
Acordo Irão-EUA assinado digitalmente: texto pode ser divulgado antes de cimeira em Genebra
Memorando põe fim a 84 dias de guerra, mas divergências com Israel, ceticismo da CIA e polémica sobre fundo de reconstrução marcam o pré-acordo.
O acordo entre Washington e Teerão, assinado digitalmente na segunda-feira, será formalizado em Genebra na próxima sexta-feira, 19 de junho, com a presença do vice-presidente norte-americano JD Vance e do negociador-chefe iraniano Mohammad-Bagher Ghalibaf. Vance afirmou à Fox News que Donald Trump poderá divulgar o texto do memorando antes da cerimónia, enquanto a Casa Branca promete publicar os detalhes completos nas próximas 24 a 48 horas. O documento, descrito como um memorando de entendimento com não mais de uma página e meia, estabelece a “cessação imediata e permanente das operações militares em todas as frentes, incluindo o Líbano”, encerrando um conflito de 84 dias que reconfigurou o equilíbrio de forças no Médio Oriente.
A polémica sobre o financiamento da reconstrução iraniana dominou as reações. O Financial Times noticiou que a administração Trump estaria disposta a autorizar um fundo de 300 mil milhões de dólares para o Irão, mas o presidente classificou a informação como “fake news”. Vance esclareceu que o acordo não prevê “um único cêntimo de dinheiro americano”, mas sim a possibilidade de outros países contribuírem para o fundo caso Teerão cumpra as obrigações de alívio de sanções e integração económica. Em paralelo, o sindicato marítimo iraniano alertou que o Estreito de Ormuz “nunca voltará às condições anteriores ao conflito”, sinalizando impactos duradouros nas rotas globais de petróleo — um dado que, na perspetiva de Brasília e de Luanda, pode favorecer exportadores alternativos como Brasil e Angola, enquanto preocupa importadores como Portugal.
A reação de Israel introduz uma nota de incerteza. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu admitiu que ele e Trump “não veem olho no olho” sobre o acordo, e fontes da Casa Branca indicaram que o memorando não inclui a retirada condicional israelita do Líbano. Vance, contudo, mostrou-se confiante de que Israel “acabará por aceitar” o entendimento. A CIA, segundo o site Axios, mantém ceticismo quanto às intenções nucleares iranianas, ecoando as reservas de analistas em Lisboa, que sublinham a necessidade de mecanismos de verificação robustos para evitar que o alívio de sanções permita a Teerão retomar o enriquecimento de urânio sem controlo internacional.
O acordo-quadro representa um primeiro passo para uma nova arquitetura de segurança regional, mas o seu sucesso depende de negociações futuras que detalharão os compromissos. A cimeira de Genebra será um teste à capacidade de Washington e Teerão transformarem um cessar-fogo num entendimento duradouro, num contexto em que as desconfianças de Israel e as dúvidas dos serviços de informações ocidentais pesam sobre o otimismo da Casa Branca. Para os países lusófonos, a estabilização do Médio Oriente teria efeitos ambivalentes: aliviaria a pressão sobre os preços da energia para Portugal, mas poderia reduzir a janela de oportunidade para as exportações petrolíferas de Brasil e Angola, que beneficiaram da crise.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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O acordo EUA-Irã inaugura um novo dia para o Oriente Médio. Nenhum dinheiro dos contribuintes americanos irá para a reconstrução iraniana; Teerã só pode acessar um fundo de 300 bilhões de dólares se cumprir suas obrigações. O acordo é retratado como um triunfo diplomático.
O acordo digital entre Irã e EUA será formalmente assinado na sexta-feira em Genebra, mas os detalhes permanecem secretos. O vice-presidente Vance diz que Israel acabará por aceitá-lo, enquanto Trump nega uma contribuição americana de 300 mil milhões. No entanto, as preocupações israelitas persistem, a CIA está cética quanto às intenções nucleares de Teerão e os sindicatos marítimos iranianos alertam que o Estreito de Ormuz nunca voltará às condições anteriores à guerra. O acordo é recebido com cautela e alarme.
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