
Líder do Irã diz que assinatura de Trump 'não vale nada' e ameaça EUA
Mojtaba Khamenei acusa Washington de violar acordo de cessar-fogo e promete 'lições inesquecíveis', enquanto ataques mútuos se intensificam no Oriente Médio.
O líder supremo do Irã, aiatolá Mojtaba Khamenei, declarou neste sábado (18) que a assinatura do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no memorando de entendimento firmado entre os dois países "não tem valor algum e é totalmente desprovida de credibilidade". A declaração, divulgada em comunicado escrito, ocorre após o colapso do cessar-fogo mediado por Catar e Paquistão e a retomada de ataques aéreos mútuos, que já deixaram ao menos 16 militares americanos mortos desde o início do conflito, em fevereiro.
Na perspetiva de Teerã, os Estados Unidos violaram repetidamente o acordo de 14 pontos assinado em junho, que previa a reabertura do Estreito de Ormuz e negociações sobre o programa nuclear iraniano. O vice-ministro das Relações Exteriores, Kazem Gharibabadi, anunciou que o Irã suspendeu todos os seus compromissos com o memorando, acusando Washington de descumprir o pacto. Khamenei classificou os EUA como "Grande Satã" e afirmou que a "Frente de Resistência" — rede de aliados regionais — aplicará "lições inesquecíveis" caso os bombardeios prossigam. Já o Comando Central dos EUA (Centcom) justifica os ataques como retaliação a ofensivas iranianas contra bases americanas na Jordânia e no Kuwait, e como medida para degradar a capacidade de Teerã de ameaçar a navegação comercial no estratégico estreito.
A escalada militar das últimas 48 horas ampliou o escopo dos alvos. Os EUA atingiram pontes, centrais elétricas e estações de dessalinização no sul do Irã, deixando cerca de 20 vilarejos sem água potável, segundo a TV estatal iraniana. Em resposta, Teerã atacou infraestruturas civis no Kuwait — incluindo uma instalação petrolífera e uma planta de dessalinização — e reivindicou ações contra bases no Bahrein e na Jordânia, onde dois soldados americanos morreram. O aeroporto internacional do Kuwait chegou a suspender operações. Observadores em Lisboa e Brasília acompanham com apreensão o agravamento da crise, dado o risco de disrupção no fornecimento global de petróleo, uma vez que o Estreito de Ormuz é responsável pelo trânsito de cerca de um quinto do petróleo e gás comercializados no mundo.
O memorando de entendimento, assinado em Islamabad há cerca de um mês, foi concebido como um passo inicial para encerrar a guerra iniciada em 28 de fevereiro com um ataque surpresa de EUA e Israel. O texto previa a reabertura total do estreito, mas divergências sobre a interpretação de cláusulas que permitiriam ao Irã administrar o tráfego e cobrar taxas reacenderam as hostilidades. Teerã insiste que a rota alternativa utilizada por navios constitui violação do acordo; Washington e aliados rejeitam essa leitura. Com o Irã a suspender a sua participação no pacto e os EUA a prometerem novos ataques para "punir rapidamente" a Guarda Revolucionária, as perspetivas de uma saída diplomática imediata são reduzidas. A comunidade internacional, incluindo potências europeias e países lusófonos dependentes de importações energéticas, observa com crescente alarme a possibilidade de o conflito se alastrar, com relatos de que os houthis do Iêmen poderão fechar o estreito de Bab al-Mandeb em solidariedade ao Irã.
| Imprensa latino-americana | −0.20 | neutral |
|---|---|---|
| Imprensa atlântica / anglosfera | 0.00 | neutral |
| Imprensa israelense | −0.30 | critical |
O Irã é vítima das violações dos EUA, e sua ameaça de uma lição inesquecível é uma resposta justificada à agressão americana.
Ao enquadrar os EUA como o violador repetido e o Irã como a parte lesada, a narrativa cria uma assimetria moral que legitima a postura de retaliação iraniana.
A narrativa omite qualquer menção a ações iranianas que possam ter provocado os ataques dos EUA, como supostas violações do cessar-fogo pelo Irã ou seus proxies, o que complicaria a narrativa da vítima.
O conflito entre EUA e Irã está escalando; ambos os lados estão atacando, e o líder iraniano fez fortes acusações contra os EUA.
Ao apresentar os eventos como uma sequência direta de ações e reações sem julgamento moral, a narrativa parece objetiva, mas normaliza implicitamente o ciclo de violência.
A narrativa omite o contexto completo das queixas iranianas, como as violações específicas dos EUA, e também omite a forte retórica anti-americana como 'Grande Satã' que destacaria a hostilidade ideológica iraniana.
A liderança iraniana é um ator perigoso que emprega retórica anti-americana e ameaça escalada; suas acusações fazem parte de um padrão de hostilidade.
Ao destacar o epíteto 'Grande Satã' e a ameaça de 'lições inesquecíveis', a narrativa personifica o Irã como um estado irracional e agressivo, justificando uma resposta dura.
A narrativa omite qualquer menção às violações dos EUA ao acordo que poderiam fornecer contexto para a raiva iraniana, e não inclui a perspectiva iraniana de que os EUA são o agressor.
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