
Apelos à morte de Trump inflamam funeral do líder supremo iraniano Khamenei
Discurso inflamado de poeta xiita exige morte de Trump; novo líder supremo ausente por segurança e Teerão adverte europeus sobre o Estreito de Ormuz.
No funeral do aiatola Ali Khamenei, decorrido domingo em Teerão, o poeta Mohammad Rasouli pediu a morte do presidente norte-americano Donald Trump perante centenas de milhares de enlutados. A intervenção, que incluiu perguntas como “por que razão o homem mais canalha do mundo ainda está vivo?”, desencadeou cânticos de “Morte à América” e “Morte a Israel”, marcando a primeira vez que um mestre de cerimónias incita diretamente ao assassínio do inquilino da Casa Branca durante os rituais fúnebres do regime. Cartazes e grafitis com apelos idênticos contra Trump e o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, já eram visíveis no local, mas a retórica de Rasouli elevou o tom num momento em que Teerão e Washington negoceiam um fim permanente para a guerra que interrompeu o fornecimento global de energia.
Apesar de o Governo iraniano negar planos oficiais para assassinar Trump, responsáveis norte-americanos têm monitorizado ameaças de facções linha-dura desde que o então presidente ordenou, em 2020, a morte do general Qassem Soleimani, comandante da Força Quds da Guarda Revolucionária. O próprio Trump, que no mesmo dia discursava em Washington na celebração do 250.º aniversário da independência dos EUA, declarou ter “varrido do mapa” as forças armadas iranianas. A ausência do novo líder supremo, aiatola Mojtaba Khamenei, filho do falecido, alimentou especulações: ferido no ataque aéreo que vitimou o pai e ameaçado por Israel, permaneceria escondido, o que fragiliza a sucessão e abre interrogações sobre a estabilidade da teocracia.
Na perspetiva de Brasília, o recrudescer da retórica hostil num momento sensível das negociações é observado com apreensão, dado o potencial de volatilidade nos preços do petróleo – o Brasil é exportador relevante e a Petrobras ajusta as suas cotações ao mercado global. Observadores em Lisboa sublinham que a instabilidade no Estreito de Ormuz, por onde transita cerca de um quinto do petróleo e gás natural mundiais, coloca em risco a segurança energética europeia, já fragilizada pelo corte do fornecimento russo. O negociador iraniano, Kazem Gharibabadi, advertiu mesmo França e Reino Unido contra o envio de patrulhas conjuntas para a via marítima, sinal de que Teerão pretende usar o controlo do estreito como trunfo negocial.
A cerimónia fúnebre, adiada durante o conflito que eclodiu no final de fevereiro, prolongar-se-á por vários dias e é vista como instrumento de coesão interna em torno do novo líder e da linha revolucionária. A dimensão da multidão – superior à do dia anterior – sugere que o regime conseguiu mobilizar uma base significativa de apoio. Contudo, a ausência de Mojtaba Khamenei e as ameaças israelitas pesam sobre o processo de transição, enquanto as conversações indiretas entre Irão e EUA permanecem suspensas. Até ao encerramento do funeral, esperado para o início da semana, novos gestos ou declarações poderão ditar o ritmo das negociações.
| Imprensa indiana e sul-asiática | −0.30 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa latino-americana | 0.00 | neutral |
| Imprensa chinesa | 0.00 | neutral |
| Imprensa israelense | −0.70 | critical |
India and South Asia view Iran's double standard with skepticism: while negotiating, it incites murder.
Juxtaposing the funeral rhetoric with ongoing negotiations makes Iran appear hypocritical and unreliable.
Latin America records the facts without taking sides: the poet spoke, the crowd cheered.
By avoiding any contextualization or judgment, the report normalizes the event as just another news item.
It omits the context of ongoing negotiations between Iran and the United States, which would highlight the contradiction.
China reports cautiously, using circumlocution to dampen the provocative charge.
Through euphemistic paraphrasing, the tone is lowered and direct confrontation is avoided.
It omits the more explicit chants like 'Death to America' and 'Death to Israel', softening the verbal violence.
Israel warns that Iran has turned mourning into a platform of hatred: the call to kill Trump is a direct threat to global security.
By highlighting the explicit appeal and the crowd's enthusiasm, an image of Iran as an irrational aggressor is constructed, justifying a hardline response.
It does not mention that Khamenei was killed in a US airstrike, an omission that would have provided context for Iranian reactions.
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