
A ausência do azul: como a busca por cores naturais está a transformar doces e cabelos
Dos M&M's sem corantes artificiais aos tons 'chocolate derretido' e 'morango dourado', a estética da naturalidade avança em frentes distintas.
Em agosto, ao abrir um pacote dos novos M&M's vendidos exclusivamente na Amazon, o consumidor notará uma ausência que desafia quase nove décadas de tradição: os tons azul e castanho desapareceram. A versão "natural" do icónico doce da Mars, anunciada como parte do movimento "Make America Healthy Again", chega ao mercado com apenas quatro cores — vermelho, laranja, amarelo e verde — obtidas a partir de beterraba, curcuma e spirulina. A mesma alga que tinge o verde, no entanto, revelou-se um obstáculo técnico para replicar o azul introduzido em 1995 e, por arrasto, o castanho, que depende de uma base azulada.
A decisão da Mars, pressionada pelo secretário de Saúde dos EUA, Robert F. Kennedy Jr., e por investigações estaduais sobre corantes artificiais, expõe a complexidade de substituir pigmentos sintéticos em escala industrial. Enquanto os tons quentes foram recriados com relativa facilidade, o azul — e a sua ausência — tornou-se o símbolo de uma transição acidentada. "É uma situação assustadora. Estamos a mexer com um ícone de 85 anos", resumiu Anton Vincent, presidente da divisão de snacks da Mars na América do Norte, citado pelo Wall Street Journal. A empresa promete recuperar a paleta completa até 2028, mas, por agora, o azul está suspenso num limbo cromático.
Esta procura por uma naturalidade visível não se limita à alimentação. Nas passerelles e nos salões de beleza, a temporada de inverno 2026 no hemisfério norte consagra tons escuros que rejeitam o negro absoluto em favor de matizes profundos e multidimensionais. O "castanho espresso", o "moka profundo" e o "chocolate derretido" — variações que brincam com a luz e evitam a uniformidade artificial — dominam as tendências capilares, segundo publicações internacionais de moda. Em paralelo, o verão austral traz louras "morango dourado" e "champanhe", além do "beijo de sol" para morenas, todos pensados para simular o efeito do sol e do tempo, não da química. Na América do Sul, analistas de tendências notam que o castanho chocolate também conquista os guarda-roupas de inverno, substituindo o cinza e o preto com uma elegância mais quente, associada a materiais como couro e lã.
Para o consumidor lusófono, a discussão evoca familiaridades e estranhamentos. No Brasil, corantes naturais como urucum e beterraba são velhos conhecidos da culinária, mas a indústria de beleza local também se move em direção a fórmulas mais "limpas". Em Portugal, observadores notam que a adesão a tons capilares como o "castanho vino" ou o "carvão" reflete uma busca por sofisticação discreta, em sintonia com o que se vê nas ruas de Milão e Paris. A ausência do azul nos M&M's, porém, lembra que a transição para o natural tem os seus próprios artifícios: a spirulina, afinal, é tão processada como qualquer outro ingrediente, e o "louro champanhe" exige uma precisão de salão que pouco tem de espontâneo.
Enquanto os técnicos da Mars tentam domar a alga azul em cubas de aço, um cabeleireiro em Buenos Aires aplica um banho de brilho "wine brunette" que, à sombra, parece castanho profundo e, à luz, revela reflexos de cereja. A busca pela cor que engana o olhar — seja no invólucro de um doce ou na fibra de um cabelo — define o momento.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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As tendências de cabelo para o verão de 2026 abandonam o preto e o azul em favor de tons quentes e naturais como o loiro morango dourado e os loiros radiantes. Os especialistas recomendam pedir um loiro profundo e dourado com reflexos acobreados, apostando na naturalidade e no brilho.
M&M's lança balas com corantes naturais, mas o azul e o marrom estão ausentes devido a dificuldades técnicas. A medida faz parte da campanha 'Make America Healthy Again' do secretário de Saúde RFK Jr., mostrando que nem mesmo os doces mais icônicos escapam da pressão para remover corantes artificiais.
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