
Após 7 a 1, técnico do Curaçao mantém orgulho e espera 'surpresas' na Copa
Dick Advocaat, o treinador mais velho da história dos Mundiais, vê a goleada frente à Alemanha como parte de uma estreia histórica e promete reação no Grupo E.
A estreia de Curaçao em Copas do Mundo terminou com um sonoro 7 a 1 frente à Alemanha, mas o técnico Dick Advocaat, de 78 anos, o mais velho da história dos Mundiais, não escondeu a emoção e o orgulho por ter conduzido a pequena nação caribenha ao palco máximo do futebol. Apesar do placar elástico, construído depois de um efémero empate a um golo, o treinador holandês insistiu que a sua equipa "não tem de se envergonhar" e que ainda pode "fazer surpresas" nas próximas jornadas do Grupo E. A derrota, longe de abalar o discurso da comitiva, foi reenquadrada como um degrau na aprendizagem de um plantel que jamais havia enfrentado um adversário desta envergadura.
Na perspetiva de Brasília, o resultado evoca inevitavelmente os 7 a 1 sofridos pelo Brasil em 2014, mas analistas brasileiros sublinham que o contexto é radicalmente distinto: para Curaçao, a simples presença no torneio é um feito histórico, e a goleada é absorvida como rito de passagem. A imprensa do Brasil destacou o momento em que Advocaat se levantou para celebrar o golo de Livano Comenencia, que igualou a partida depois de Felix Nmecha abrir o marcador, antes de a superioridade tetracampeã se impor com golos de Schlotterbeck, Havertz (dois), Musiala, Brown e Undav. A leitura predominante é a de que o orgulho nacional não se mede pelo resultado, mas pela ousadia de chegar à fase final.
Na Ásia, a cobertura foi ampla e carregada de simbolismo. Em Jacarta, vários jornais repercutiram as declarações do treinador e chamaram a atenção para os laços coloniais que unem Indonésia, Curaçao e Países Baixos — uma herança que se reflete na escolha de Advocaat e na presença de jogadores com dupla nacionalidade. Ecos semelhantes chegaram da Índia, onde a imprensa descreveu a jornada da seleção caribenha como um "sonho que continua vivo" e sublinhou que Advocaat rejeitou explicitamente a palavra "vergonha", propondo antes transformar a experiência num "belo torneio".
Em Lisboa, a cobertura realçou a dimensão simbólica da participação de Curaçao, estabelecendo paralelismos com as seleções lusófonas africanas que também fizeram a sua estreia mundialista recente, como Angola em 2006. O discurso de Advocaat ecoa uma narrativa comum a essas equipas: a convicção de que a simples presença na fase final já é uma vitória, mas que é possível almejar a surpresas mesmo depois de um desaire pesado. O treinador, que se emocionou antes do pontapé de saída, admitiu que a equipa cometeu erros infantis, mas reiterou que isso não mancha a honra da campanha.
Curaçao volta a entrar em campo com a promessa de dar uma resposta, e Advocaat, escudado na sua vasta experiência, acredita que os dois jogos restantes do grupo permitirão "fazer um belo torneio". Ainda que a diferença de qualidade seja patente, a atitude de resiliência do selecionador e o simbolismo do país mais pequeno do torneio continuam a cativar um público global. Para observadores em três continentes, esta seleção caribenha representa muito mais do que um mero saco de pancada: é a prova de que o futebol de alto nível também se escreve com a teimosia dos sonhadores.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A estreia de Curaçao na Copa do Mundo terminou com uma goleada de 7 a 1 para a Alemanha, mas o técnico Dick Advocaat, que se emocionou e chorou antes do jogo, continua acreditando que a equipe ainda pode surpreender. A seleção caribenha não tem motivo para se abater.
A Alemanha demoliu o estreante Curaçao por 7 a 1, trazendo à tona memórias de goleadas infames em Copas. A eficiência impiedosa da Mannschaft expôs o abismo entre as equipes, tornando as lágrimas do velho técnico antes do jogo não mais que uma nota de rodapé.
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