os teatros do West End anunciaram que apagarão as luzes por dois minutos na noite de 1.º de julho. A atriz Felicity Kendal, sua colega em "The Good Life", definiu-a como "um génio da comédia". A Society of London Theatre afirmou que Keith será lembrada "como uma das atrizes mais respeitadas da história recente do teatro e da televisão britânicos". Nas redes sociais, fãs de todo o mundo partilharam cenas de Margo a exasperar-se com as extravagâncias dos vizinhos, num eco de uma época em que a comédia sabia rir das convenções sem perder a elegância.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A morte de Dame Penelope Keith provocou homenagens que a celebram como uma figura imponente da comédia britânica. Seus retratos de personagens esnobes, mas cativantes, deixaram uma marca indelével na televisão, e o West End diminuirá as luzes em sua honra.
Penelope Keith, atriz de televisão britânica, morreu aos 86 anos após uma batalha contra o câncer. Ela era mais conhecida por interpretar Margo Leadbetter em The Good Life e ganhou prêmios BAFTA por suas atuações.
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