
Andy Burnham, o 'Rei do Norte', posiciona-se para suceder Starmer na liderança do Labour
Veterano político reinventado como defensor das regiões, Burnham venceu eleição suplementar e capitaliza descontentamento com o governo central para disputar o comando do partido e o cargo de primeiro-ministro.
A demissão de Keir Starmer do cargo de primeiro-ministro do Reino Unido, noticiada por veículos internacionais, desencadeou uma corrida pela liderança do Partido Trabalhista. Andy Burnham, atual presidente da Câmara da Grande Manchester e recém-eleito deputado por Makerfield numa eleição suplementar, confirmou a intenção de disputar o posto. A vitória folgada sobre o candidato do Reform UK, partido anti-imigração, foi interpretada por analistas em Londres como um sinal de que o eleitorado do norte inglês vê em Burnham uma alternativa viável ao centralismo atribuído a Starmer.
Burnham, 56 anos, construiu uma trajetória que combina experiência ministerial — foi secretário de Estado da Cultura e da Saúde nos governos de Tony Blair e Gordon Brown — com uma imagem de outsider regional. Após duas derrotas em disputas internas pela liderança trabalhista, em 2010 e 2015, deixou Westminster em 2017 para assumir a prefeitura da Grande Manchester. Na perspetiva de observadores em Lisboa, a sua reorientação para a política local ecoa estratégias de líderes autárquicos que ganham projeção nacional ao entregar resultados concretos. Durante a pandemia de covid-19, os confrontos públicos com o então primeiro-ministro conservador Boris Johnson, a quem acusou de uma abordagem “centrada em Londres”, valeram-lhe a alcunha de “Rei do Norte”, inspirada na série Game of Thrones.
A plataforma de Burnham, autodesignada “Manchesterism”, propõe transferir para a escala nacional o modelo de regeneração urbana, controlo público dos transportes e defesa dos interesses regionais que aplicou em Manchester. A sua retórica de proximidade — veste-se informalmente, joga futebol e atua como DJ — e o apoio à campanha por justiça para as vítimas do desastre de Hillsborough reforçam a perceção de um político “do povo”. Em Brasília, a ascensão de uma figura regional com discurso antielitista é acompanhada com interesse, num momento em que o Brasil debate o peso das lideranças estaduais na política federal. Nos países africanos de língua oficial portuguesa, onde o modelo de governação descentralizada é frequentemente discutido, a experiência de Manchester é citada como exemplo de reforço do poder local.
Apesar do capital político acumulado, permanece a dúvida sobre a capacidade de Burnham de projetar a sua popularidade para além do norte de Inglaterra. Académicos como Tim Bale, da Queen Mary University of London, notam que a alcunha de “Rei do Norte” pode limitar a sua aceitação no sul e no leste do país. O Partido Trabalhista, que sofreu uma queda acentuada de popularidade desde a vitória eleitoral de Starmer há dois anos, enfrenta um processo de escolha de líder cujo calendário ainda não foi formalizado. A decisão caberá aos filiados e deputados trabalhistas, num contexto de pressão para reconquistar eleitores desiludidos com a economia do “gotejamento” que Burnham promete encerrar.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Andy Burnham, outrora um insider político, reinventou-se como presidente da Câmara da Grande Manchester, conquistando o título de 'Rei do Norte' ao criticar as políticas centradas em Londres. Após a demissão de Starmer, é agora o favorito para se tornar primeiro-ministro, trazendo uma perspetiva regional ao centro do poder.
Andy Burnham, veterano político que se reinventou como outsider, é conhecido como o 'Rei do Norte' e apresenta-se como um homem comum afável, que prefere t-shirts, joga futebol e passa música dos anos 90. Após a saída de Starmer, mira agora Downing Street, capitalizando a sua imagem de homem do povo.
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