
Adiadas negociações EUA-Irã na Suíça após ataques israelitas no Líbano
Irão condiciona diálogo ao cessar-fogo no Líbano, enquanto Washington e Telavive divergem sobre operações militares, lançando incerteza sobre o acordo nuclear e a reabertura de Ormuz.
A ronda negocial entre Estados Unidos e Irão prevista para esta sexta-feira no resort suíço de Bürgenstock foi suspensa, confirmou o Ministério dos Negócios Estrangeiros helvético, sem anunciar nova data. O vice-presidente norte-americano, JD Vance, cancelou a deslocação à Europa, e a delegação iraniana não chegou a partir de Teerão. O adiamento ocorre 48 horas após a assinatura de um memorando de entendimento de 14 pontos que estabeleceu um cessar-fogo de pelo menos 60 dias e um quadro para negociar o programa nuclear iraniano, o alívio de sanções e a reabertura do estreito de Ormuz.
Segundo fontes diplomáticas em Teerão e mediadores regionais, o Irão condicionou o envio da sua equipa à cessação imediata das operações militares israelitas no sul do Líbano, invocando a cláusula do memorando que exige o fim permanente das hostilidades em todas as frentes, incluindo o território libanês. A Casa Branca atribuiu a suspensão a dificuldades logísticas, sublinhando que a delegação norte-americana estava pronta a partir. Israel, que não é parte no acordo, intensificou os ataques contra posições do Hezbollah — aliado de Teerão —, causando dezenas de mortos, enquanto o movimento xiita reivindicou a destruição de blindados israelitas. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu declarou que as tropas permanecerão numa “zona de segurança” no sul do Líbano enquanto as necessidades de segurança o exigirem.
Na perspetiva de Washington, o impasse expõe fissuras na relação com Telavive: o presidente Donald Trump terá repreendido Netanyahu por quase fazer descarrilar o memorando, segundo fontes próximas da Casa Branca. Ao mesmo tempo, legisladores republicanos questionam se a administração concedeu demasiado a Teerão, ao aceitar um alívio substancial de sanções, o descongelamento de ativos e a criação de um fundo de reconstrução de 300 mil milhões de dólares, sem alcançar os objetivos iniciais de desmantelamento nuclear. Em Teerão, o líder supremo, ayatollah Mojtaba Khamenei, descreveu a assinatura do acordo como um gesto de “desespero” americano e advertiu que o Irão não aceitará exigências excessivas nas conversações nucleares.
A suspensão das conversações reintroduz incerteza sobre a trajetória do preço do petróleo, que recuara cerca de 9% esta semana com a expectativa de normalização do tráfego em Ormuz. Para economias lusófonas importadoras de combustíveis, como a brasileira e a portuguesa, a volatilidade cambial e os custos logísticos permanecem sensíveis a qualquer perturbação na via marítima. A Suíça mantém o dispositivo de segurança e os trabalhos preparatórios em Bürgenstock, enquanto os mediadores — Catar e Paquistão — tentam obter garantias de cessar-fogo no Líbano. Não há confirmação oficial de nova data, embora fontes diplomáticas europeias admitam a hipótese de as conversações serem retomadas na segunda-feira, caso a situação no terreno o permita.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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As conversações planejadas entre EUA e Irã na Suíça foram adiadas devido aos novos ataques israelenses no Líbano. Teerã exigiu garantias de cessação dos combates como condição para prosseguir, e os mediadores tentam agora resolver o impasse.
O encontro de sexta-feira entre EUA e Irã na Suíça não ocorreu; Washington citou complicações logísticas e o vice-presidente Vance cancelou a viagem. O adiamento aprofundou a incerteza sobre a possibilidade de uma trégua duradoura.
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