
Vance revela que acordo EUA-Irã prevê fim do programa nuclear e reabertura do Estreito de Ormuz
Documento de página e meia, já assinado eletronicamente, condiciona alívio de sanções à destruição do urânio enriquecido e à estabilidade regional, sem transferência de dinheiro americano.
O vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, detalhou na segunda-feira os contornos do entendimento alcançado com o Irão, confirmando que o texto — um memorando de cerca de página e meia — já foi assinado eletronicamente pelas lideranças dos dois países e deverá ser formalizado numa cerimónia presencial na Suíça na próxima sexta-feira. Em entrevistas a várias cadeias norte-americanas, Vance afirmou que o acordo garante a reabertura imediata do Estreito de Ormuz, a via marítima vital para o trânsito global de petróleo, e impede de forma permanente que Teerão obtenha uma arma nuclear. O presidente Donald Trump, adiantou, poderá divulgar o conteúdo integral do documento ainda antes da assinatura solene.
Segundo o vice-presidente, o memorando estabelece um quadro geral que será aprofundado em negociações técnicas posteriores. O primeiro parágrafo consagra o compromisso mútuo com a paz e a estabilidade regional, exigindo que o Irão cesse o financiamento de grupos que Washington classifica como terroristas. Em contrapartida, estão previstos incentivos económicos significativos — incluindo o alívio de sanções e uma reintegração progressiva na economia global —, mas a sua concretização fica inteiramente dependente do cumprimento verificável das obrigações iranianas. Entre elas, destacam-se a destruição dos stocks de urânio de alta pureza, com o auxílio da Agência Internacional de Energia Atómica e dos próprios EUA, e o regresso obrigatório dos inspetores nucleares ao terreno.
Vance foi particularmente incisivo ao desmentir notícias que circulavam sobre uma alegada transferência de 24 mil milhões de dólares para Teerão. “Nem um dólar do dinheiro dos contribuintes americanos será pago ao Irão”, garantiu, acusando alguns órgãos de comunicação social de amplificarem “propaganda da Guarda Revolucionária” iraniana. A dimensão financeira do acerto é, assim, reduzida a um mecanismo condicional: Teerão só colherá benefícios se alterar de forma duradoura o seu comportamento. Na perspetiva de Teerão, veiculada por analistas iranianos, paira o ceticismo herdado da experiência do JCPOA — o acordo nuclear de 2015, do qual Washington se retirou unilateralmente —, e sublinha-se que a confiança dependerá da consistência americana e do fim do que consideram ser o verdadeiro foco de instabilidade regional, Israel.
A revelação dos termos teve um efeito imediato nos mercados: Vance observou uma descida dos preços do petróleo e do gás nas 24 horas seguintes ao anúncio do “grande acordo de paz”. Para economias importadoras de energia como o Brasil, Portugal e os países africanos de língua oficial portuguesa, a normalização do trânsito no Estreito de Ormuz representa um potencial alívio nos custos dos combustíveis e na pressão inflacionista. Observadores em Lisboa e Brasília notam, contudo, que o otimismo é contido, pois o memorando é assumidamente um documento genérico, cuja eficácia ficará refém da letra miúda das negociações técnicas e da robustez dos mecanismos de verificação.
O caminho até um entendimento duradouro permanece incerto. O acordo prevê que o Irão se comprometa a não reconstruir o seu programa nuclear e a contribuir para a estabilidade do Médio Oriente, mas o historial de desconfiança mútua e a complexidade dos temas regionais — da Síria ao Iémen — deixam os diplomatas cautelosos. A cerimónia de sexta-feira em território suíço, com a presença de altos responsáveis iranianos como o presidente do parlamento e o ministro dos Negócios Estrangeiros, marcará o início de uma nova fase negocial, cujo sucesso será medido menos pelas declarações de princípios e mais pela capacidade de transformar uma página e meia de intenções num equilíbrio estável e verificável no terreno.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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O vice-presidente dos EUA afirmou que Trump pode revelar o acordo com o Irã antes da cerimônia de assinatura de sexta-feira na Suíça. O quadro prevê a reabertura do Estreito de Ormuz sem taxas iranianas sobre o transporte, e são esperadas mais conversas técnicas para um acordo de longo prazo. O tom é pragmático, focado na estabilidade econômica regional.
O vice-presidente dos EUA descreveu o memorando de uma página e meia como um quadro geral que pode mudar fundamentalmente as interações globais e regionais do Irã. A mídia iraniana enfatiza que quaisquer benefícios dependem de verificações e ações práticas, lembrando que os EUA e seu aliado sionista historicamente violaram compromissos internacionais. A narrativa é cética, retratando o Irã como cauteloso e o Ocidente como não confiável.
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