
Onda de calor histórica na Europa deixa dezenas de mortos e bate recordes de temperatura
França, Espanha, Reino Unido e Itália enfrentam temperaturas acima de 40°C; afogamentos e cortes de energia marcam crise que a OMS classifica como emergência sanitária.
Uma onda de calor excecional atinge a Europa Ocidental desde 18 de junho, provocando pelo menos 48 mortes por afogamento em França e duas por insolação em Espanha, segundo autoridades locais. As temperaturas superaram os 44°C em Pissos, no sudoeste francês, e os 43,7°C na Cantábria, norte espanhol, estabelecendo novos máximos nacionais. Em Paris, os termómetros atingiram 40,9°C, um recorde para junho, enquanto o Reino Unido registou 35,8°C no sul de Inglaterra, o dia mais quente daquele mês desde o início das medições.
O balanço de vítimas permanece provisório. O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, anunciou na terça-feira 40 mortes por afogamento desde o início da vaga de calor, mas fontes da proteção civil e da comunicação social elevam o número para 42 ou 48, a maioria jovens que procuravam refrescar-se em rios, canais e lagos não vigiados. Duas crianças morreram dentro de um automóvel em Carpentras, no sudeste de França, e dois idosos faleceram por golpe de calor em Espanha. No Reino Unido, as equipas de emergência procuravam um adolescente de 15 anos desaparecido enquanto nadava em Testwood Lakes, Southampton. A Organização Mundial da Saúde classificou a situação como “emergência sanitária”, alertando que as temperaturas na Europa sobem ao dobro da média global e que o calor já causou mais de 200 mil mortes no continente nos últimos quatro anos.
As infraestruturas revelam fragilidades num continente pouco adaptado a extremos térmicos. Cerca de 68 mil habitações ficaram sem eletricidade no departamento de Finistère, na Bretanha, devido a uma avaria num transformador “ligada às altas temperaturas”, informou a prefeitura. Em Itália, 16 cidades foram colocadas sob alerta vermelho, com picos previstos de 41°C na Toscana e na Emília-Romanha. Centrais nucleares francesas reduziram a produção em cerca de 7% porque a água de refrigeração atingiu limites operacionais. Escolas encerraram ou adotaram horários reduzidos em França, no Reino Unido e nos Países Baixos, e monumentos como a Torre Eiffel, o Louvre e o Atomium de Bruxelas anteciparam o fecho.
Do ponto de vista meteorológico, o episódio é atribuído a um “bloqueio ómega”, um padrão de alta pressão que aprisiona ar quente saariano sobre a Europa ocidental e impede a chegada de massas de ar mais fresco. Cientistas citados por agências europeias sublinham que as alterações climáticas intensificam estas vagas de calor, tornando-as entre 2°C e 4°C mais quentes do que seriam sem o aquecimento global. A atual vaga é comparada à de agosto de 2003, que causou cerca de 80 mil mortes adicionais em toda a Europa. As autoridades mantêm alertas máximos em grande parte de França, Espanha, Reino Unido e Itália, enquanto os serviços de emergência continuam a monitorizar o impacto sobre a população e as redes de energia.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A Europa está sob uma onda de calor excecional. O boletim do ministério da Saúde italiano colocou 16 cidades em alerta vermelho, o nível máximo de risco para a saúde, e amanhã devem ser 17. A França teve o dia mais quente desde 1947, com 40 afogamentos em cinco dias, e a OMS fala em emergência sanitária.
A Europa 'arde' sob uma onda de calor sem precedentes. A França teve o dia mais tórrido de sua história, com 40 afogamentos, enquanto a Torre Eiffel e o Louvre fecharam mais cedo. Com ironia, alguns veículos latino-americanos brincam que 'as baguetes estão assando', ligando o fenômeno às mudanças climáticas.
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