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A última batida de Tay Keith: o produtor que moldou o hip-hop morre aos 29 anos

Encontrado sem vida após publicar um vídeo inquietante, o arquiteto sonoro de Memphis deixa um legado de 11 canções no top 10 e uma legião de fãs lusófonos que dançaram ao som de 'Sicko Mode'.

Na tarde de quinta-feira, 18 de junho, o produtor norte-americano Tay Keith publicou um vídeo nas redes sociais que, em poucas horas, se tornaria o prenúncio de uma tragédia. “Cada dia fica mais difícil, mas tento fazer o melhor para seguir em frente. Ninguém se preocupa realmente comigo, apenas com os meus beats”, escreveu. Horas depois, agentes da Polícia Metropolitana de Nashville, acionados para uma verificação de rotina, encontraram o seu corpo sem vida no apartamento da Martin Street. As autoridades afirmaram não haver indícios de crime, mas a causa da morte permanece por classificar, aguardando os resultados da autópsia. A possibilidade de suicídio, ventilada por veículos mexicanos como o Excelsior, ecoa uma dor anterior: em 2021, Keith perdera a mãe, um golpe que, segundo pessoas próximas, o abalou profundamente.

Brytavious Lakeith Chambers, nascido no sul de Memphis, começou a produzir batidas aos 14 anos, partilhando as primeiras criações no YouTube e no DatPiff. A parceria com o rapper BlocBoy JB, forjada na adolescência, revelou-se o trampolim para o estrelato: o single “Look Alive”, com a participação de Drake, atingiu o quinto lugar da Billboard Hot 100 em 2018 e apresentou ao mundo a sua assinatura sonora — graves densos, baterias agressivas e uma fusão do trap de Atlanta com a crueza das ruas de Memphis. No mesmo ano, co-produziu “Sicko Mode”, de Travis Scott, canção que liderou as tabelas norte-americanas e lhe valeu a primeira nomeação aos Grammy. Seguiram-se colaborações com Beyoncé (“Before I Let Go”), Eminem (“Not Alike”), Drake (“Nonstop”) e, mais recentemente, a produção de “Pound Town”, que catapultou Sexyy Red para a ribalta. Apesar do sucesso comercial, Keith concluiu a licenciatura na Middle Tennessee State University — um feito que descrevia como o seu maior orgulho — e fundou o estúdio DRUMATIZED, em Nashville, um centro criativo de apoio a talentos emergentes e um dos raros espaços do género pertencentes a um afro-americano na cidade.

O impacto da sua obra transcendeu fronteiras. Com 11 temas no top 10 da Hot 100 e quatro números um, Keith detinha o recorde de mais canções no primeiro lugar da Hot R&B/Hip-Hop Songs na presente década. Na perspetiva de analistas musicais em São Paulo, as suas produções infiltraram-se nos bailes funk e nas playlists de hip-hop brasileiro, influenciando uma geração de beatmakers que reconhecem na crueza das suas batidas um parentesco com a estética do funk carioca. Em Lisboa, críticos sublinham que a sua sonoridade ajudou a redefinir o mainstream do rap, aproximando-o das texturas do sul dos Estados Unidos. Em Angola e Moçambique, produtores locais encontraram na sua linguagem rítmica um modelo para hibridizar o trap com as cadências da kizomba e do afrohouse, num diálogo que a revista Billboard, ao nomeá-lo um dos melhores produtores do século XXI, tacitamente reconheceu.

A comoção após a morte extravasou o círculo profissional. BlocBoy JB publicou no Instagram uma captura de ecrã das chamadas recentes e escreveu: “Falávamos todos os dias. Não me disseste que ias embora”. O produtor Hitkidd, também de Memphis, confessou: “Nem tenho palavras, fazemos isto desde 2010”. O presidente da câmara de Memphis, Paul Young, partilhou uma fotografia com Keith e uma mensagem de despedida. No Brasil, fãs inundaram as redes com homenagens, enquanto a imprensa portuguesa recuperava entrevistas em que o produtor falava da influência da sua cidade natal. A dimensão trágica do vídeo derradeiro reacendeu, em vários países lusófonos, o debate sobre a saúde mental na indústria musical, tantas vezes ofuscada pelo brilho dos holofotes.

Fica a etiqueta que abria tantas faixas — “Tay Keith, fuck these n****s up” —, agora silenciada, mas ainda a reverberar nos auscultadores de milhões. No estúdio DRUMATIZED, em Nashville, o som das consolas permanece ligado, à espera de novas vozes que o fundador já não poderá guiar.

Como a mesma história é contada em outros lugares.

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distaccopragmatismo

O produtor musical Tay Keith foi encontrado morto em seu apartamento em Nashville durante uma verificação de bem-estar. A polícia não suspeita de crime e a causa da morte permanece desconhecida. Ele era conhecido por colaborações com Travis Scott e Drake.

Stampa europea continentale/ nordica
distaccopragmatismo

O produtor indicado ao Grammy Tay Keith, que trabalhou com Beyoncé, Drake e Travis Scott, morreu aos 29 anos. A polícia o encontrou em seu apartamento e não vê sinais de crime. Sua carreira incluiu um lugar na lista Forbes 30 Under 30 e vários hits no topo das paradas.

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sexta-feira, 19 de junho de 2026

A última batida de Tay Keith: o produtor que moldou o hip-hop morre aos 29 anos

Encontrado sem vida após publicar um vídeo inquietante, o arquiteto sonoro de Memphis deixa um legado de 11 canções no top 10 e uma legião de fãs lusófonos que dançaram ao som de 'Sicko Mode'.

Na tarde de quinta-feira, 18 de junho, o produtor norte-americano Tay Keith publicou um vídeo nas redes sociais que, em poucas horas, se tornaria o prenúncio de uma tragédia. “Cada dia fica mais difícil, mas tento fazer o melhor para seguir em frente. Ninguém se preocupa realmente comigo, apenas com os meus beats”, escreveu. Horas depois, agentes da Polícia Metropolitana de Nashville, acionados para uma verificação de rotina, encontraram o seu corpo sem vida no apartamento da Martin Street. As autoridades afirmaram não haver indícios de crime, mas a causa da morte permanece por classificar, aguardando os resultados da autópsia. A possibilidade de suicídio, ventilada por veículos mexicanos como o Excelsior, ecoa uma dor anterior: em 2021, Keith perdera a mãe, um golpe que, segundo pessoas próximas, o abalou profundamente.

Brytavious Lakeith Chambers, nascido no sul de Memphis, começou a produzir batidas aos 14 anos, partilhando as primeiras criações no YouTube e no DatPiff. A parceria com o rapper BlocBoy JB, forjada na adolescência, revelou-se o trampolim para o estrelato: o single “Look Alive”, com a participação de Drake, atingiu o quinto lugar da Billboard Hot 100 em 2018 e apresentou ao mundo a sua assinatura sonora — graves densos, baterias agressivas e uma fusão do trap de Atlanta com a crueza das ruas de Memphis. No mesmo ano, co-produziu “Sicko Mode”, de Travis Scott, canção que liderou as tabelas norte-americanas e lhe valeu a primeira nomeação aos Grammy. Seguiram-se colaborações com Beyoncé (“Before I Let Go”), Eminem (“Not Alike”), Drake (“Nonstop”) e, mais recentemente, a produção de “Pound Town”, que catapultou Sexyy Red para a ribalta. Apesar do sucesso comercial, Keith concluiu a licenciatura na Middle Tennessee State University — um feito que descrevia como o seu maior orgulho — e fundou o estúdio DRUMATIZED, em Nashville, um centro criativo de apoio a talentos emergentes e um dos raros espaços do género pertencentes a um afro-americano na cidade.

O impacto da sua obra transcendeu fronteiras. Com 11 temas no top 10 da Hot 100 e quatro números um, Keith detinha o recorde de mais canções no primeiro lugar da Hot R&B/Hip-Hop Songs na presente década. Na perspetiva de analistas musicais em São Paulo, as suas produções infiltraram-se nos bailes funk e nas playlists de hip-hop brasileiro, influenciando uma geração de beatmakers que reconhecem na crueza das suas batidas um parentesco com a estética do funk carioca. Em Lisboa, críticos sublinham que a sua sonoridade ajudou a redefinir o mainstream do rap, aproximando-o das texturas do sul dos Estados Unidos. Em Angola e Moçambique, produtores locais encontraram na sua linguagem rítmica um modelo para hibridizar o trap com as cadências da kizomba e do afrohouse, num diálogo que a revista Billboard, ao nomeá-lo um dos melhores produtores do século XXI, tacitamente reconheceu.

A comoção após a morte extravasou o círculo profissional. BlocBoy JB publicou no Instagram uma captura de ecrã das chamadas recentes e escreveu: “Falávamos todos os dias. Não me disseste que ias embora”. O produtor Hitkidd, também de Memphis, confessou: “Nem tenho palavras, fazemos isto desde 2010”. O presidente da câmara de Memphis, Paul Young, partilhou uma fotografia com Keith e uma mensagem de despedida. No Brasil, fãs inundaram as redes com homenagens, enquanto a imprensa portuguesa recuperava entrevistas em que o produtor falava da influência da sua cidade natal. A dimensão trágica do vídeo derradeiro reacendeu, em vários países lusófonos, o debate sobre a saúde mental na indústria musical, tantas vezes ofuscada pelo brilho dos holofotes.

Fica a etiqueta que abria tantas faixas — “Tay Keith, fuck these n****s up” —, agora silenciada, mas ainda a reverberar nos auscultadores de milhões. No estúdio DRUMATIZED, em Nashville, o som das consolas permanece ligado, à espera de novas vozes que o fundador já não poderá guiar.

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O produtor musical Tay Keith foi encontrado morto em seu apartamento em Nashville durante uma verificação de bem-estar. A polícia não suspeita de crime e a causa da morte permanece desconhecida. Ele era conhecido por colaborações com Travis Scott e Drake.

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O produtor indicado ao Grammy Tay Keith, que trabalhou com Beyoncé, Drake e Travis Scott, morreu aos 29 anos. A polícia o encontrou em seu apartamento e não vê sinais de crime. Sua carreira incluiu um lugar na lista Forbes 30 Under 30 e vários hits no topo das paradas.

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