
Aprovação de Putin cai a pique na Rússia enquanto inquérito global regista transferência de confiança dos EUA para a China
Sondagens do FOM e do VCIOM mostram a queda semanal mais acentuada da popularidade do presidente russo desde o início da guerra, ao mesmo tempo que o Pew Research Center deteta uma viragem na perceção internacional a favor de Pequim.
O índice de aprovação do presidente russo, Vladimir Putin, recuou cinco pontos percentuais numa semana, fixando-se em 66%, segundo o Fundo de Opinião Pública (FOM). Trata-se da descida mais brusca registada por este instituto desde a mobilização parcial de setembro de 2022. O Centro de Estudos da Opinião Pública (VCIOM), que recorre a metodologias telefónicas, também reportou um declínio, embora mais moderado, situando a aprovação em 65,1%. Ambos os organismos, próximos do Kremlin, associam a erosão à combinação de preocupações com a operação militar na Ucrânia — em particular os ataques ao território russo — e ao agravamento da crise no mercado de combustíveis. O VCIOM alterou recentemente a sua técnica de recolha, passando a incluir entrevistas porta a porta, o que, segundo analistas em Moscovo, pode explicar oscilações nos resultados.
A nível global, um inquérito do Pew Research Center, realizado em 36 países entre fevereiro e maio de 2026, indica que a China ultrapassou os Estados Unidos em imagem positiva pela primeira vez em quase duas décadas. Em 25 das nações inquiridas, a perceção favorável de Pequim supera a de Washington, com uma média de 46% de opiniões positivas para a China contra 36% para os EUA. A confiança no presidente chinês, Xi Jinping, também se revela superior à depositada em Donald Trump em 22 países, ainda que ambos os líderes recolham níveis globalmente baixos de credibilidade. Na perspetiva de analistas em Washington, a viragem reflete a recuperação da imagem chinesa no pós‑pandemia e a erosão da avaliação da política externa norte‑americana, incluindo a guerra com o Irão e as tarifas comerciais.
No Brasil, o retrato é de divisão: 46% dos inquiridos têm uma visão favorável da China, enquanto 40% a avaliam negativamente, abaixo da média global de 51% de opiniões positivas. A simpatia é mais acentuada entre os jovens (60% na faixa dos 18 aos 34 anos) e entre os que se identificam com a esquerda ou o centro. Contudo, 66% dos brasileiros afirmam não confiar em Xi Jinping, e uma percentagem idêntica considera que Pequim não respeita as liberdades individuais. Observadores em Brasília notam que a dualidade reflete a densa relação comercial com a China — principal parceiro do agronegócio — e a cautela face à influência política de um regime autoritário. Nos países africanos de língua portuguesa, onde a presença económica chinesa é significativa, o inquérito do Pew não incluiu amostras nacionais, mas diplomatas em Lisboa sublinham que a tendência de melhoria da imagem chinesa nos países em desenvolvimento é consistente com os dados da América Latina e do Sudeste Asiático.
O Kremlin não comentou os novos números das sondagens. A queda da popularidade de Putin, que em 2022 disparara 14,7 pontos após o início da invasão, ocorre num momento de restrições à internet e de bloqueio de plataformas como o Telegram, fatores que, segundo sociólogos russos, podem estar a amplificar o descontentamento latente. A conjugação dos dados internos com a recomposição das perceções globais desenha um cenário em que a liderança russa enfrenta um desgaste doméstico sem precedentes na guerra, enquanto o seu principal parceiro estratégico, a China, consolida uma posição de maior centralidade na opinião pública mundial. O próximo ciclo de inquéritos do FOM e do VCIOM deverá confirmar se a trajetória descendente se mantém, num contexto em que o Governo russo ainda não apresentou medidas para estabilizar o mercado de combustíveis.
| Imprensa russa e CEI | 0.00 | neutral |
|---|---|---|
| Imprensa europeia continental | −0.80 | critical |
| Imprensa do Sudeste Asiático | +0.80 | aligned |
A Rússia mantém a estabilidade: a taxa de aprovação do presidente permanece alta; uma ligeira queda não altera o quadro geral de apoio público.
Os números são apresentados como estatísticas rotineiras, não como um sinal de alarme, minimizando assim a importância da queda.
A pesquisa global que mostra a imagem da China superando os EUA é omitida, concentrando-se apenas na queda da classificação doméstica.
A classificação de Putin está a desabar a uma velocidade recorde, revelando o verdadeiro custo da guerra e a erosão da confiança pública.
Ao destacar a velocidade da queda e compará-la com a crise de mobilização, a narrativa enquadra o declínio como um veredicto sobre a legitimidade do regime.
A pesquisa global que mostra a imagem da China superando os EUA é omitida, concentrando-se apenas na queda da classificação doméstica.
O mundo está a voltar-se para a China: a confiança global agora favorece Pequim em relação a Washington, confirmando uma mudança histórica na perceção internacional.
Os dados da pesquisa Pew são apresentados como uma tendência objetiva, mas a seleção de países e o enquadramento da 'confiança' reforçam a narrativa da ascensão inevitável da China.
A queda recorde na taxa de aprovação de Putin é omitida, concentrando-se apenas na pesquisa global sobre a China e os EUA.
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