
Alertas falsos da Defesa Civil e deepfakes expõem escalada de golpes digitais em três continentes
Investigações no Brasil, Colômbia e Rússia revelam esquemas que vão da clonagem de sistemas de emergência à criação de vídeos manipulados por inteligência artificial, enquanto governos correm para reforçar a segurança de plataformas oficiais.
Moradores de seis capitais brasileiras receberam na noite de 19 de julho alertas de emergência com as palavras “misantropia” e “ataque alienígena”, disparados por meio da plataforma nacional da Defesa Civil. Segundo o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, as mensagens partiram de credenciais de agentes do Pará, e a Polícia Federal investiga se as senhas foram obtidas por hackers na deep web. O episódio, que atingiu São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Belo Horizonte, Curitiba e Rio Branco, levou a pasta a restringir o acesso ao sistema apenas à rede interna e a exigir verificação via gov.br, além de anunciar uma nova plataforma para julho.
Na Colômbia, a Secretaria Distrital de Segurança de Bogotá emitiu um alerta sobre uma fraude semelhante na Terminal Norte: criminosos publicam números falsos em buscadores como o Google, fazendo-se passar por canais oficiais de venda de passagens. Uma vítima transferiu 95 mil pesos colombianos por uma suposta reserva para Bucaramanga que nunca existiu. As autoridades locais reforçaram que a terminal não comercializa bilhetes por WhatsApp e orientam os cidadãos a verificar a autenticidade de páginas e linhas telefônicas antes de qualquer pagamento.
Na Rússia, o Centro de Perícia Digital da Roskachestvo identificou dois novos esquemas. No primeiro, grupos que imitam comunidades oficiais de universidades convencem candidatos a preencher formulários em sites falsos, roubando logins e senhas do portal de serviços públicos Gosuslugi. No segundo, sites fraudulentos oferecem notificações sobre ataques de drones; após o cadastro, a vítima recebe uma mensagem forjada de invasão da conta e é induzida a ligar para um falso suporte, onde pode ser acusada de financiar terrorismo ou pressionada a transferir dinheiro. A empresa de cibersegurança F6, citada por agências russas, alerta que os links são disseminados em canais de Telegram e chats de bairro.
Paralelamente, a detecção de deepfakes ganhou uma ferramenta de uso público. O aplicativo RealCheck, disponível para iOS e Android, analisa vídeos, áudios e transcrições em busca de indícios de manipulação, atribuindo probabilidades de alteração e sinalizando possíveis intenções fraudulentas. Desenvolvido pela empresa romena Bitdefender, o sistema não oferece um veredito binário, mas um relatório contextual que pode ajudar o usuário a decidir antes de compartilhar ou agir. Especialistas ouvidos pela imprensa argentina ressaltam que nenhuma ferramenta substitui a verificação de fontes originais e a desconfiança diante de promessas de ganhos rápidos.
No Brasil, o governo federal lançou uma nova fase do Programa Celular Seguro, com envio de mensagens preventivas a regiões de altos índices de furto e roubo de aparelhos. A iniciativa orienta sobre o cadastro de pessoas de confiança e a consulta ao Imei antes da compra, e informa sobre o recém-criado Banco Nacional de Celulares com Restrição. As autoridades reforçam que comunicações oficiais jamais contêm links abertos e não solicitam dados pessoais por WhatsApp. As investigações sobre os alertas falsos da Defesa Civil continuam, sem que se tenha confirmado até o momento se os disparos partiram dos titulares das contas ou de terceiros que as invadiram.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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As autoridades russas estão alertando os cidadãos sobre novos esquemas de fraude telefônico, incluindo chamadas falsas sobre substituição de interfone e alertas de ataque de drones. Os golpistas induzem as vítimas a revelar dados pessoais e depois se passam por policiais para roubar dinheiro. O Ministério do Interior e as empresas de segurança cibernética estão expondo ativamente esses métodos.
Os Correios da Argélia emitiram um alerta urgente sobre fraudes eletrônicas direcionadas aos usuários do aplicativo Baridi Mob. Os clientes são avisados para não compartilhar informações bancárias ou códigos OTP com chamadas suspeitas. Se um código for compartilhado, os usuários devem alterar imediatamente a senha e desativar os serviços para evitar o roubo da conta.
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