
Washington e Londres planeiam conferência sobre Ormuz enquanto Irão busca apoio diplomático
Iniciativa para uma coligação marítima internacional, condicionada ao fim dos combates, contrasta com as conversações paralelas de Teerão junto a parceiros da Organização de Cooperação de Xangai.
Os Estados Unidos e o Reino Unido preparam uma reunião de alto nível em Londres, na próxima semana, para discutir a criação de uma coligação internacional destinada a proteger a navegação comercial no Estreito de Ormuz. De acordo com fontes diplomáticas europeias citadas pela Axios, a conferência deverá reunir ministros da Defesa e chefes militares de países ocidentais e do Médio Oriente, incluindo o secretário da Defesa norte-americano, Pete Hegseth, e o presidente do Estado-Maior Conjunto, general Dan Caine. Washington considera a reabertura da via marítima — pela qual transita cerca de um quinto do petróleo mundial — um elemento essencial para a sua estratégia de saída da guerra com o Irão. Contudo, uma das principais condições impostas por vários potenciais participantes é o cessar-fogo efetivo, condição que permanece por cumprir desde que o Presidente Donald Trump declarou, a 8 de julho, que o memorando de Islamabad já não estava em vigor.
Paralelamente, o Irão intensificou os contactos diplomáticos à margem da reunião do Conselho de Ministros dos Negócios Estrangeiros da Organização de Cooperação de Xangai (SCO), em Cholpon-Ata, no Quirguistão. O ministro iraniano, Abbas Araghchi, reuniu-se com o homólogo chinês, Wang Yi, que reafirmou o apoio de Pequim à “soberania, segurança e dignidade nacional” do Irão e apelou ao regresso ao memorando de Islamabad. Com o ministro russo, Sergei Lavrov, Araghchi discutiu a condenação da “agressão militar dos EUA e de Israel” e a criação de um mecanismo de segurança regional. Já o ministro paquistanês, Ishaq Dar, manifestou “profunda preocupação” com a escalada e defendeu o diálogo contínuo. Em todos estes encontros, Teerão atribuiu a atual insegurança no Estreito de Ormuz à “quebra de juramento e às exigências excessivas” de Washington, sublinhando a determinação em defender a sua integridade territorial.
A diplomacia regional também passou por Mascate. Araghchi e o ministro dos Negócios Estrangeiros de Omã, Sayyid Badr al-Busaidi, discutiram por telefone “soluções regionais” para assegurar a liberdade de navegação e evitar a escalada. Omã, que partilha o controlo do estreito com o Irão, enviou ainda uma delegação a Teerão para retomar as negociações sobre um mecanismo de reabertura da via marítima. As conversações de Omã ocorrem num momento em que, segundo responsáveis da Defesa norte-americana, os ataques iranianos a navios comerciais cessaram nos últimos quatro dias — alegadamente devido à degradação das capacidades militares iranianas na zona, embora Teerão sustente que mantém a capacidade de resposta.
Para os países lusófonos, a crise acarreta riscos económicos diretos. Analistas em Brasília e Lisboa sublinham que a instabilidade no Estreito de Ormuz pressiona os preços globais de energia, com impacto em importadores líquidos como o Brasil e em economias africanas dependentes de petróleo, como Angola. Observadores europeus notam que o projeto de coligação enfrenta reservas: a Alemanha, a Espanha e a Itália já recusaram participar militarmente. O dossier está agora centrado na confirmação da reunião de Londres e no desfecho da mediação omanita, enquanto a SCO apela ao respeito pelo direito internacional e à desanuviamento.
Amplie o olhar
Calotes batem recorde na Argentina e no Brasil enquanto juros elevados redefinem poupança global
3 idiomas · 7 veículos
De TechnologyMusk confessa envolvimento político excessivo, mas mantém defesa do DOGE
3 idiomas · 5 veículos
De Science & HealthTerapias de precisão avançam contra doenças raras na China, Reino Unido e Américas
4 idiomas · 6 veículos